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15/06/16
Série Love – Netflix

série love netflix

A Netflix está arrasando com as sérias próprias. A bola da vez é a série Love, uma comédia romântica com pitadinhas leves de drama que conta a história de Mickey e Gus, dois adultos que acabaram de entrar na faixa dos 30 que se conhecem por acaso logo após  terminarem seus respectivos relacionamentos.

Mickey é apresentada como a garota descolada que trabalha em uma estação de rádio, usa drogas, bebe, fuma e é  aquela bagunça de  pessoa sem estabilidade emocional que acaba sendo vista como descolada e cool. Já Gus é o típico nerd  tímido e fã de cinema que mal bebe, é bonzinho e trabalha como professor no set de filmagens de uma série.

Ao se conhecerem, Gus imediatamente gosta de Mickey e os dois começam a trocar mensagens e a se encontrar ocasionalmente. O problema é que Mickey e sua vida constantemente agitada acaba deixando o relacionamento dos dois muito difícil de engajar.

A sacada de Love é ir além de uma história sobre o início de um relacionamento entre uma descolada e um nerd, pois desconstrói esses dois estereótipos. Gus é aquele nerd bonzinho que não é tão bonzinho assim, como ele é visto como um carente solitário, o personagem parece ter adotado essa personalidade, porém ele é tão egoísta e arrogante como a própria Mickey. Já ela, que se faz parecer forte e independente acaba se mostrando, ao longo dos episódios, mais sensível, carente e vulnerável que o próprio Gus.

série love

É divertido e interessante ver como cada um cria expectativas em cima do outro, o desespero de mandar uma mensagem e esperar a resposta, projeções e principalmente entender o outro além do que ele se deixa mostrar.

Apesar do carisma da personagem feminina, as partes mais engraçadas ficam por conta de Gus, que não é tão carismático, mas gera umas boas risadas em seus surtos no dia a dia.

Love é ideal para ver entre episódios de séries pesadas ou quando você precisa dar uma respirada e ver algo tranquilo. Nada de excepcional, mas divertida.

Postado por Camila Rocha

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21/10/16
The Get Down: único seriado possível em 2016

the get down

Ano passado quando assisti o teaser de The Get Down eu fiquei louca. UM SERIADO SOBRE DISCO MUSIC? BERRO, GRITO, TIRO, BOMBA. Fui nascida e criada escutando Earth, Fire and Wind, Aretha Franklin, Diana Ross (obrigada, pai!), sou apaixonada por todo o contexto que envolve a cultura disco: valorização da estética e musicalidade negra.

Fiquei mais ansiosa depois de saber que seria o diretor Braz Luhrmann contaria aquela história. Quando todo mundo achou que ninguém poderia contar a tragédia de Romeu e Julieta, Braz inovou ambientando a história de forma contemporânea, com muitas pistolas e perseguições de carros, mas mantendo a atmosfera apaixonada e política da peça. Quando hollywood achou que filmes musicais estavam ultrapassados e cansativos, Braz nos brindou com Moulin Rouge.

Então veio The Get Down e a minha surpresa: não é um seriado sobre disco music, vai além disso.

Lado A, Lado B

Os episódios são sempre introduzidos em forma de rap por Mr. Books que conta a sua história, dos amigos e amores, na Nova Iorque de 1977. Parece confuso no começo e nos primeiros você fica “que rap é esse?”, “quem é esse cara?”, “é anos 90 ou 70?”, “cadê o disco?”. Mas as personagens e suas histórias são apresentadas e tudo vai se encaixando como numa grande engrenagem. Ezequiel Figueiro (Justice Smith) é um dos adolescentes que conduz a história, ele perdeu os pais e vive com a tia materna no Bronx e, como todo adolescente, tem seus sonhos e aptidões (escrita e leitura), mas se sente inseguro e precisa da ajuda dos amigos para se tornar mais confiante. Contrapondo a história de Zeke, temos a determinada Mylene Cruz (Herizen Guardiola), uma garota criada por pais conservadores que sonha em ser a próxima Donna Summer. O ponto em comum desses dois, além de serem jovens negros/latino, é a música. Mylene sonha com Manhattan e uma vida melhor que lhe espera além das ruínas em chamas do Bronx, já Zeke através da sua rima e versos, começa a entender seu papel e importância na comunidade, tudo isso através da música.

