gordofobia


06/07/15
Minha relação com a comida

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“Nossa, você tem uma relação ótima com a comida, heim?!” Sim gente, ouço muito isso, como se eu e a comida (que já é um ser com vida acredito eu), tivéssemos uma relacionamento sério.

E sabe por que isso acontece? Esse espanto todo comigo? Pois sim, a minha relação com a comida é um pouco diferente do que eu sempre vejo outras mulheres terem, sejam elas gordas ou magras.

A gente vê muita foto de comida nas redes sociais, Instagram e Facebook estão repletos de fotos de gostosuras, e muitas vezes são mulheres que as postam. O problema acontece na legenda e nos comentários da foto, que invariavelmente vem com frases assim: “Hoje pode, segunda eu fecho a boca.”, “De vez em quando não faz mal.”, “JACANDO”, “É só hoje viu gente.”. E nos comentários os amigos e familiares da moça dizem: “Adeus dieta, heim?”, “Vai engordar menina.”, “Você disse a mesma coisa a semana passada.”, “Só come heim!”.

Realmente, esse tipo de reação curiosa não acontece nas minhas fotos de comida, as legendas das minhas fotos não são carregadas de culpa e desculpas por estar comendo, e ai daquele que vier comentar na minha foto falando de dieta ou me acusando de alguma coisa! ahaahha


E isso espanta muita gente, causa até admiração, pois sim, são necessárias muita coragem e auto estima, além de uma pitada de FODA-SE pra opinião dos outros, para poder chegar ao meu nível de desprendimento. E isso se torna mais complicado ainda se como eu você for gorda, aí meus amigos, todo mundo vai sempre reparar em tudo que você come, o tempo todo. E olha, raríssimas as vezes que vejo alguma amiga, colega ou parente gorda postando foto de comida, pois né, já chega ser estudada, avaliada e julgada enquanto come fora da internet.

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Mas não pensem que foi sempre assim comigo, já justifiquei muito o que estava comendo, já deixei para comer em casa ao invés de uma lanchonete com amigos, já disse muito que não tinha comido nada o dia todo para justificar um segundo pedaço de pizza… e nada disso mudou a reação e os julgamentos ao meu redor.

Desde criança familiares queriam regular o que eu como, riam se eu tomasse um sorvete, mesmo se todas as crianças também estivessem tomando. Já tive um namorado, e isso é bem recente, uns 2 anos atrás, que tinha vergonha quando eu comia em público com ele, sempre nervoso, olhando para os lados com medo de algum conhecido aparecer e ver a namorada gorda se entupindo. Pois sim, sempre que você comer, não interessa o que for, seja uma salada ou pipoca, você vai estar se entupindo, você pode estar numa mesa cheia de amigos comendo, que você mulher gorda vai ser a única se empanturrando de comida, mesmo que você coma menos que todo mundo. Ou seja, é um beco sem saída.


Depois de tudo que eu disse, é complicado fazer como eu e postar um pratão de macarrão no Instagram? No começo sim, mas ó, é libertador jogar na cara dos outros toda a comida que eu como e ter que fazer as pessoas engolirem todos os julgamentos, deboches e xingamentos, todo o preconceito. Ainda vai ter quem queria te reprimir? Sim! Outro dia minha mãe disse pra eu não postar o prato tão cheio de comida como eu faço, ela uma pessoa reprimida desde sempre, se importa que os outros pensem que eu comi aquilo tudo, MAS EU REALMENTE COMI! ahahahaha

Na cabeça das pessoas pode ter milhares dessas ideias, mas não há uma que ouse colocar pra fora nas minhas fotos de comida. Enquanto eu me delicio com meu salmão ao molho pesto, eles engolem sem sal todas as opiniões e falsa preocupação com saúde que tem sobre mim, minha comida e meu corpo.

