opinião


04/05/15
em: textos
Não quero gordo vestindo minha marca

O título do post tá sensacionalista, eu sei. Mas não deixa de ser essa a afirmação que as marcas em geral (exceto marcas plus size) fazem ao limitar o seu maior tamanho ao 40, 42, no máximo 44.

E não é só uma mensagem velada que a gente entende ao ver modelagens cada vez menores, o CEO da Abercombrie (marca norte americana), afirmou categoricamente:

“Ele não quer pessoas grandes comprando na sua loja, ele quer pessoas magras e bonitas”, disse o autor sobre o CEO da label, Mike Jeffries. “Ele não quer que seus principais consumidores vejam pessoas que não são tão atraentes quanto eles usando suas roupas. Para ele, as pessoas que vestem suas peças devem se sentir parte das cool kids.”

E eu não preciso dizer, mas direi, o quão nojenta, preconceituosa e criminosa é não só a frase da figura aí acima, mas essa escolha da maioria esmagadora das marcas. Marcas tem nicho de mercado, sim! Mas não vamos confundir público alvo com preconceito, com imposição de padrões.

seu-corpo-não-está-errado-só-porque-uma-roupa-não-te-serve

Não precisamos ir longe para ver isso, desde a lojinha da esquina da sua casa, até a grande fast fashion e principalmente nas grifes, a moda é excluir mais da metade da população mundial, que veste acima do manequim 44.

E muitas vezes além da desculpa do público alvo, há ainda a de que produzir tamanhos maiores fica caro, que não há procura. E isso tudo pode ser rebatido com a realidade de lojas para mães que se limitam ao 42 e focam na cliente que veste 38. Quantas mães vocês conhecem que vestem 38? São poucas, não é?

E quanto a dificuldade de produzir tamanhos maiores, qual a explicação para lojas de camisetas de malha (essas que estão na moda e são vendidas online), terem o maior tamanho feminino vestindo muito mal alguém do manequim 42? A coisa mais fácil seria produzir esse tipo de roupa em tamanhos maiores, mas aí você correria o risco de ver uma moça gorda, uma senhora, ou uma mãe de 2 filhos vestindo a mesma camiseta que você, e isso definitivamente não é legal, como eu vou ser cool se pessoas comuns vestem a mesma camiseta que eu? Essa é realmente uma preocupação pertinente. #ironia

gordo-vestindo-minha-marca

*Na imagem acima, tabela de medidas de uma marca descoladinha: a camiseta básica tem seu GG vestindo de forma confortável no máximo quem veste 44. E seria criminoso vender cropped acima do manequim 38, já pensou? Uma gorda barriga de fora por aí?

Ah! Lembrando que é só ir nas lojas online ou nas de rua mesmo e constatar que os tamanhos maiores são os primeiros a acabar.

Então agora, com todos esses “argumentos”devidamente rebatidos: por que você dono ou responsável por uma marca não quer vender mais, lucrar mais, vendendo também para quem veste acima do 44?

Será que as pessoas “estilosas, descoladas e lindas” perderiam todas essas características só porque uma pessoa comum que veste 44, 46 ou 50, está com uma camiseta igual?

Desculpa sociedade, mas eu visto 46 e tenho um estilo único, só meu, e sem modéstia nenhuma, me visto muito bem, arraso, lacro e sou foda! ahahaah É só conferir os looks aqui do blog pra comprovar. E não preciso de roupas caras ou exclusivas, não preciso que limitem a modelagem das peças que eu visto, para me sentir bem vestida, pois no momento que eu combino roupas e acessórios, no momento em que eu visto, aquela peça já não é igual a que outra pessoa comprou, pois eu sou única. 😉

E aí pessoal da moda, das marcas, das grifes. Vocês não querem mesmo gordo vestindo a sua marca? E vocês meu povo que lê o Garotas, o que acham disso?

Ah, e eu não quero ser como os descolados (cool kids), só porque eles parecem se encaixar. Não quero me enquadrar, quero ser ouvida. <3

Postado por Helena Sá

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06/04/16
[TAG] Quando eu era TROUXA

tag quando eu era trouxa

O primeiro vídeo dessa nova fase do canal do Garotas no Youtube está no ar! \o/

E para começar de leve, criei uma TAG que eu achei muito legal responder e tenho certeza que pode dar em muito vídeo engraçado e legal tanto pra rir, quanto pra aprender com a trouxice alheia.