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Mylene Cruz divando no coral da igreja

Caldeirão musical e cultura pop

Assim como a história é conduzia de forma não linear, aquele vai e vem entre passado e presente, a trilha sonora é mixada da mesma forma, amarrando perfeitamente ritmo da série. São versos em forma de rap misturando-se com vocal gospel e batida disco. A música latina com seu pandeiro meia lua e violões, misturando uns violinos nervosos. Uma base de piano com soul e vocais gospel. é a disco music em seu auge emprestando seus metais em corneta, trombones e tubas para a mixagem de underground dos DJ do hip-hop. é a galera de boca de sino, lame e óculos escuros de sandália plataforma curtindo a turma dançando aquilo que hoje chamamos de break.

Nada é delimitado e tudo é misturado, fazendo esse caldeirão cultural étnico se tornar muito verossímil. As referencias pop estão por todos os lugares: HQ’s da Marvel, Star Wars, Bruce Lee e os filmes de artes marciais.

E somado a isso temos como pano de fundo a cidade de Nova Iorque, que também desempenha seu papel como personagem. A decadência e alto índice de desemprego, corrida eleitoral para a prefeitura com candidatos brancos que precisam do voto da periferia negra e latina para vencer, ao mesmo tempo esses candidatos querem erradicar e promover uma higienização dos grafites e da cultura desses guetos.

The Get Down mostra como a indústria fonográfica é cruel e seu sexíssimo, tem feminismo e aquela sororidade praticada no dia a dia em cenas lindas, que a gente se emociona e quer sair abraçando as personagens. Tem sangue, muito sangue! Não existe aquela separação básica de bem vs. mal, em um episódio eu amava Shaolin Fantastic e no outro eu queria que ele explodisse.

Aliás, os personagens secundários roubam a cena mesmo. Shaolin Fantastic (Shameike Moore) é um deles, o grafiteiro metido a Bruce Lee que introduz Zeke ao mundo de The Get Down. Outro personagem interessante é Dizziee (Jaden Smith). Ele é todo artístico e tranquilo (a loca do signo que mora em mim diz que ele é de peixes), se mistura bem entre todas as vertentes de grafiteiros e por conhecer quase todo mundo, acaba em uma festa moderninha no SoHo e protagonizando umas das cenas MAIS LINDAS DO SERIADO.

A série estreou a sua primeira parte em agosto deste ano na Netflix, com um orçamento de 120 milhões (!!!), trilha sonora (disponível no Spotify) e edição impecável, a fotografia e paleta de cores retro com muito amarelo mostarda/marrom/vermelho/azul pastel é colírio para os olhos, os cabelos black power e as maquiagens com muito brilho e sombra azul, uma história coerente e cativante de adolescente descobrindo os seus talentos, tentando conquistar seu espaço.

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The Get Down Brothers

This aint no fairy tale.

“Isso não é um conto de fadas”, Zeke diz ao longo da trama. Será este o motivo das pessoas não falarem sobre The Get Down? Eu tenho um palpite… O grande público está desacostumadas com enredos de protagonistas negros e latinos. Stranger Things estreou um mês antes e ainda vejo as pessoas replicando memes e falando sobre. Até agora eu vi pouquíssimas pessoas assistindo The Get Down, o que é uma pena! E o único seriado possível em 2016. E uma aula de história e uma imersão e valorização da cultura negra e hip hop. Antes de ver a série, eu achava que não gostava e não entendia muito bem o hip hop. Hoje eu percebo em como essa vertente foi sendo a apropriada por outros movimentos musicais e pela moda. ao longo dos anos.

The Get Down faz esse resgate das raízes do hip hop mostrando como, onde e o porquê do seu nascimento e de como a música é um instrumento importante na vida daqueles adolescentes, fazendo expressar seus sentimentos, discurso político e de se afirmar como indivíduo.

Postado por Camila Rocha

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24/08/16
Nós deveríamos todos ser feministas

Eu me tornei fã da escritora Chimamanda Ngozi lá em 2010, quando a assisti pela primeira vez no TED Talk, com uma fala intitulada “O Perigo de uma única história”. A fala dela é maravilhosa, e nos faz refletir sobre as imposições culturais e estereótipos que limitam e pré-definem nosso conhecimento.

No entanto, foi a segunda palestra dela, que assisti alguns anos depois, que se tornou tão importante para mim. O discurso dela: claro, direto e tão didático, me fez compreender melhor sobre a importância da luta das mulheres. Em “Nós deveríamos todos ser feministas”, a autora desmistifica o termo feminista, ainda tão carregado negativamente, também conta sobre sua infância na Nigéria permeada por valores e tradições culturais machistas.

