resenha


24/02/16
A Ditadura da Beleza: vale a pena refletir

Alguém já falou pra você que você precisava mudar? A sua aparência, o jeito que você se veste ou o seu peso? Às vezes não é tão direto assim, às vezes as exigências vêm através de insinuações, brincadeiras ou mesmo ironias.

Comigo foi cedo. Eu lembro que a primeira vez que me disseram como eu deveria ser foi aos nove anos. Na época, minha mãe me levou em uma “agência de modelo” (nos anos 90 isso era febre e uma ótima forma de tirar dinheiro das pessoas também, diga-se de passagem). A mulher que me atendeu fez algumas fotos, elogiou meus olhos e disse que eu precisava emagrecer. Eu não era uma criança magra, eu tinha uma barriguinha feliz, que lógico, não me incomodava. Eu era criança! E eu, claro, resolvi emagrecer depois disso. Pensem, com apenas nove anos eu resolvi cortar o pão da minha rotina. Acho que emagreci, não lembro direito. Mas, também não fez diferença nenhuma para o meu futuro nada promissor de celebridade.

Essa foi uma das minhas experiências e aposto que vocês devem ter várias pra contar também, né?! E isso tem tudo a ver com um livro que li há pouco tempo e queria compartilhar com vocês. O livro é do Augusto Cury (não, gente, não torce o nariz achando que é autoajuda) e chama “A Ditadura da Beleza e a revolução das mulheres”. Pra quem não conhece, o Cury é psiquiatra e pesquisador, e nesse livro específico ele escreve em forma de romance.

Através de personagens envolvidas com o universo da moda e da mídia, ele discute sobre a insanidade que são os padrões inatingíveis de beleza e a opressão que eles provocam diariamente em mulheres como eu, como você e também em crianças. A linguagem usada é super fácil e até óbvia demais. Talvez, não mereça um Nobel, mas com certeza nos faz refletir e muito!

a-ditadura-da-belezaSinopse: Com mais de 2 milhões de livros vendidos no Brasil, Augusto Cury retrata neste romance o cotidiano de mulheres que sofrem caladas as consequências de uma cruel realidade do mundo moderno: a ditadura da beleza. Apoiando-se em sua vasta experiência como psiquiatra e pesquisador, Cury dá um grito de alerta contra essa forma de opressão que vem deixando mulheres, adolescentes e até crianças tristes, frustradas e doentes. Influenciadas pela mídia e preocupadas em corresponder aos inatingíveis padrões de beleza que são apresentados, milhares de mulheres mutilam sua auto-estima – e, muitas vezes, seus corpos – em busca da aceitação social e do desejo de se tornarem iguais às modelos que brilham nas passarelas, na TV e nas capas de revistas. Ao tratar de um tema tão atual, este livro faz com que o leitor se identifique imediatamente com os personagens e sua luta por uma vida mais plena, em que cada pessoa se sinta livre para ser o que é, sem se envergonhar de sua aparência e sem se comparar a ninguém.

Postado por Carina Silva

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03/06/16
Tá todo mundo mal – Jout Jout

tatodomundomal

Ler o livro da Jout Jout é igual assisti-la em seus vídeos no Youtube, a gente se sente em uma conversa de bar onde ela conta, tranquilamente, suas neuras mais profundas e rimos porque é exatamente assim que nos sentimos.

A youtuber de apenas 25 anos acaba de lançar seu primeiro livro, “Tá Todo mundo Mal” e , como não poderia deixar de ser diferente, é sobre ela, assim como a maioria dos livros de youtubers famosos que vêm sendo lançados a quilos no mercado editorial. O diferencial, ao meu ver, é que Jout Jout optou por não escrever exatamente sua biografia – o que achei ótimo, e o mais legal: foi ela mesma quem escreveu, nada de ghots writes aqui, amiguinhos.