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Mas não pensem que eu posto fotos de comida só para afrontar a sociedade gordofóbica e machista, que tenta controlar o corpo feminino. Não é tanto engajamento assim da minha parte, eu posto as fotos pois adoro cozinhar e mostrar minhas criações, adoro fazer fotos bonitas das receitas que faço e como blogueira o que faço melhor é produzir conteúdo, mesmo que seja um prato de panquecas! 😀


Esse textão todo é pra dizer a vocês, gordas ou magras, que comam o que quiserem, e postem foto da comida se der na telha também, comam na rua e CA-GUEM pra opinião dos outros. Tá comendo doce durante a semana, não precisa justificar, ninguém paga sua comida, e mesmo que pague, não é seu dono. Cada uma de nós sabe de si, o prato e o corpo da mulher não são públicos pra todo mundo achar que pode dar opinião sobre eles. 😉

Agora eu quero saber de vocês, como é sua relação com a comida, com a opinião dos outros e mais importante, a opinião de você mesma! ♥

Quero relatos, quero opiniões, só não quero julgamentos e preconceito, ok?!

Postado por Helena Sá

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18/07/16
GIRL POWER só para magras

GORDOFOBIA É A QUE ESTÁ MAIS NA MODA

De uns tempos para cá na internet brotaram pequenos, médios e grandes negócios voltados para o público feminino engajado, feminista, consciente. Isso é incrível, as marcas mais antigas estão se preocupando mais com representatividade, as novas já começam defendendo isso, como eu disse, é lindo.

Tenho visto muita marca criada por mulheres, minas produzindo pra minas, isso é demais, sempre procuro indicar aqui essas marcas, priorizar consumir delas pra mim, e consequentemente mostrar aqui nos looks do blog.

Mas mesmo com toda essa movimentação, nessa pequena revolução, as gordas ainda estão esquecidas. São poucas as marcas que se preocupam em produzir acima do tamanho 46. Existem sim marcas direcionadas ao público Plus Size. Mas o que acontece com as milhares de novas lojas produzindo e levantando a bandeira da inclusão, que não atendem as gordas? Sim, são a esmagadora maioria.

skinny-girl-power

Girl Power só para magras?

E será que podemos falar em inclusão quando deixamos uma minoria oprimida de fora? Será que você aí que abriu uma loja agora, ou que já está no mercado há mais tempo e que produz camisetas com frases empoderadas, feministas, mas não as faz acima do 46, você acha mesmo que pode se dizer uma marca inclusiva? Que atende a todos e todas?

Qual o sentido de vender uma camiseta escrito GIRL POWER, se na verdade você quis dizer SKINNY GIRL POWER (poder das garotas magras)?

Eu acredito que TODAS as marcas de roupa devam atender todo mundo, mas infelizmente não é essa a realidade e apesar de já ter melhorado muito, ainda somos marginalizadas quando se trata de moda. Mas o que eu quero apontar aqui nesse post, não são TODAS as marcas, mas TODAS aquelas que se dizem INCLUSIVAS, feministas…

Se você faz esse tipo de marketing, ganha com ele, o mínimo que deve fazer é não excluir. Ou então pare de vender camisetas dizendo fight like a girl, girl power, pussy é poder, dentre outras.

“A mas Helena, lá vem você com esse papo outra vez, existem nichos de mercado.”

Então quer dizer que por exemplo, se você atende ao mercado jovem, não pode ter roupa acima de 44, pois jovens são todos magros, é isso mesmo? Você está me dizendo então que não existem gordos em todas as segmentações? Ou será que você apenas não quer sua marca associada a imagem de gordos? Pensa bem.

Se for por aí meus amigos, vou ter que recolher a carteira de feminista, inclusiva, diferentona da sua marca, pois adivinha, você não traz nada de inovador, você não acrescenta nada, você só está dizendo para milhares de mulheres e garotas gordas, que elas nem o direito de ser incluídas por quem faz moda “inclusiva” têm, que elas estão mesmo totalmente erradas, já que até mesmo as tais marcas genderless, que atendem a todos, não querem vestir o corpo gordo.

De todas as fobias, a Gordofobia é a que está mais na moda. Entenderam?

Postado por Helena Sá

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11/04/16
Sobreposições: dicas de uso para as gordas

No post sobre Armário Cápsula plus Size eu comentei que eu e muitas moças gordas gostam de usar bastante as sobreposições. Coletes, quimonos, cardigãs, camisas, boleros, camisetas, Blazers, jaquetas…

Tanto no verão, quanto no inverno, a gente usa muito, e não apenas para nos escondermos, simplesmente porque sobreposições dão um charme ao look, seja ele de uma gorda ou de uma magra, se a sobreposição for bem feita, fica lindo, traz estilo e atitude ao visual.

