gorda


09/06/17
Ninguém quer te ouvir, e é pela sua aparência

Do You Wanna Touch Me

Se você for a palestras de coaching, esse estilo motivacional, sobre ser bem sucedido, popular, etc. Se ler livros estilo auto ajuda que tem o segredo do sucesso e outros trambiques, vai ouvir e ler sempre que a aparência, a imagem que você passa é imprescindível. A tal “boa aparência” é pré requisito. E isso normalmente significa seguir padrões, seja no estilo de roupas, corte de cabelo, maquiagem ou na forma física e na cor da pele, quando já caímos nos preconceitos.

Esse tal padrão tá em tudo mesmo, para as pessoas te ouvirem você tem que passar uma imagem bem sucedida, e ser gorda, ter cabelo colorido e tatuagens não combina nada com isso na maioria dos ambientes de trabalho e até mesmo sociais.

Me vejo em situações por muitas vezes, em que eu sei mais, tenho mais para ensinar, experiências para dividir, do que o cara branco, de terno e mais velho tem. Mas quem vai ser ouvido é ele. Eu saco mais de moda, de cosméticos e afins do que muitas das moças loiras e magras que estão nos mesmos eventos que eu. Mas porque eu não escolhi os artifícios padrão para me vestir, por não ter o peso certo, não sou ouvida, levada a sério. Mesmo quando eu tenho um blog com mais engajamento, um público, experiência, reconhecimento de grandes marcas com tudo isso, vejo nos olhos das pessoas o julgamento da aparência.

Estive essa semana presente em dois eventos, em um falei da empresa em que trabalho, no outro era uma mesa de restaurante conversando sobre viagens. Em ambos eu tinha argumentos, base, vivência e gente, eu falo bem em público, em ambos as pessoas não aparentaram interesse em me ouvir.

Na mesa do restaurante inclusive foi engraçado, pois um senhor disse que morou 9 meses em Lisboa e não conheceu nada da cidade, só ia trabalhar e dormir, nem sabe falar da cidade, poderia muito bem nem ter estado lá. E eu comento, morei dois anos em Lisboa, trabalhei para pagar meu mestrado lá, fazia uma jornada de oito horas no trampo e de quatro na faculdade diariamente, e mesmo assim conheci a cidade de cabo a rabo, viajei dentro do país e pela Europa, tinha muita vivência interessante pra dividir. Mas o tal senhor, mais velho (isso também conta), falando que só foi lá juntar dinheiro, aparentemente era mais interessante.

E eu posso citar outras diversas situações. A escola em que estudei a vida toda está veiculando publicidade com uma blogueira, obviamente chamaram uma moça nos padrões, ao invés da ex-aluna. E não é por falta de qualificação, sou advogada, especialista em direito internacional, turismóloga, tenho sete anos de experiência em influência, mídias sociais, produção de conteúdo… nada disso bate a aparência padrão. 👍🏻

O que a gente pode tirar de aprendizado disso tudo? Tem dois caminhos: você pode simplesmente começar a se enquadrar, atuar e se encaixar perfeitamente no que é confortável e cômodo para os olhos dos outros, ou você pode decidir que não vai julgar as pessoas assim e começar a quebrar esse círculo de atraso, preconceito e cafonice. Ouvir as pessoas, conhecer seu histórico e não apenas sua aparência.

E aí, qual caminho você vai tomar? Pra mim já não tem mais volta do meu. 😅

Postado por Helena Sá

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09/06/17
Ninguém quer te ouvir, e é pela sua aparência

Do You Wanna Touch Me

Se você for a palestras de coaching, esse estilo motivacional, sobre ser bem sucedido, popular, etc. Se ler livros estilo auto ajuda que tem o segredo do sucesso e outros trambiques, vai ouvir e ler sempre que a aparência, a imagem que você passa é imprescindível. A tal “boa aparência” é pré requisito. E isso normalmente significa seguir padrões, seja no estilo de roupas, corte de cabelo, maquiagem ou na forma física e na cor da pele, quando já caímos nos preconceitos.

Esse tal padrão tá em tudo mesmo, para as pessoas te ouvirem você tem que passar uma imagem bem sucedida, e ser gorda, ter cabelo colorido e tatuagens não combina nada com isso na maioria dos ambientes de trabalho e até mesmo sociais.

Me vejo em situações por muitas vezes, em que eu sei mais, tenho mais para ensinar, experiências para dividir, do que o cara branco, de terno e mais velho tem. Mas quem vai ser ouvido é ele. Eu saco mais de moda, de cosméticos e afins do que muitas das moças loiras e magras que estão nos mesmos eventos que eu. Mas porque eu não escolhi os artifícios padrão para me vestir, por não ter o peso certo, não sou ouvida, levada a sério. Mesmo quando eu tenho um blog com mais engajamento, um público, experiência, reconhecimento de grandes marcas com tudo isso, vejo nos olhos das pessoas o julgamento da aparência.