A TAG se chama Quando eu era TROUXA, mas isso não significa que eu nem vocês não sejamos ainda uns completos trouxas nessa vida. É só que a gente aprendeu um pouquinho com os papéis de trouxa que a gente fez, ou não! 😀

O vídeo tá aí com 6 papéis de trouxa que eu já fiz com maestria! Apertem o  PLAY.

Espero que as minha mancadas sirvam pra inspirar vocês a não fazer o mesmo, e se tão fazendo, que parem já!

Outra dica pra não ser trouxa é SE INSCREVER NO CANAL do blog, porque vai ter vídeo novo toda quarta-feira!

E aí gente, vocês tem coragem de me contar que moles já deram nessa vida quando eram trouxas?

Postado por Helena Sá

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03/02/16
Meninas, se relacionem com pessoas da sua idade

A gente sabe a sociedade em que vivemos, em que meninas são sexualizadas muito cedo, em que mulheres são infantilizadas, em que uma mulher envelhecer é quase um crime. Sabemos também que crimes relacionados a pedofilia, homens fetichizando meninas, dentre outras práticas são normalizadas e muito aceitas na nossa sociedade.

Garotas de 10 a 17 anos se casam com homens aqui mesmo no Brasil, não precisamos ir a um país da África ou do oriente, isso acontece bem debaixo dos nossos olhos todos os dias. Outro dia mesmo uma menina participante do Master Chef Júnior, foi alvo de comentários sexuais nas redes sociais. Ontem no BBB um pedófilo confesso estava sendo validado pelo apresentador do programa e a mulher que o acusou sendo tachada de louca.

angelina jolie com 14 anos

Outro dia no meu FB um cara de uns 35 anos postou essa foto com a legenda: Angelina Jolie com 14 anos. Meu amigo, a Angelina de 40 anos não sabe da sua existência e ainda sim você acha que o ideal pra você é a versão de 14 anos dela? Qual o seu problema?

Tudo isso que eu falei e muito mais a gente já sabe, já leu, já viu acontecer ou já passou por isso. O que raramente vejo acontecer é o que eu vou dizer agora:

MENINAS, SE RELACIONEM COM PESSOAS DA SUA IDADE! Eu inconscientemente segui uma regra durante a adolescência e início da vida adulta, é a regra dos 4 anos (2 pra cima e 2 pra baixo). Que consiste em só me relacionar com pessoas até 2 anos mais velhas ou mais novas do que eu. Foi uma escolha pessoal, não foi proposital, mas eu repelia qualquer tipo de assédio de homens mais velhos. E posso dizer agora, que foi a melhor coisa que fiz pra minha versão mais jovem e que me trouxe sem traumas até a vida adulta.

E tem vários motivos para que essa seja a melhor decisão que você toma:

  • Por mais madura e inteligente que você seja, você só existe nesse planeta por sei lá 14 anos, chutando uma idade que você começou a namorar. Um cara que tem 30 ou mais, já vivenciou experiências como ter filhos, casamento, e outras tretas que você nem sonha. Essa pessoa, por mais que você seja esperta, vai te dar um baile de manipulação, ele sabe muito bem o que dizer e fazer pra te envolver e te levar para o caminho que ele queira;
  • Quando você namora alguém da sua idade, normalmente vocês descobrem várias coisas juntos, o que é novo para um é também para o outro, e isso é lindo e único! E salvem essa, nunca mais você vai poder viver isso na sua vida;
  • Você já parou pra pensar em porque esse cara mais velho está interessado em você? Foi amor a primeira vista mesmo ou ele só sai com “novinha”? Há chances absurdas dessa pessoa já ter um padrão de ir atrás de moças novas justamente porque por mais madura que você seja, ele já viveu e sabe muito mais da vida que você. Ele não se interessa por mulheres mais velhas porque essas já sacam muito bem a dele, (pedófilos são também misóginos e muitas vezes também racistas, homofóbicos, essas coisas andam juntas);
  • Mais uma vez, se você não namora um menino ou menina de 14 anos quando você tem 14 anos, QUANDO É QUE VOCÊ ACHA QUE VAI PODER FAZER ISSO DE NOVO? Pois é miga, nunca! Até porque homem mais velho com menina é aceito e acontece a torto e direito, mas mulher mais velha na nossa sociedade não namora nem homens da mesma idade, nosso valor ainda está diretamente ligado a juventude e padrão de beleza;