As crônicas de Júlia são sobre a vida simplesmente, com exceção de que ela optou por selecionar assuntos que remetam à crise. Ou seja, basicamente o que ela já fala nos seus vídeos. Isso pode ser um problema, já que se o leitor for da “família Jour Jout” (pessoas que assistem todos os vídeos religiosamente e adoram ela), assim como eu, vai ler sobre várias coisas que ela já falou, por exemplo : a crise da sua falta de queixo, a crise de quando terminou a faculdade de Jornalismo e não sabia mais o que fazer da vida, a crise de quando deixou seu namorado Caio ler seus textos pela primeira vez, etc…

O que constatei assim que li a 1ª crônica do livro, “A crise da puberdade injusta”, foi o que muitos dos fãs de Jout Jout também pensaram (e falaram em voz alta na fila da noite de autógrafos que ela deu aqui em São Paulo): não é nada demais. Sim, não é nada demais assim como qualquer livro de cronistas contemporâneos famosos, como a Martha Medeiros, que fala sobre a vida apenas. Levando em conta de que crônicas devem ser um papinho no bar sobre qualquer assunto,  “Tá Todo mundo Mal” não foge dos padrões esperados.

Jout Jout fofíssima autografando o livro e eu trêmula

Jout Jout fofíssima autografando o livro e eu trêmula

Minha amiga disse que Jout Jout fala sobre coisas que todo mundo pensa e discute, e sua escrita é normal (leve, gostosa de ler, mas nada para ser invejado). Então por que esse auê todo em cima desse livro? Bom, além de ser dela – uma youtuber famosa- Jout Jout faz em seu livro a mesma coisa que faz em seus vídeos: fala sobre essas coisas para quem quiser ouvir. Eis o diferencial. Todo mundo sente e todo mundo pensa as mesmas coisas que ela, mas Jout Jout faz e fala sobre, deixa isso aparecer para o mundo inteiro e, talvez, seja isso o que faz dela a voz de uma geração. Uma geração perdida profissionalmente, cheia de traumas infantis escondidos, frequentadora de terapia, que tem medo de críticas e tenta desesperadamente não se sentir culpada por não conseguir se adaptar a um emprego convencional.

O grande diferencial aqui é que, ao contrário de Martha Medeiros ou Tati Bernardi, Jout Jout fala para uma outra geração, uma geração mais nova que precisa mais do que tudo saber que vai ficar tudo bem e que, sim, tá mesmo todo mundo mal.

Postado por Carina Silva

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24/05/16
Circo Invisível | A visita cruel do tempo

Circo Invisível-A visita cruel do tempo

Hoje tem resenha dupla porque não posso falar de  Circo Invisível sem falar de A visita cruel do tempo e/ou vise versa. Ambos são livros da autora Jennifer Egan (que conheço há pouco tempo mas já considero pacas) e o motivo pelo qual acho perfeito falar dos dois é que o tema central é praticamente o mesmo: o tempo. Não é exatamente o tema central de  Circo Invisível, romance de estreia da autora – publicado em 1995 lá fora – mas sim o tema central da escrita de Egan, que, se não for exagero, é uma verdadeira senhora nostalgia.

Circo Invisível

Capa original do livro lançado em 95

Circo Invisível se passa nos anos 70 e conta a história da adolescente Phoebe, alguém que não sabe quem é, vive com a constante sensação de que não está aproveitando a vida devidamente e que não pertence ao mundo, mas longe de ser de uma forma revoltada. O problema é que a jovem de 18 anos vive na sombra de sua irmã mais velha, Faith, que, ao contrário dela, era corajosa e se jogava em situações sem pensar nas consequências. Depois de crescida, Phoebe passou a viver em busca da sensação mágica que era ter vivido nos anos 60, como sua irmã, e procura desesperadamente o sentimento que, quando criança, conseguiu apenas chegar perto de sentir, mas apenas como espectadora.

O fantasma de Faith pode ser mesmo considerado um, já que a irmã de Phoebe se matou durante uma viagem pela Europa. Agora, exatamente com a mesma idade que a irmã quando morreu, Phoebe sente a necessidade de refazer os passos de Faith pela Europa e não só descobrir o motivo que fez sua irmã se matar, mas também reencontrá-la.

Enquanto a narração sobre a descoberta de Phoebe em relação ao mundo decorre, podemos ler intercaladamente passagens da infância dela com a irmã, o pai e o irmão mais novo. São situações tão bem narradas que tenho certeza que vou levar a cena que deu origem ao nome do livro para sempre comigo, por exemplo.

A jornada de Phoebe não se torna apenas física, mas também introspectiva. No entanto, a narração  está longíssima de ser cansativa. A escrita clara e sem floreios faz do livro um suspense dramático que surpreende por conter um enredo simples, mas recheado de intimismo, reflexões sobre uma geração que se perdeu e viagens internas que todos nós temos, mas que só Egan parece conseguir colocar no papel.