Nesse ponto, foi uma ruptura muito importante para mim, poder compreender o quanto a cultura pode ser machista e que não devemos ter medo de modificá-la. Nas aulas sobre Cultura, durante minha especialização, era sempre uma das questões levantadas: saber até que ponto era permitido intervir em tradições culturais. Para muitos estudiosos – antropólogos, principalmente – a tradição de um povo deve ser mantida a todo o custo.

Porém, diante de atrocidades cometidas contra mulheres no mundo todo em nome de uma tradição cultural, eu sempre me perguntei: até que ponto é permitido pensar assim? E foi por causa da Chimamanda que eu nunca mais hesitei quando ouço algo do tipo: “Ah, mas é cultural, né?! É como manda a tradição.” E logo respondo com as palavras dela mesmo:

sejamos todos feministas

“A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar nossa cultura.”

 

Vale muito a pena assistir a palestra completa. Mas, também super indico que vocês leiam o livro “Sejamos todos feministas”, que é uma adaptação do discurso dela no TEDx Euston. É um livro curtinho, mas que a gente fica com vontade de anotar e decorar cada pensamento e ideia que ela apresenta. Ah, parte dessa fala dela também foi usada na música “Flawless” da Beyoncé.

Postado por Ana Paula Nunes

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03/08/16
[Resenha] ABC de Fernando Pessoa

ABC Fernando pessoa

“Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso – em suma, é a nós mesmos – que amamos”

Fernando Pessoa foi um escritor português que viveu entre 1888 e 1935 conhecido não só por seus poemas, mas também prosas. É  daqueles poetas que sempre ouvi falar, mas que nunca tive interesse o suficiente para parar e ler, talvez por receio mesmo, já que poesia nunca foi o meu forte.

O livro ABC de Fernando Pessoa parece ter sido feito justamente para pessoas como eu, que precisavam se iniciar na poesia de um jeito ou de outro. E posso dizer que lê-lo foi uma surpresa muito gostosa!

Antes de ter preguiça e resmungar, é bom saber que nesse livro você não vai encontrar  aqueles poemas complexos que mal dão pra entender na primeira vez. A obra não é feita de poemas e sim  citações, nele a editora Leya reuniu as melhores frases e trechos da prosa e poesia de Fernando Pessoa e as dividiu em temas por ordem alfabética.

abc de fernando pessoa

Logo na primeira página a impressão que tive foi de uma explosão mental. As citações parecem ter sido escolhidas a dedo para fazer o leitor ler e reler, mas não porque são pesadas e sim porque  cada vez que passamos o olho dá pra entender uma coisa. E o melhor, pensar em uma milhão de outras coisas partindo daquela coisa inicial.

“Os argumentos são, quase sempre, mais verdadeiros do que os factos. A lógica é o nosso critério de verdade, e é nos argumentos, e não nos factos, que pode haver lógica. Contra argumentos não há factos”.

Sensacional ou não? Dá para levar esse livro pro  bar e criar debates de horas com os amigos ou ler sozinho e ter vários insights.

Outra coisa super legal do livro foi a diagramação, que possui a  letra abrindo o capítulo e as “palavras temas” destacadas em vermelho. Ou seja, você pode ler logo sobre o tema que te chama a atenção.

abc de fernando pessoa

O livro só tem um lado ruim: em alguns capítulos existem trechos quase inteiros de poemas ou,  às vezes, uma frase que eu realmente adorei, mas o livro não informa nem no final de quais obras aquela citação foi tirada. Claro que pode servir também para instigar mais ainda o leitor para ler Fernando Pessoa, pois se o poeta consegue conquistar só com uma frase, imagine em uma obra completa.

ABC de Fernando Pessoa pode se chamar “ABC” pela divisão alfabética dos temas das citações, mas pra mim é ABC no mesmo sentido de Bê a Bá, como uma introdução para os iniciantes de Fernando Pessoa. O livro é melhor maneira de apresentar o autor para alguém – ou você mesmo – ou presentear quem já conhece de cor e salteado sua obra, mas precisa daquela coletânea de melhores momentos.

Postado por Carina Silva

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01/07/16
Impala Nail Spray

impala nail spray

A Impala lançou a linha Nail Spray, são sprays de tinta, tipo os de grafite, só que para unhas. Desde que vi, fiquei curiosa para testar, saber se seria mais prático e se funcionaria tão bem quanto um esmalte comum.