 

Meninas, se relacionem com pessoas da sua idade

E essa afirmação de que meninas gostam de homens mais velhos não se aplicou a mim, até porque na verdade é uma afirmação que vejo homens fazerem, não conheço meninas que demonstrem esse tipo de preferência. Na verdade o que mais acontece é que os alvos desse tipo de predador são meninas e moças que tem situação financeira ruim, passam por problemas familiares, pais ausentes.

Daí esse homem já formado, aparentemente sábio, com melhor condição financeira vem e se mostra interessado por uma menina que quer se sentir especial, ele acaba virando o príncipe salvador, protetor e provedor que ela tanto precisava. Mas a vida não é conto de fadas, aliás, nem o conto de fadas é conto de fadas. E esse tipo de relacionamento só tem um motivo, CONTROLE.

Pode parecer que eu to passando aqui aquela mensagem errada que sempre culpa a vítima, tipo, não quer ser estuprada, não saia, não beba, não use roupa curta; não quer engravidar tome pílula ou faça abstinência! E NÃO É ESSA A MENSAGEM QUE EU QUERO PASSAR! Só acredito que mesmo sendo recriminável, mesmo sendo nojento e danoso para as meninas, a sociedade aceita e ainda diz que esse tipo de relacionamento é escolha da menina de 14, 15, 16 anos, que elas não são inocentes, dentre outras falácias. Então vamos abrir um diálogo com as meninas, vamos falar com elas o que a gente queria que tivessem falado com a gente nessa idade:

HOMENS MAIS VELHOS NÃO QUEREM TE NAMORAR PORQUE TE AMAM, ELES SÓ QUEREM ALGUÉM FÁCIL DE MANIPULAR!

My Mad Fat Diary

Elenco da série My Mad Fat Diary

VIVA INTENSAMENTE ESSA FASE DA SUA VIDA, COM PESSOAS QUE TAMBÉM ESTÃO PASSANDO PELAS MESMAS EXPERIÊNCIAS E VIVÊNCIAS. ESSE MOMENTO PASSA MUITO RÁPIDO E VOCÊ NUNCA MAIS VAI PASSAR POR ELE, NÃO DESPERDICE COM QUEM SÓ QUER SUGAR A SUA JUVENTUDE, TE CONTROLAR E SE SENTIR PODEROSO POR EXIBIR UMA “NOVINHA”.

Se você tem entre 10 e 17 anos e veio parar nesse post, ouça os conselhos da tia aqui! E as minas que acompanham o Garotas, repassem para suas irmãs, primas, amigas, filhas, colegas… 😉

Postado por Helena Sá

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19/10/15
Por uma geração de blogueiros Unicórnios

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Por uma geração de blogueiros comprometidos com seus leitores, com a ética, que não criem personagens de um lifestyle irreal, que não sejam reféns de marcas, que tenham comprometimento maior com sua credibilidade do que com anunciantes.

Por mais blogs que priorizem o conteúdo, a opinião, a originalidade. Que não tenham medo de pisar em alguns calos para passar sua verdade ao leitor, a quem o assiste em vídeo, segue nas redes sociais e acredita no seu trabalho.

Será que eu estou pedindo demais? Será que é tão difícil assim sair de cima do muro? Será que é realmente um suicídio comercial dizer o que realmente pensa, ter opinião e não ser apenas um jabazeiro, uma vitrine de marcas, um classificados chique?

Posso estar completamente enganada, todo mundo erra e sempre foi da minha natureza meter o pé na porta, nunca fui uma pessoa de networking, não sou simpática, tenho poucos amigos próximos e nunca causo uma boa primeira impressão, acredito que primeiras ótimas impressões são apenas teatro, pois a maioria das pessoas se esforçam demais para se vender, para serem amadas. Eu não, e nem é por um motivo nobre como autenticidade e honestidade, é porque eu tenho preguiça mesmo, muita preguiça.