Mas tem também as mulheres gordas que ainda tem um pouco de receio de usar sobreposição por achar que vai aparentar ser mais gorda, maior, o que não acontece. E se acontecer, qual é o problema? Parecer maior não é ruim, vamos parar de pensar que magro, petit, pequeno é sempre bom e que grande é ruim para mulheres. 😉

sobreposições

Aprendi muito cedo a usar sobreposição, tenho queratose pilar, que deixa meus braços cobertos de bolinhas vermelhas, por isso sempre tive vergonha de mostrá-los, só usava camiseta quando estava bronzeada, pois aí as bolinhas ficavam camufladas.

Mas teve um lado bom nisso, pois acabei estimulando a minha criatividade ao combinar peças para sempre usar mangas.

sobreposições-plus-size

A sobreposição traz ainda a possibilidade de milhares de looks diferentes usando as peças de roupa que você já tem.

Um vestido vira uma saia combinado com uma camiseta, suéter ou camisa por cima. Uma camiseta sem mangas, ganha mangas coloridas com um bolero e coletes por cima. Não tem limites para sua imaginação quando você mistura peças que supostamente deveriam ser usadas de outra maneira, fica diferente, inusitado, e você ganha em visuais diferentes sem comprar mais nada.

gordas

Ah Helena, mas eu não tenho criatividade para isso, não sei misturar estampas, não sei o que cai bem com o que…

Gente, vai no armário, pega um vestido, depois começa a combinar com todas as camisas, camisetas, suéteres e afins que você tenha. Pronto! Você com certeza vai tirar daí algumas combinações que não imaginava serem tão legais. Agora é só ir aos poucos fazendo isso com todas as suas peças de roupa e acessórios também.

E aí, deu certo? Quero saber quem já faz sobreposição com pé nas costas e pode vir dar dicas pra gente nos comentários. E quem foi no guarda roupas e conseguiu fazer uma sobreposição legal, vem contar aqui! 😉

Postado por Helena Sá

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06/04/16
[TAG] Quando eu era TROUXA

tag quando eu era trouxa

O primeiro vídeo dessa nova fase do canal do Garotas no Youtube está no ar! \o/

E para começar de leve, criei uma TAG que eu achei muito legal responder e tenho certeza que pode dar em muito vídeo engraçado e legal tanto pra rir, quanto pra aprender com a trouxice alheia.

A TAG se chama Quando eu era TROUXA, mas isso não significa que eu nem vocês não sejamos ainda uns completos trouxas nessa vida. É só que a gente aprendeu um pouquinho com os papéis de trouxa que a gente fez, ou não! 😀

O vídeo tá aí com 6 papéis de trouxa que eu já fiz com maestria! Apertem o  PLAY.

Espero que as minha mancadas sirvam pra inspirar vocês a não fazer o mesmo, e se tão fazendo, que parem já!

Outra dica pra não ser trouxa é SE INSCREVER NO CANAL do blog, porque vai ter vídeo novo toda quarta-feira!

E aí gente, vocês tem coragem de me contar que moles já deram nessa vida quando eram trouxas?

Postado por Helena Sá

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19/08/15
Eu não me vejo, e você?

Passei uma semana sem postar aqui, em pleno BEDA, e eu peço desculpa a vocês e a mim mesma, pois esses dias me deixei abater um pouco, me senti sem forças, acho que todos nós passamos por isso em algum momento da vida, é normal, a gente só não pode deixar isso fazer parte, ser uma constante e não apenas uma exceção. 😉

Não teve post aqui, mas uma coisa que eu não pude deixar de fazer por compromisso com vocês, foi deixar de postar as mensagens/frases, que posto todos os dias no Instagram e Facebook. Por mais que eu estivesse desmotivada, sei que as mensagens fazem muita diferença positiva no dia de vocês girls. Sei disso pelas mensagens que recebo no inbox da página, nos comentários, e até nos likes e compartilhamentos. Por isso, os “quotes” do Garotas não falharam.

Mas o motivo do meu desânimo momentâneo é também o motivo desse post. Semana passada recebi duas revistas em casa, uma local da minha cidade, e uma de uma marca de calçados de plástico que está lançando coleção nova.