A visita cruel do tempo

Já havia notado o carinho que a autora parece ter pelas décadas passadas, pensamentos nostálgicos e reflexões sobre mudanças. Tudo  leva a crer que não teria como Jennifer fugir fugir de escrever A Visita Cruel do Tempo – livro de 2012.

A história começa com Sasha, uma cleptomaníaca que trabalha como assistente do famoso produtor musical Bennie. Depois de introduzir Sasha,  a autora parte para o capítulo onde a vida de Bennie é apresentada. Ele relembra sua juventude nos anos 70/80, quando era punk e tinha uma banda com seu amigo Scott. É a partir da história dos dois que o livro segue com cada capítulo contando a história de outros personagens – ou do mesmo -. A narração vai e volta no tempo sem aviso prévio indo dos anos 70 até um futuro não muito distante do de hoje. Cada capítulo é uma surpresa.

A leitura pede uma atenção extra para os personagens de cada capítulo, até os que parecem secunA visita cruel do tempodários, porque cada um deles pode ser citado lá na frente. Embora nem todos se conheçam, eles formam uma teia e cada um tem relação com o outro, seja no passado, presente ou futuro.

A visita cruel do tempo incomoda e faz isso porque esfrega na sua cara, sem piedade, as verdades sobre os efeitos do tempo na nossa vida. E para nós, que estamos acostumados a não saber o futuro de um personagem 30 anos depois do fim de uma história, é difícil lermos na lata o que virou a vida dele (e, nem sempre, é algo extraordinário). Jennifer Egan brinca de mostrar de uma vez como realmente o tempo pode ser uma visita cruel, mas às vezes nem tão ruim.

Tanto esse quanto Circo Invisível levam certa nostalgia sentida pelos próprios personagens direto para o leitor, e a autora consegue fazer isso sem fazer nenhum esforço. É possível terminar a leitura só com aquela sensação prazerosa de saudade de algo que você, na verdade, nem chegou perto de viver.

“É essa a realidade, não é? Vinte anos depois, a sua beleza já foi para o lixo, especialmente quando arrancam fora metade de suas entranhas. O tempo é cruel, não é? Não é assim que se diz?” – Trecho de “A visita cruel do tempo”.

Postado por Carina Silva

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25/04/16
O Manual da Garota Cacheada

O Método Curly GirlNo fim do ano passado eu resolvi me dar de presente o livro “O manual da garota cacheada – O Método Curly Girl”. Logo que fiz meu corte na Clínica de Cachos, onde usam o método Deva Cut, eu me interessei mais pelo tema e assim que achei o livro em português e por um preço bacana, não pensei duas vezes.

O livro foi escrito pela Lorraine Massey, proprietária da marca DevaCurl e quem desenvolveu a técnica Low-Poo e No-Poo. Falei tanto da marca quanto da técnica quando contei do meu corte aqui. Em resumo, a técnica é uma forma de usar menos química e também agredir menos os cabelos cacheados que tendem a ser mais frágeis e ressecados.

Demorei a começar a ler e confesso que estava receosa, achando que o livro seria apenas um amontoado de dicas e propaganda sobre os produtos da marca. Mas, ainda bem que quebrei a cara. O livro é didático e leve, no comecinho a Lorraine conta sobre a sua história e as dificuldades de ser a única cacheada numa família de pessoas lisas, e também de como isso foi definidor para que ela seguisse carreira como cabeleireira.

Além de dicas e receitas, são apresentadas, ao longo do livro, diversas histórias de mulheres cacheadas e suas relações com os cabelos. Sempre deixando que a aceitação é extremamente importante para ter cabelos naturais saudáveis e bonitos.

Ainda pretendo falar mais sobre o livro, principalmente conforme eu for testando as dicas e receitas. Mas, já queria dizer que a Lorraine traz uma classificação super legal dos tipos de cachos. É diferente do que vemos pela internet. Para as meninas que querem identificar qual é o seu tipo de cachos, acompanhem aí.

Ela considera que existem seis tipos de cachos e classifica através do fator encolhimento, ou seja, “a diferença entre o comprimento de um cacho em seu caimento natural e quando é completamente esticado”. E para saber isso basta pegar uma régua e medir uma mecha do seu cabelo seco natural e a mesma mecha de cabelo totalmente esticada. A diferença que der é o seu fator encolhimento.