Mas como eu dizia, posso estar errada, mas acho que a grande tendência em relação a blogs, quem vai realmente conseguir manter um blog ou canal no youtube, vai ser quem for autêntico, quem voltar as origens dos primeiros blogs de opinião pessoal sincera. As pessoas estão até o pescoço de tanta propaganda camuflada, instabloggers que não sabem nem o que é wordpress, compram seus seguidores e colocam na bio o famoso ~contato para parcerias~.

Mas quando eu falo de opinião não é tirar besteira de trás da orelha, expelir estereótipos, propagar preconceito. É em qualquer que seja o seu conteúdo, que seja um blog de resenha de esmaltes, você possa ali no seu espaço dizer que não gostou da qualidade de um produto, do posicionamento de uma marca, de seu tratamento ao consumidor. Pois foi por isso que os blogs se tornaram referência em um primeiro momento, as pessoas queriam ouvir e ler dos seus iguais a opinião sobre um serviço, produto, filme, game, livro…

Pois se você quer ler algo parcial, que dependa e não queria se indispor com anunciantes, vá ler jornal e revista, ver TV… porque se você fizer o mesmo que eles, ninguém quer ler, ou pelo menos não deveria querer ler um formato amador que é mera cópia de mídias tradicionais.

Algumas pessoas podem perguntar – Como conseguir clientes, anunciantes, parcerias para o seu blog se não vai falar bem da marca, do serviço… – aí é que está, escolha com quem você quer trabalhar, pesquise antes se aquilo tem a ver com seu blog, seu nicho, com o que você acredita. E mesmo assim pode ser que você não teça somente elogios, você pode criticar a postura de um anunciante, se declarar contra.

unicórnio

Por exemplo, já fui blogueira seleciona pela Risqué, mesmo assim quando eles lançaram aquela coleção com tema equivocado no dia da mulher, me posicionei sobre o caso na página do blog. Cabe aí as agências, as marcas e quem mais lide com influenciadores perceber a oportunidade, o unicórnio entre os formadores de opinião que ele estará contratando ao se vincular com esse tipo de blogueiro, youtuber, ou que for, que tenha esse tipo de postura profissional e de vida.

Com isso tudo aí estou meio que vendendo meu peixe, já que é esse o tipo de postura e de linha editorial do meu blog? Com toda certeza, mas é realmente o que eu acredito não somente para o Garotas, é o que eu consumo na internet e fora dela, e cada vez mais as pessoas estão tendo esse olhar crítico. Estão procurando os o blogs e outros formatos que ainda não vendem opinião, mas apenas os anúncios na sidebar, que quando fazem um publipost, sinaliza e fala de produtos com critério, coisas que realmente comprariam ou recomendariam a um amigo.

E como ser assim? Adote na vida também, pessoal, profissional… olha, o caminho é mais longo, cheio de 7×1, mas meu, é tão foda ouvir e ler de uma leitora o quanto confia no que você está dizendo, seja ela uma adolescente ou uma senhora de 50, tenha o cabelo colorido como o meu ou não.

Você pode desagradar muita gente, a maioria não vai te entender, talvez você não encontre o seu oceano azul assim, mas também não vai nadar até uma praia lotada, e com toda certeza vai conquistar seu laguinho de águas cristalinas.

Olha eu cheia das metáforas! Gracinhas a parte, não foi fácil conquistar o meu espaço, ainda não é, talvez eu estivesse aparentemente mais bem sucedida tendo uma postura mais neutra com meu blog e na vida em geral. Mas a cada conquista minha dentro dos meus termos, seguindo as minhas regras, descendo goela abaixo ao invés de ter um tapete vermelho pra mim sempre, aaahhh,  essas conquistas são as mais fodas, as que mais emocionam, pelas quais vale a pena viver.

Postado por Helena Sá

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06/07/15
Minha relação com a comida

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“Nossa, você tem uma relação ótima com a comida, heim?!” Sim gente, ouço muito isso, como se eu e a comida (que já é um ser com vida acredito eu), tivéssemos uma relacionamento sério.

E sabe por que isso acontece? Esse espanto todo comigo? Pois sim, a minha relação com a comida é um pouco diferente do que eu sempre vejo outras mulheres terem, sejam elas gordas ou magras.