Eu-não-me-vejo-e-você

Eu não me vejo, e você?

Folheei as revistas da primeira a última página, na primeira revista, não encontrei ninguém com manequim acima do 40, e não estou falando dos editoriais de moda, me refiro a matéria de street style, que supostamente foi feita nas ruas da cidade mostrando a diversidade de estilos. Mas de diversidade não tinha nada ali, eram pessoas brancas, magras, descoladinhas (odeio essa palavra), e só! Parecia que quem fez a matéria reuniu seu clubinho, pediu pra vestirem suas roupinhas mais hipsters e fotografou como moda de rua, e isso é qualquer coisa, menos moda de rua. Nas ruas você vê diferentes idades, corpos e etnias, vê classes sociais, vê estilos, ou seja, a rua ainda é democrática, mas a matéria foi higienista e isso é triste.

Eu-não-me-vejo-e-você

Na segunda revista, a dos calçados de plástico, o foco são mulheres jovens, entre adolescentes a moças de uns 25 anos, imagino. E assustadoramente, para essa marca só existem moças dessa faixa etária brancas, magras e de preferência loiras naturais ou tingidas. E isso também é muito triste, pois é um produto popular, todo tipo de mulher dessa idade costuma consumir, e essas meninas, essas moças, não se veem ali, não acham que são bonitas ou dignas de estarem ali representadas. Fico triste de a essa altura de 2015, ainda termos que apontar esse tipo de preconceito na mídia e na publicidade.

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Isso se juntou a algumas outras decepções e me deixou pra baixo, desestimulada de blogar, de passar uma mensagem que aparentemente poucas pessoas querem ouvir. E que algumas das que ouvem, batem palminhas, acham bonitinho a gente falar de inclusão, mas na prática, nas suas vidas, no seu trabalho, nas suas marcas e mídias continuam perpetuando os mesmos padrões, preconceitos e estereótipos.

E esse tipo de coisa me atinge duplamente, pois me exclui como pessoa e mulher, e ainda por cima fecha portas para mim como blogueira e formadora de opinião.

Ah, mas Helena, tem muita marca plus size, tem revista especializada nisso, outro dia a Ju foi capa de revista. Sim gente, é verdade que algumas coisas estão acontecendo, algumas de nós estão sendo ouvidas e nos representando muito bem, mas são casos isolados. Esse tipo de mídia e publicidade que nos exclui é majoritária, e eu ainda vejo essas ações pontuais e isoladas como medida paliativa para manter vendas, não um real compromisso com a inclusão e quebra de padrões.

Muita gente pode vir falar para eu procurar e prestigiar quem nos inclui e deixar para lá quem não quer saber da gente. E sim, eu já prestigio, divulgo e consumo quem faz moda para mim, quem me enxerga como consumidora e como mulher inteligente e com estilo. Mas nem eu nem vocês podemos fechar os olhos para essa maioria esmagadora de falta de representatividade da mulher comum, da mulher gorda, da negra, da mais velha, da deficiente.

Enquanto eu puder eu vou meter o pé nessa porta, não querem nos deixar entrar, não querem nos ver, não querem nos contratar, nem nos ouvir. Mas vão sim ter que engolir, pois eu, nós, vamos descer goela abaixo, vamos pular o muro e vamos entrar. Me recuso a viver apenas no gueto, na zona de conforto que são as revistas, marcas e grupos plus size e feministas, elas são importantes sim, mas nossa voz tem que ir além, tem que chegar na menina que consome o sapato de plástico, na mulher que anda nas ruas.

É… parece que o desânimo passou, tô de volta e tombando tá mores?

via GIPHY
beda

 

Postado por Helena Sá

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06/07/15
Minha relação com a comida

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“Nossa, você tem uma relação ótima com a comida, heim?!” Sim gente, ouço muito isso, como se eu e a comida (que já é um ser com vida acredito eu), tivéssemos uma relacionamento sério.

E sabe por que isso acontece? Esse espanto todo comigo? Pois sim, a minha relação com a comida é um pouco diferente do que eu sempre vejo outras mulheres terem, sejam elas gordas ou magras.