– 23 a 20 centímetros: fractal ou zigzag

– 23 a 30 centímetros: corscrew (saca-rolhas)

– 15 a 25 centímetros: corkicelli e cherub (querubim)

– 13 a 20 centímetros: botticelli

– 5 a 10 centímetros: ondulado

– 2,5 a 5 centímetros: ondulado em S

O manual da garota cacheada

O fator encolhimento do meu cabelo, por exemplo, deu 15 centímetros. Então, tenho cachos querubim.  Padrões variados de cachos ao longo do cabelo. Ela descreve esse tipo de cacho como sendo mais seco e com alto fator de frizz (sad but true). É um cabelo que se mantém cacheado em todas as estações e que também pode parecer mais curto ou mais comprido de acordo com o clima e a umidade.

E você? Qual é seu tipo de cacho? Conta pra mim!

 

Postado por Ana Paula Nunes

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01/03/16
[Resenha] One Man Guy

one-man-guy

Só sei que gosto de estar aqui com você e não consigo me imaginar querendo mais ninguém. Isso basta para você?

Título Original: One man Guy

Autor : Michael Barakiva
Editora Leya

Sem dúvida o que mais chama atenção em One Man Guy é a premissa de ser um livro infanto juvenil cuja história é um romance entre dois garotos.  O primeiro romance de Michael Barakiva é uma grande evolução. Ver um romance gay voltando para pré-adolescentes com um design tão fofo e atrativo para o público jovem é maravilhoso.

One Man Guy é narrado do ponto de vista de Alek, um garoto de 14 anos tímido, criado por uma família tradicionalmente armênia cujos os exigentes pais frequentam a igreja de armênios, comem comida armênia e se relacionam apenas com armênios.  A vida já monótona do garoto piora ainda mais quando ele é proibido de viajar com sua família nas férias de verão, porque não conseguiu tirar notas suficientes para ir para uma turma especial no próximo semestre. Alek, então, é obrigado a fazer um curso de verão na escola para recuperar suas notas.

Enquanto sua melhor amiga , Becky, trabalha em uma sorveteria para juntar dinheiro e comprar os patins de seus sonhos, Alek conhece Ethan no curso de verão, um rapaz que é exatamente o contrário dele: despojado e seguro de si.

Foi justamente no primeiro encontro entre Alek e Ethan que comecei a me incomodar um pouco com o livro. Ethan defende Alek de alguns valentões da escola e, logo de cara, já é descrito como Alek – que até então já havia ficado com garotas e gostado –  achou ele atraente. É compreensível que um garoto travado como Alek se encante com alguém confiante como Ethan, porém, para um jovem de 14 anos que nunca nem pensou que poderia ser gay, passar  a ter saudades de outro garoto de uma forma tão desesperada, sem questionamentos, pareceu um pouco raso.

Além da beleza, o que fez Alex se encantar por Ethan foi a liberdade do garoto. Sem cerimônias, Ethan convida Alek para cabular aula e passear por Nova York fazendo coisas ilegais, como não pagar a passagem de trem e metrô, burlar a compra de ingressos no museu… Além de tudo isso, Ethan anda de Skate e é gay assumido.

A maneira com que Alek soube que o, até então amigo, era homossexual foi muito bem pensada. O protagonista fica bravo com um termo pejorativo que Ethan usou para tratar os gays, até que Ethan responde explicando  que pode chamar os gays de “bichas” porque ele era um. Ou seja, mesmo sendo criado por uma família armênia “quadrada” e tradicional, o protagonista se incomoda com qualquer tipo de comentário homofóbico, e até chega a criticar o novo amigo por usá-lo.

Depois de descobrir que Ethan é gay, Alek começa a se pegar pensando demais no garoto. Em uma das conversas com a engraçadinha amiga Becky sugere que talvez Alek esteja gostando de Ethan. A amiga não o julga, muito pelo contrário, a conversa é muito natural.

Enquanto a amizade entre os  dois  garotos vai crescendo, acontece outra coisa que me incomodou: o primeiro beijo dos dois.