A gente vê muita foto de comida nas redes sociais, Instagram e Facebook estão repletos de fotos de gostosuras, e muitas vezes são mulheres que as postam. O problema acontece na legenda e nos comentários da foto, que invariavelmente vem com frases assim: “Hoje pode, segunda eu fecho a boca.”, “De vez em quando não faz mal.”, “JACANDO”, “É só hoje viu gente.”. E nos comentários os amigos e familiares da moça dizem: “Adeus dieta, heim?”, “Vai engordar menina.”, “Você disse a mesma coisa a semana passada.”, “Só come heim!”.

Realmente, esse tipo de reação curiosa não acontece nas minhas fotos de comida, as legendas das minhas fotos não são carregadas de culpa e desculpas por estar comendo, e ai daquele que vier comentar na minha foto falando de dieta ou me acusando de alguma coisa! ahaahha


E isso espanta muita gente, causa até admiração, pois sim, são necessárias muita coragem e auto estima, além de uma pitada de FODA-SE pra opinião dos outros, para poder chegar ao meu nível de desprendimento. E isso se torna mais complicado ainda se como eu você for gorda, aí meus amigos, todo mundo vai sempre reparar em tudo que você come, o tempo todo. E olha, raríssimas as vezes que vejo alguma amiga, colega ou parente gorda postando foto de comida, pois né, já chega ser estudada, avaliada e julgada enquanto come fora da internet.

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Mas não pensem que foi sempre assim comigo, já justifiquei muito o que estava comendo, já deixei para comer em casa ao invés de uma lanchonete com amigos, já disse muito que não tinha comido nada o dia todo para justificar um segundo pedaço de pizza… e nada disso mudou a reação e os julgamentos ao meu redor.

Desde criança familiares queriam regular o que eu como, riam se eu tomasse um sorvete, mesmo se todas as crianças também estivessem tomando. Já tive um namorado, e isso é bem recente, uns 2 anos atrás, que tinha vergonha quando eu comia em público com ele, sempre nervoso, olhando para os lados com medo de algum conhecido aparecer e ver a namorada gorda se entupindo. Pois sim, sempre que você comer, não interessa o que for, seja uma salada ou pipoca, você vai estar se entupindo, você pode estar numa mesa cheia de amigos comendo, que você mulher gorda vai ser a única se empanturrando de comida, mesmo que você coma menos que todo mundo. Ou seja, é um beco sem saída.


Depois de tudo que eu disse, é complicado fazer como eu e postar um pratão de macarrão no Instagram? No começo sim, mas ó, é libertador jogar na cara dos outros toda a comida que eu como e ter que fazer as pessoas engolirem todos os julgamentos, deboches e xingamentos, todo o preconceito. Ainda vai ter quem queria te reprimir? Sim! Outro dia minha mãe disse pra eu não postar o prato tão cheio de comida como eu faço, ela uma pessoa reprimida desde sempre, se importa que os outros pensem que eu comi aquilo tudo, MAS EU REALMENTE COMI! ahahahaha

Na cabeça das pessoas pode ter milhares dessas ideias, mas não há uma que ouse colocar pra fora nas minhas fotos de comida. Enquanto eu me delicio com meu salmão ao molho pesto, eles engolem sem sal todas as opiniões e falsa preocupação com saúde que tem sobre mim, minha comida e meu corpo.

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Mas não pensem que eu posto fotos de comida só para afrontar a sociedade gordofóbica e machista, que tenta controlar o corpo feminino. Não é tanto engajamento assim da minha parte, eu posto as fotos pois adoro cozinhar e mostrar minhas criações, adoro fazer fotos bonitas das receitas que faço e como blogueira o que faço melhor é produzir conteúdo, mesmo que seja um prato de panquecas! 😀


Esse textão todo é pra dizer a vocês, gordas ou magras, que comam o que quiserem, e postem foto da comida se der na telha também, comam na rua e CA-GUEM pra opinião dos outros. Tá comendo doce durante a semana, não precisa justificar, ninguém paga sua comida, e mesmo que pague, não é seu dono. Cada uma de nós sabe de si, o prato e o corpo da mulher não são públicos pra todo mundo achar que pode dar opinião sobre eles. 😉

Agora eu quero saber de vocês, como é sua relação com a comida, com a opinião dos outros e mais importante, a opinião de você mesma! ♥

Quero relatos, quero opiniões, só não quero julgamentos e preconceito, ok?!

