Resenha: Ele está de volta

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Um livro que me fez rir sem me dar conta de que estava lendo um livro que não pensava que seria considerado de comédia, até mesmo porque o personagem principal é ele: Hitler. E sim, aqui, “Ele está de volta”, e o mais interessante: nos dias atuais.

No livro escrito por Timur Vermes, o Füher acorda em um terreno na Alemanha completamente desentendido e ainda usando seus trajes formais. Quando levanta tentando entender como havia parado ali, percebe que há algo errado. Ele está no futuro. Muito mais no futuro.

Perdido e desorientado, tenta pedir informações para quem está passeando pela rua e fica furioso ao perceber como as pessoas ousam não respeitá-lo, e o pior, os que fazem a saudação alemã, insistem em fazê-la de maneira errada. Depois de perder alguns minutos tentando entender como havia parado ali, Adolf começa a passar mal e um bondoso dono de banca de jornais o ajuda.

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Por estar caracterizado e começar a soltar seus discursos (muito) bem feitos, o dono da banca logo percebe que além de se tratar de um sócia parecidíssimo, o senhor ali era um excelente ator. Então promete chamar alguns produtores que o ajudarão a ficar famoso. Em uma inocência cômica, Hitler gosta da ideia de ser apresentado aos tais “produtores” e começa a bolar novos planos, sem saber que, na verdade, estava sendo escalado para um programa de comédia.

É muito claro que para escrever “Ele está de volta”, o autor pesquisou muito sobre Hitler. Seus “novos” discursos, narrados na história, super poderiam ter sido feitos pelo próprio. E o mais assustador (que aconteceu comigo, pelo menos) foi o poder de persuasão que aquelas palavras possuem.

É claro que não se trata só do nazismo e do Hitler em si. O que eu gostei muito no livro, foram as observações do personagem sobre o mundo de hoje. Sobre como o conteúdo que consumimos é terrível, e como a nossa sociedade atual está sendo governada por um mídia que pode até ser considerada livre, mas que não exerce essa liberdade da melhor maneira, e ao invés de informar e expandir os horizontes, acaba criando cidadãos que não pensam e passam a dar importância ao que, na verdade, deveria menos importar.

Ao longo do livro, o que eu já havia comentado ali em cima começa a tomar tendências mais assustadoras. Começo a concordar com coisas que Hitler diz. E então, com um peso na consciência, começo a entrar em conflito com meus valores. O que é ótimo, eu acho, afinal livros que te fazem questionar sobre qualquer coisa são válidos. Questionar-se é válido e importante.

“Ele está de volta” é um livro narrado em primeira pessoa que ridiculariza Hitler, sua postura e suas idéias absurdas na medida certa e o mais importante: ridiculariza nós mesmos, que conseguimos engolir tudo o que nos é dito e posto em frente a uma tela de computador.

Claro que o livro tem seus defeitos, muitas vezes caí no tédio ao longo da leitura e viajei durante os discursos. Mas como não lembrava do que se tratava quando comecei a ler, não criei expectativas. No geral, é bom. Fazer o leitor desdobrar questões e rir ao mesmo tempo, foram duas junções geniais.

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Carina Silva

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Comments

  1. Meninaaa, estou louca de vontade de conhecer esse livro.
    Gosto muito de história, então é uma boa pedida para mim, né?
    Guriaaa, você é muito caprichosa e seu blog está lindo…já estou te seguindo.
    Dá um pulinho lá no meu cantinho, está rolando um sorteio baphoo! 😉
    Beijooo!
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