A gente vê muita foto de comida nas redes sociais, Instagram e Facebook estão repletos de fotos de gostosuras, e muitas vezes são mulheres que as postam. O problema acontece na legenda e nos comentários da foto, que invariavelmente vem com frases assim: “Hoje pode, segunda eu fecho a boca.”, “De vez em quando não faz mal.”, “JACANDO”, “É só hoje viu gente.”. E nos comentários os amigos e familiares da moça dizem: “Adeus dieta, heim?”, “Vai engordar menina.”, “Você disse a mesma coisa a semana passada.”, “Só come heim!”.

Realmente, esse tipo de reação curiosa não acontece nas minhas fotos de comida, as legendas das minhas fotos não são carregadas de culpa e desculpas por estar comendo, e ai daquele que vier comentar na minha foto falando de dieta ou me acusando de alguma coisa! ahaahha


E isso espanta muita gente, causa até admiração, pois sim, são necessárias muita coragem e auto estima, além de uma pitada de FODA-SE pra opinião dos outros, para poder chegar ao meu nível de desprendimento. E isso se torna mais complicado ainda se como eu você for gorda, aí meus amigos, todo mundo vai sempre reparar em tudo que você come, o tempo todo. E olha, raríssimas as vezes que vejo alguma amiga, colega ou parente gorda postando foto de comida, pois né, já chega ser estudada, avaliada e julgada enquanto come fora da internet.

minha-relação-com-a-comida

Mas não pensem que foi sempre assim comigo, já justifiquei muito o que estava comendo, já deixei para comer em casa ao invés de uma lanchonete com amigos, já disse muito que não tinha comido nada o dia todo para justificar um segundo pedaço de pizza… e nada disso mudou a reação e os julgamentos ao meu redor.

Desde criança familiares queriam regular o que eu como, riam se eu tomasse um sorvete, mesmo se todas as crianças também estivessem tomando. Já tive um namorado, e isso é bem recente, uns 2 anos atrás, que tinha vergonha quando eu comia em público com ele, sempre nervoso, olhando para os lados com medo de algum conhecido aparecer e ver a namorada gorda se entupindo. Pois sim, sempre que você comer, não interessa o que for, seja uma salada ou pipoca, você vai estar se entupindo, você pode estar numa mesa cheia de amigos comendo, que você mulher gorda vai ser a única se empanturrando de comida, mesmo que você coma menos que todo mundo. Ou seja, é um beco sem saída.


Depois de tudo que eu disse, é complicado fazer como eu e postar um pratão de macarrão no Instagram? No começo sim, mas ó, é libertador jogar na cara dos outros toda a comida que eu como e ter que fazer as pessoas engolirem todos os julgamentos, deboches e xingamentos, todo o preconceito. Ainda vai ter quem queria te reprimir? Sim! Outro dia minha mãe disse pra eu não postar o prato tão cheio de comida como eu faço, ela uma pessoa reprimida desde sempre, se importa que os outros pensem que eu comi aquilo tudo, MAS EU REALMENTE COMI! ahahahaha

Na cabeça das pessoas pode ter milhares dessas ideias, mas não há uma que ouse colocar pra fora nas minhas fotos de comida. Enquanto eu me delicio com meu salmão ao molho pesto, eles engolem sem sal todas as opiniões e falsa preocupação com saúde que tem sobre mim, minha comida e meu corpo.

minha-relação-com-a-comida

Mas não pensem que eu posto fotos de comida só para afrontar a sociedade gordofóbica e machista, que tenta controlar o corpo feminino. Não é tanto engajamento assim da minha parte, eu posto as fotos pois adoro cozinhar e mostrar minhas criações, adoro fazer fotos bonitas das receitas que faço e como blogueira o que faço melhor é produzir conteúdo, mesmo que seja um prato de panquecas! 😀


Esse textão todo é pra dizer a vocês, gordas ou magras, que comam o que quiserem, e postem foto da comida se der na telha também, comam na rua e CA-GUEM pra opinião dos outros. Tá comendo doce durante a semana, não precisa justificar, ninguém paga sua comida, e mesmo que pague, não é seu dono. Cada uma de nós sabe de si, o prato e o corpo da mulher não são públicos pra todo mundo achar que pode dar opinião sobre eles. 😉

Agora eu quero saber de vocês, como é sua relação com a comida, com a opinião dos outros e mais importante, a opinião de você mesma! ♥

Quero relatos, quero opiniões, só não quero julgamentos e preconceito, ok?!