Após Alek descrever para  Becky como “sorvete” o beijo que dera em Ethan, o garoto tira da mochila um pôster de um jogador bonito de tênis armênio e prega na parede do seu quarto. Bom, me pareceu simples demais um garoto de 14 anos que nunca ficou com alguém do mesmo sexo, nem sequer pensando que poderia ser homossexual, beijar um rapaz pela primeira vez e no mesmo dia já começa a colar posters de homens na parede. Seria bom se a aceitação fosse tão simples assim.

Devo enfatizar que não é forçado o fato como Alek passa a gostar de Ethan, mas sim a naturalidade irreal na forma com que o garoto descobre seus sentimentos e sexualidade. Creio que a intenção do autor tenha sido tratar o romance jovem gay de forma natural, para os adolescentes se identificarem, sem drama ou tristezas. Afinal, muitos livros de romance juvenis – heterossexuais – não têm nada de muito aprofundado, são apenas romances.

Talvez Michael Barakiva não quis, de fato, desdobrar a descoberta sexual de Alek, mas apenas dizer que é possível tratar com leveza o tema homossexualidade com os jovens.

Me pareceu muito um livro passado por professores para os alunos lerem na sexta série e criar debates saudáveis. A intenção de fazer uma abordagem tênue foi admirável, porém, pelo fato de ser um dos poucos livros atuais Young Adults que fala sobre dois garotos homossexuais tão jovens, o autor Barakiva poderia ter se aprofundado um pouquinho mais na descoberta sexual do protagonista.

Estrelas: ★★

Postado por Carina Silva

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24/02/16
A Ditadura da Beleza: vale a pena refletir

Alguém já falou pra você que você precisava mudar? A sua aparência, o jeito que você se veste ou o seu peso? Às vezes não é tão direto assim, às vezes as exigências vêm através de insinuações, brincadeiras ou mesmo ironias.

Comigo foi cedo. Eu lembro que a primeira vez que me disseram como eu deveria ser foi aos nove anos. Na época, minha mãe me levou em uma “agência de modelo” (nos anos 90 isso era febre e uma ótima forma de tirar dinheiro das pessoas também, diga-se de passagem). A mulher que me atendeu fez algumas fotos, elogiou meus olhos e disse que eu precisava emagrecer. Eu não era uma criança magra, eu tinha uma barriguinha feliz, que lógico, não me incomodava. Eu era criança! E eu, claro, resolvi emagrecer depois disso. Pensem, com apenas nove anos eu resolvi cortar o pão da minha rotina. Acho que emagreci, não lembro direito. Mas, também não fez diferença nenhuma para o meu futuro nada promissor de celebridade.

Essa foi uma das minhas experiências e aposto que vocês devem ter várias pra contar também, né?! E isso tem tudo a ver com um livro que li há pouco tempo e queria compartilhar com vocês. O livro é do Augusto Cury (não, gente, não torce o nariz achando que é autoajuda) e chama “A Ditadura da Beleza e a revolução das mulheres”. Pra quem não conhece, o Cury é psiquiatra e pesquisador, e nesse livro específico ele escreve em forma de romance.

Através de personagens envolvidas com o universo da moda e da mídia, ele discute sobre a insanidade que são os padrões inatingíveis de beleza e a opressão que eles provocam diariamente em mulheres como eu, como você e também em crianças. A linguagem usada é super fácil e até óbvia demais. Talvez, não mereça um Nobel, mas com certeza nos faz refletir e muito!

a-ditadura-da-belezaSinopse: Com mais de 2 milhões de livros vendidos no Brasil, Augusto Cury retrata neste romance o cotidiano de mulheres que sofrem caladas as consequências de uma cruel realidade do mundo moderno: a ditadura da beleza. Apoiando-se em sua vasta experiência como psiquiatra e pesquisador, Cury dá um grito de alerta contra essa forma de opressão que vem deixando mulheres, adolescentes e até crianças tristes, frustradas e doentes. Influenciadas pela mídia e preocupadas em corresponder aos inatingíveis padrões de beleza que são apresentados, milhares de mulheres mutilam sua auto-estima – e, muitas vezes, seus corpos – em busca da aceitação social e do desejo de se tornarem iguais às modelos que brilham nas passarelas, na TV e nas capas de revistas. Ao tratar de um tema tão atual, este livro faz com que o leitor se identifique imediatamente com os personagens e sua luta por uma vida mais plena, em que cada pessoa se sinta livre para ser o que é, sem se envergonhar de sua aparência e sem se comparar a ninguém.