Pois a marca enviou uma amostra aqui pra casa, e na mesma hora eu já fui testar, cheguei a mostrar em tempo real no snapchat, aproveitei e fiz umas fotos do passo a passo e do resultado para vocês.

impala-nail-spray

Quando eu fiz no primeiro dedo, não prestei atenção nas instruções e apliquei o spray muito de perto, dai acumulou e não deu certo, mas depois peguei o jeito e não errei mais.

nail-spray-passo-a-passo

A cor que veio pra mim foi o Rosa Pink, (acho que alguém lá na marca lê o blog 😅). Ele é um rosa bem vivo e com acabamento metálico, muito bonito.

Aprovei o produto por alguns motivos:

  • Eu não sei fazer minhas unhas, e com esse spray eu consegui, mesmo sem tirar as cutículas, deixei as unhas bem feitas, pois tenho a cutícula bem fina;
  • Deu muito menos trabalho do que uma esmaltação comum, você pula etapas como a limpeza com o palitinho com algodão embebido em acetona no final;
  • Se você aplicar o verniz protetor apenas nas unhas, prestando atenção para não escorrer, e limpando muito bem caso escorra para o dedo, no final toda a tinta que pegou na pele, sai com água e sabão facilmente.

Quanto a duração do produto nas unhas, fiz há 4 dias,  e só agora começou a descascar as pontinhas. Isso eu lavando louça e fazendo a faxina, admito.

Para mim que não sei fazer minhas unhas e que tenho a maior preguiça de ir ao salão, esse spray vai ser uma salvação. Quero inclusive comprar numa cor mais discreta pra poder usar sempre.

O preço não é bolinho, R$27,90, mas no meu caso que não sei fazer as unhas da forma convencional, e para quem não tem tempo para manicure, vale muito a pena. E se você for pensar, o preço do kit é o correspondente a 2 idas ao salão para fazer as mãos, e com 50 ml, o Nail Spray vai durar 4 aplicações, segundo o release da marca. 😉

UPDATE: Tem outras 5 cores, preto, azul escuro, prata, roxo e branco, se não me engano.

Eu curti, alguém mais já usou?

Postado por Helena Sá

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15/06/16
Série Love – Netflix

série love netflix

A Netflix está arrasando com as sérias próprias. A bola da vez é a série Love, uma comédia romântica com pitadinhas leves de drama que conta a história de Mickey e Gus, dois adultos que acabaram de entrar na faixa dos 30 que se conhecem por acaso logo após  terminarem seus respectivos relacionamentos.

Mickey é apresentada como a garota descolada que trabalha em uma estação de rádio, usa drogas, bebe, fuma e é  aquela bagunça de  pessoa sem estabilidade emocional que acaba sendo vista como descolada e cool. Já Gus é o típico nerd  tímido e fã de cinema que mal bebe, é bonzinho e trabalha como professor no set de filmagens de uma série.

Ao se conhecerem, Gus imediatamente gosta de Mickey e os dois começam a trocar mensagens e a se encontrar ocasionalmente. O problema é que Mickey e sua vida constantemente agitada acaba deixando o relacionamento dos dois muito difícil de engajar.

A sacada de Love é ir além de uma história sobre o início de um relacionamento entre uma descolada e um nerd, pois desconstrói esses dois estereótipos. Gus é aquele nerd bonzinho que não é tão bonzinho assim, como ele é visto como um carente solitário, o personagem parece ter adotado essa personalidade, porém ele é tão egoísta e arrogante como a própria Mickey. Já ela, que se faz parecer forte e independente acaba se mostrando, ao longo dos episódios, mais sensível, carente e vulnerável que o próprio Gus.

série love

É divertido e interessante ver como cada um cria expectativas em cima do outro, o desespero de mandar uma mensagem e esperar a resposta, projeções e principalmente entender o outro além do que ele se deixa mostrar.

Apesar do carisma da personagem feminina, as partes mais engraçadas ficam por conta de Gus, que não é tão carismático, mas gera umas boas risadas em seus surtos no dia a dia.

Love é ideal para ver entre episódios de séries pesadas ou quando você precisa dar uma respirada e ver algo tranquilo. Nada de excepcional, mas divertida.