Postado por Helena Sá

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04/05/15
em: textos
Não quero gordo vestindo minha marca

O título do post tá sensacionalista, eu sei. Mas não deixa de ser essa a afirmação que as marcas em geral (exceto marcas plus size) fazem ao limitar o seu maior tamanho ao 40, 42, no máximo 44.

E não é só uma mensagem velada que a gente entende ao ver modelagens cada vez menores, o CEO da Abercombrie (marca norte americana), afirmou categoricamente:

“Ele não quer pessoas grandes comprando na sua loja, ele quer pessoas magras e bonitas”, disse o autor sobre o CEO da label, Mike Jeffries. “Ele não quer que seus principais consumidores vejam pessoas que não são tão atraentes quanto eles usando suas roupas. Para ele, as pessoas que vestem suas peças devem se sentir parte das cool kids.”

E eu não preciso dizer, mas direi, o quão nojenta, preconceituosa e criminosa é não só a frase da figura aí acima, mas essa escolha da maioria esmagadora das marcas. Marcas tem nicho de mercado, sim! Mas não vamos confundir público alvo com preconceito, com imposição de padrões.

seu-corpo-não-está-errado-só-porque-uma-roupa-não-te-serve

Não precisamos ir longe para ver isso, desde a lojinha da esquina da sua casa, até a grande fast fashion e principalmente nas grifes, a moda é excluir mais da metade da população mundial, que veste acima do manequim 44.

E muitas vezes além da desculpa do público alvo, há ainda a de que produzir tamanhos maiores fica caro, que não há procura. E isso tudo pode ser rebatido com a realidade de lojas para mães que se limitam ao 42 e focam na cliente que veste 38. Quantas mães vocês conhecem que vestem 38? São poucas, não é?

E quanto a dificuldade de produzir tamanhos maiores, qual a explicação para lojas de camisetas de malha (essas que estão na moda e são vendidas online), terem o maior tamanho feminino vestindo muito mal alguém do manequim 42? A coisa mais fácil seria produzir esse tipo de roupa em tamanhos maiores, mas aí você correria o risco de ver uma moça gorda, uma senhora, ou uma mãe de 2 filhos vestindo a mesma camiseta que você, e isso definitivamente não é legal, como eu vou ser cool se pessoas comuns vestem a mesma camiseta que eu? Essa é realmente uma preocupação pertinente. #ironia

gordo-vestindo-minha-marca

*Na imagem acima, tabela de medidas de uma marca descoladinha: a camiseta básica tem seu GG vestindo de forma confortável no máximo quem veste 44. E seria criminoso vender cropped acima do manequim 38, já pensou? Uma gorda barriga de fora por aí?

Ah! Lembrando que é só ir nas lojas online ou nas de rua mesmo e constatar que os tamanhos maiores são os primeiros a acabar.

Então agora, com todos esses “argumentos”devidamente rebatidos: por que você dono ou responsável por uma marca não quer vender mais, lucrar mais, vendendo também para quem veste acima do 44?

Será que as pessoas “estilosas, descoladas e lindas” perderiam todas essas características só porque uma pessoa comum que veste 44, 46 ou 50, está com uma camiseta igual?

Desculpa sociedade, mas eu visto 46 e tenho um estilo único, só meu, e sem modéstia nenhuma, me visto muito bem, arraso, lacro e sou foda! ahahaah É só conferir os looks aqui do blog pra comprovar. E não preciso de roupas caras ou exclusivas, não preciso que limitem a modelagem das peças que eu visto, para me sentir bem vestida, pois no momento que eu combino roupas e acessórios, no momento em que eu visto, aquela peça já não é igual a que outra pessoa comprou, pois eu sou única. 😉

E aí pessoal da moda, das marcas, das grifes. Vocês não querem mesmo gordo vestindo a sua marca? E vocês meu povo que lê o Garotas, o que acham disso?

Ah, e eu não quero ser como os descolados (cool kids), só porque eles parecem se encaixar. Não quero me enquadrar, quero ser ouvida. <3

Postado por Helena Sá

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