Postado por Ana Paula Nunes

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17/12/15
Star Wars o despertar da Força – nostalgia, girl power e surpresas

star-wars-o-despertar-da-forçaO novo Star Wars o despertar da Força é um tapa na cara dos defensores dos bons, e mais do que velhos, costumes.

Com dois protagonistas representantes das minorias de negros e mulheres, o filme que apresentou um clássico do cinema para a nova geração está carregado de girl power e zero  preconceito racial. Mesmo os produtores dizendo que essa não foi a intenção.

Porém, a questão que ficou na minha cabeça após sair da sala de cinema com a cara inchada de choro,  e acredito que na cabeça de outros fãs, é se o filme realmente se faz necessário como uma continuação desse clássico lindo.

Em “O despertar da força” a participação dos personagens da trilogia clássica foi, não só algo para agradar e  provocar nostalgia nos fãs de longa data, mas também uma bengala para os roteirista J.J. Abrams, Michael Arndt e Lawrence Kasdan, já  que o roteiro se mostrou previsível e uma reciclagem da trilogia antiga. Tudo isso faz refletir se essa realmente foi a intenção (fazer um filme de homenagem, como Jurassic World, por exemplo) ou se foi apenas a falta de capacidade de criar uma história sequência sem se apegar tanto ao roteiro dos filmes clássicos.

Além da jornada do herói seguida a risca novamente,  temos algumas extensões de personagens já criados, como o piloto Poe, cujo papel é ser charmoso e ter a desenvoltura marota de um Han Solo. Um R2D2 mais comunicativo e com mais personalidade está lá também  como BB8, mestre Yoda como a criaturinha pequena Maz, a figura paterna exercida por Obi Wan já fica nas mãos do, agora também velhinho, Han solo e finalmente Luke e Anakin (os rapazes do deserto, pobres e sem perspectiva de vida), como a poderosíssima Ray.

E chegamos a ela! Ray, a garota que salva o filme por ser independente, forte e não precisar, em nenhuma hora sequer, da ajuda de um homem. Ray é quem resgata seus amigos, Ray é quem luta e sabe pilotar. É bonitinha? É, mas não é só isso.

Por fim, o trio de amigos e protagonistas se completa com Finn, um personagem carismático que acredito que tenha faltado força, mas não carisma. As piadas hollywoodianas ficaram nas mãos do próprio e algumas funcionaram e outras não porque, meu deus, quantas piadas!

star wars

Como não poderia deixar de ser, lágrimas rolaram. O motivo pode variar, mas sem dúvida a saudade foi uma delas. Infelizmente para dar espaço ao novo, o velho tem que acabar e “O despertar da força” se despede do passado com gratidão, mas deixando um aperto no coração.

E agora, se não quiser saber absolutamente nada relacionado a história, pare de ler. NÃO contém spoilers.

É compreensível que não vamos mais ver o Star Wars de George Lucas, e que mesmo a velocidade e energia do filme tendo mudado para agradar além dos mais velhos os mais novos, J.J. Abrams se empolgou em algumas modificações. O novo assusta, mas em algumas coisas é melhor não mexer.

E vamos ao vilão, Kylo Ren,  fraco como personagem e apenas uma catarse para história – espero – Ren é mimado inseguro e vê em Darth Vader seu próprio Yoda. É um vilão que te faz odiá-lo pelos motivos errados (não como amamos odiar Darth Vader). Mas isso pode ser bom, afinal é uma diferença dos filmes antigos. Assim como a história tem que se aprofundar mais, Kylo Ren também, do contrário, pode passar batido.

Star-Wars-VII-The-Force-Awakens

Han Solo, Luke e Leia foram os principais responsáveis por provocar choros dos marmanjos na sala de cinema, mas seus destinos no filme chegam a estragar a imaginação dos fãs sobre o que aconteceu após o Episódio VI.

George Lucas passou o bastão da sua criação para a Disney, morremos de medo e o resultado foi um filme que, para funcionar, precisa da mente aberta de todo mundo para compreendermos que a franquia nunca mais terá o mesmo ar que teve.

O filme abre as portas e recebe de braços abertos os padawans e presenteia os mestres unindo o velho com o novo. O desafio será inovar e criar uma história e aventura tão cativantes e com mensagens profundas e significativas, como as anteriores, nos próximos filmes.

Postado por Carina Silva

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