Postado por Carina Silva

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24/05/16
Circo Invisível | A visita cruel do tempo

Circo Invisível-A visita cruel do tempo

Hoje tem resenha dupla porque não posso falar de  Circo Invisível sem falar de A visita cruel do tempo e/ou vise versa. Ambos são livros da autora Jennifer Egan (que conheço há pouco tempo mas já considero pacas) e o motivo pelo qual acho perfeito falar dos dois é que o tema central é praticamente o mesmo: o tempo. Não é exatamente o tema central de  Circo Invisível, romance de estreia da autora – publicado em 1995 lá fora – mas sim o tema central da escrita de Egan, que, se não for exagero, é uma verdadeira senhora nostalgia.

Circo Invisível

Capa original do livro lançado em 95

Circo Invisível se passa nos anos 70 e conta a história da adolescente Phoebe, alguém que não sabe quem é, vive com a constante sensação de que não está aproveitando a vida devidamente e que não pertence ao mundo, mas longe de ser de uma forma revoltada. O problema é que a jovem de 18 anos vive na sombra de sua irmã mais velha, Faith, que, ao contrário dela, era corajosa e se jogava em situações sem pensar nas consequências. Depois de crescida, Phoebe passou a viver em busca da sensação mágica que era ter vivido nos anos 60, como sua irmã, e procura desesperadamente o sentimento que, quando criança, conseguiu apenas chegar perto de sentir, mas apenas como espectadora.

O fantasma de Faith pode ser mesmo considerado um, já que a irmã de Phoebe se matou durante uma viagem pela Europa. Agora, exatamente com a mesma idade que a irmã quando morreu, Phoebe sente a necessidade de refazer os passos de Faith pela Europa e não só descobrir o motivo que fez sua irmã se matar, mas também reencontrá-la.

Enquanto a narração sobre a descoberta de Phoebe em relação ao mundo decorre, podemos ler intercaladamente passagens da infância dela com a irmã, o pai e o irmão mais novo. São situações tão bem narradas que tenho certeza que vou levar a cena que deu origem ao nome do livro para sempre comigo, por exemplo.

A jornada de Phoebe não se torna apenas física, mas também introspectiva. No entanto, a narração  está longíssima de ser cansativa. A escrita clara e sem floreios faz do livro um suspense dramático que surpreende por conter um enredo simples, mas recheado de intimismo, reflexões sobre uma geração que se perdeu e viagens internas que todos nós temos, mas que só Egan parece conseguir colocar no papel.

A visita cruel do tempo

Já havia notado o carinho que a autora parece ter pelas décadas passadas, pensamentos nostálgicos e reflexões sobre mudanças. Tudo  leva a crer que não teria como Jennifer fugir fugir de escrever A Visita Cruel do Tempo – livro de 2012.

A história começa com Sasha, uma cleptomaníaca que trabalha como assistente do famoso produtor musical Bennie. Depois de introduzir Sasha,  a autora parte para o capítulo onde a vida de Bennie é apresentada. Ele relembra sua juventude nos anos 70/80, quando era punk e tinha uma banda com seu amigo Scott. É a partir da história dos dois que o livro segue com cada capítulo contando a história de outros personagens – ou do mesmo -. A narração vai e volta no tempo sem aviso prévio indo dos anos 70 até um futuro não muito distante do de hoje. Cada capítulo é uma surpresa.

A leitura pede uma atenção extra para os personagens de cada capítulo, até os que parecem secunA visita cruel do tempodários, porque cada um deles pode ser citado lá na frente. Embora nem todos se conheçam, eles formam uma teia e cada um tem relação com o outro, seja no passado, presente ou futuro.

A visita cruel do tempo incomoda e faz isso porque esfrega na sua cara, sem piedade, as verdades sobre os efeitos do tempo na nossa vida. E para nós, que estamos acostumados a não saber o futuro de um personagem 30 anos depois do fim de uma história, é difícil lermos na lata o que virou a vida dele (e, nem sempre, é algo extraordinário). Jennifer Egan brinca de mostrar de uma vez como realmente o tempo pode ser uma visita cruel, mas às vezes nem tão ruim.

Tanto esse quanto Circo Invisível levam certa nostalgia sentida pelos próprios personagens direto para o leitor, e a autora consegue fazer isso sem fazer nenhum esforço. É possível terminar a leitura só com aquela sensação prazerosa de saudade de algo que você, na verdade, nem chegou perto de viver.

“É essa a realidade, não é? Vinte anos depois, a sua beleza já foi para o lixo, especialmente quando arrancam fora metade de suas entranhas. O tempo é cruel, não é? Não é assim que se diz?” – Trecho de “A visita cruel do tempo”.

Postado por Carina Silva

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