Postado por Helena Sá

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04/05/15
em: textos
Não quero gordo vestindo minha marca

O título do post tá sensacionalista, eu sei. Mas não deixa de ser essa a afirmação que as marcas em geral (exceto marcas plus size) fazem ao limitar o seu maior tamanho ao 40, 42, no máximo 44.

E não é só uma mensagem velada que a gente entende ao ver modelagens cada vez menores, o CEO da Abercombrie (marca norte americana), afirmou categoricamente:

“Ele não quer pessoas grandes comprando na sua loja, ele quer pessoas magras e bonitas”, disse o autor sobre o CEO da label, Mike Jeffries. “Ele não quer que seus principais consumidores vejam pessoas que não são tão atraentes quanto eles usando suas roupas. Para ele, as pessoas que vestem suas peças devem se sentir parte das cool kids.”

E eu não preciso dizer, mas direi, o quão nojenta, preconceituosa e criminosa é não só a frase da figura aí acima, mas essa escolha da maioria esmagadora das marcas. Marcas tem nicho de mercado, sim! Mas não vamos confundir público alvo com preconceito, com imposição de padrões.

seu-corpo-não-está-errado-só-porque-uma-roupa-não-te-serve

Não precisamos ir longe para ver isso, desde a lojinha da esquina da sua casa, até a grande fast fashion e principalmente nas grifes, a moda é excluir mais da metade da população mundial, que veste acima do manequim 44.

E muitas vezes além da desculpa do público alvo, há ainda a de que produzir tamanhos maiores fica caro, que não há procura. E isso tudo pode ser rebatido com a realidade de lojas para mães que se limitam ao 42 e focam na cliente que veste 38. Quantas mães vocês conhecem que vestem 38? São poucas, não é?

E quanto a dificuldade de produzir tamanhos maiores, qual a explicação para lojas de camisetas de malha (essas que estão na moda e são vendidas online), terem o maior tamanho feminino vestindo muito mal alguém do manequim 42? A coisa mais fácil seria produzir esse tipo de roupa em tamanhos maiores, mas aí você correria o risco de ver uma moça gorda, uma senhora, ou uma mãe de 2 filhos vestindo a mesma camiseta que você, e isso definitivamente não é legal, como eu vou ser cool se pessoas comuns vestem a mesma camiseta que eu? Essa é realmente uma preocupação pertinente. #ironia

gordo-vestindo-minha-marca

*Na imagem acima, tabela de medidas de uma marca descoladinha: a camiseta básica tem seu GG vestindo de forma confortável no máximo quem veste 44. E seria criminoso vender cropped acima do manequim 38, já pensou? Uma gorda barriga de fora por aí?

Ah! Lembrando que é só ir nas lojas online ou nas de rua mesmo e constatar que os tamanhos maiores são os primeiros a acabar.

Então agora, com todos esses “argumentos”devidamente rebatidos: por que você dono ou responsável por uma marca não quer vender mais, lucrar mais, vendendo também para quem veste acima do 44?

Será que as pessoas “estilosas, descoladas e lindas” perderiam todas essas características só porque uma pessoa comum que veste 44, 46 ou 50, está com uma camiseta igual?

Desculpa sociedade, mas eu visto 46 e tenho um estilo único, só meu, e sem modéstia nenhuma, me visto muito bem, arraso, lacro e sou foda! ahahaah É só conferir os looks aqui do blog pra comprovar. E não preciso de roupas caras ou exclusivas, não preciso que limitem a modelagem das peças que eu visto, para me sentir bem vestida, pois no momento que eu combino roupas e acessórios, no momento em que eu visto, aquela peça já não é igual a que outra pessoa comprou, pois eu sou única. 😉

E aí pessoal da moda, das marcas, das grifes. Vocês não querem mesmo gordo vestindo a sua marca? E vocês meu povo que lê o Garotas, o que acham disso?

Ah, e eu não quero ser como os descolados (cool kids), só porque eles parecem se encaixar. Não quero me enquadrar, quero ser ouvida. <3

Postado por Helena Sá

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27/04/15
em: textos
Por que não tem gorda e negra nos blogs de moda?

Conversando com a Kalli, sempre comento como acho estranho quando em blogs não vejo representação da diversidade de pessoas, das pessoas comuns, de todos os tipos. E então, por que não tem gorda e negra nos blogs de moda?

Sei que é uniforme em revistas, TV e até mesmo em certos locais e eventos, que só se mostre, convide e considere, pessoas de um certo tipo, aquelas que o padrão impõe como bonitas: pessoas, brancas, magras e de preferência, com cabelos lisos. Isso é triste, mas a gente já espera, é difícil mudar isso. Faço minha parte não consumindo esse tipo de conteúdo e criticando sempre que possível.

Mas o que me espanta demais, é que os blogs de moda, que tem a princípio, liberdade editorial, que são feitos por pessoas na maioria dos casos “comuns”, continuem reproduzindo essa visão distorcida de apresentar somente o padrão.

Por que não tem gorda e negra nos blogs

Só moças altas, magras e branquinhas ficam bem de chapéu?

Não estou falando de blogs de nicho, como os plus size ou direcionados contra o preconceito, esses com certeza vão mostrar diversidade e vão trazer algo fora do lugar comum. Mas os blogs, sejam eles grandes ou pequenos, profissionais ou iniciantes, em sua esmagadora maioria só trazem em seus posts de tendências, em suas imagens de inspiração, pessoas loiras, altas, magras, variando aqui e ali raramente.

Por que não tem gorda e negra nos blogs

Kimono é só pra quem veste 36?

Sim, a maioria dos blogs de moda e beleza são feitos por garotas e mulheres magras e brancas, mas mesmo assim, não tem por que em um país multi racial como o nosso, essas pessoas só considerarem um tipo de beleza. Falta visão, falta empatia e falta percepção.

Por que não tem gorda e negra nos blogs

E não é que eu consegui encontrar negras e moças acima do 42 que ficam lindas de chapéu!

Eu digo principalmente que falta empatia, pois para escrever e produzir conteúdo para um público como o do Brasil, tem que se colocar mais ainda no lugar do leitor. O país é grande não só em raças e biotipos, mas em cultura, sotaques, tradições… não tem por que passar por cima de toda essa diversidade e considerar só o padrão.

E o mais incrível disso tudo, é que as vezes o próprio autor do blog não está ali representado nos looks, nas tendências que ele mostra. Me assustei outro dia ao abrir um blog de um rapaz gordo, e só ver fotos de inspiração com rapazes magros, altos e brancos. Ou seja, a pessoa sequer considera prestigiar o seu próprio biotipo.

por que não tem gorda e negra nos blogs de moda

Mostrando que eu gosto da minha imagem e de pessoas como eu <3

 

Nossa Helena, então você é perfeita, considera 1000 fatores só para um post de tendências bobo. NÃO! Estou longe da perfeição e nem a busco. O que eu quero propor aqui é a reflexão, pois não acredito que todos os blogueiros reproduzam esse estereótipo por preconceito, por maldade. Isso acontece porque somos inseridos numa  sociedade que incentiva isso, pela mídia principalmente. A ideia aqui é fazer pensar, não apontar o dedo e julgar.

Eu por exemplo, mostro sempre nos posts de tendência, pessoas de todos os jeitos usando aquela peça, não só para dar representação para essas pessoas, mas para que o gordo veja como aquela roupa fica em pessoas com o mesmo tipo físico, para que o negro, o loiro, ruivo ou moreno perceba como uma moda pode ser para ele também! Mas ainda preciso conseguir inserir pessoas com deficiência, é difícil encontrar fotos, mas ainda chego lá!

por que não tem gordas e negras nos blogs

E sabe por que estou falando disso aqui? Pois fora dos blogs feministas ou contra preconceitos, raramente se vê alguém tocando no assunto. E acredito que sim, um blog de moda tem que ter visão crítica também, tem que ter voz e contestar, opinar e mudar as coisas.

Por isso convido a vocês leitoras a prestarem atenção nos blogs que acompanham e as blogueiras a refletirem junto comigo, a no próximo post de tendência fazer esse exercício de mostrar pessoas diferentes, sair da zona de conforto e surpreender seu leitor.

Ah! Quem tiver dica de blog de moda, que assim como o Garotas, luta pela moda inclusiva, pode indicar nos comentários! 😉

Postado por Helena Sá

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