Estive essa semana presente em dois eventos, em um falei da empresa em que trabalho, no outro era uma mesa de restaurante conversando sobre viagens. Em ambos eu tinha argumentos, base, vivência e gente, eu falo bem em público, em ambos as pessoas não aparentaram interesse em me ouvir.

Na mesa do restaurante inclusive foi engraçado, pois um senhor disse que morou 9 meses em Lisboa e não conheceu nada da cidade, só ia trabalhar e dormir, nem sabe falar da cidade, poderia muito bem nem ter estado lá. E eu comento, morei dois anos em Lisboa, trabalhei para pagar meu mestrado lá, fazia uma jornada de oito horas no trampo e de quatro na faculdade diariamente, e mesmo assim conheci a cidade de cabo a rabo, viajei dentro do país e pela Europa, tinha muita vivência interessante pra dividir. Mas o tal senhor, mais velho (isso também conta), falando que só foi lá juntar dinheiro, aparentemente era mais interessante.

E eu posso citar outras diversas situações. A escola em que estudei a vida toda está veiculando publicidade com uma blogueira, obviamente chamaram uma moça nos padrões, ao invés da ex-aluna. E não é por falta de qualificação, sou advogada, especialista em direito internacional, turismóloga, tenho sete anos de experiência em influência, mídias sociais, produção de conteúdo… nada disso bate a aparência padrão. 👍🏻

O que a gente pode tirar de aprendizado disso tudo? Tem dois caminhos: você pode simplesmente começar a se enquadrar, atuar e se encaixar perfeitamente no que é confortável e cômodo para os olhos dos outros, ou você pode decidir que não vai julgar as pessoas assim e começar a quebrar esse círculo de atraso, preconceito e cafonice. Ouvir as pessoas, conhecer seu histórico e não apenas sua aparência.

E aí, qual caminho você vai tomar? Pra mim já não tem mais volta do meu. 😅

Postado por Helena Sá

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04/05/17
Incomodada ficava sua avó

Incomodada ficava sua avó

Pra quem não entendeu a referência do ➡️ título.

Um fenômeno que para alguns só acontece com uma mudança e paradigma: parar de usar/fazer/aceitar coisas que incomodam.

O incômodo pra muita gente é relativizado, é bobeira, melhor se incomodar um pouquinho do que mudar, mudar dá muito trabalho.

Mas acontece que incômodos são muitos, e somados, todos esses pequenos e irritantes acontecimentos, se transformam em uma vida sem jeito, sem lado. Quer ver como?

Um sutiã de aro, aquele arame cortando a pele o dia todo pra poder parecer que tem peito empinado, grande. Aquele salto, aquele bico fino no sapato pra ficar mais alta e elegante. A cinta massacrando o dia inteiro… eu posso passar o dia aqui listando coisas e situações em que a gente se coloca, porque mudar causa transtornos, é complicado, tem que se explicar pras pessoas.

E esse incômodo tolerável que a gente se coloca nele vai além de estética, você deixa passar o abuso de alguém pra evitar o desgaste do confronto, que pode ser único, mas você prefere passar várias vezes pela pequena chateação, do que bater de frente e ser o chato do rolê.

Daí que com os anos as coisas vão acumulando, é privação, incômodo e chateação uma em cima da outra, transborda alguma hora e pode gerar o dia de fúria, aquele em que você perde a razão, e sua reação é incompreendida. Ou então você guarda tanto que fica doente, vem a depressão e/ou ansiedade.

É muito tempo negando quem você é de verdade. Negando que você detesta sair pra balada, que você prefere passar o dia com seu cachorro à ir em uma calourada ou churrasco, uma vida inteira esticando a raiz do cabelo, fazendo a barba, dieta da moda, se depilando, não tendo tatuagem, não comendo o que gosta, usando roupa que detesta, mantendo amizades que você tolera por conveniência, rindo de piada sem graça pra manter o networking, fingindo que não ouviu a indireta pra não se indispor com parente… ufa, mais uma lista interminável.

E sempre pensando, quando eu tiver dinheiro não vou mais aturar isso, quando eu for independente, quando eu sair de casa, quando eu me mudar, quando eu trocar de emprego, quando eu emagrecer, quando eu for mais velho, quando eu casar… e a vida passa.

O que eu posso dizer sobre isso? CAI FORA! Tem diversas situações que a gente tolera porque faz parte de crescer, pra manter um trabalho, pra cuidar da saúde. Essas a gente muda com paciência, aos poucos. Mas tem várias outras coisas que a gente deixa passar por medo e preguiça da mudança.

Então o dever de casa de hoje é esse: questione, pois às vezes a gente nem sabe o que está nos incomodando, reflita, isso é bom pra mim? Faço por obrigação? Pra manter uma imagem? Pra agradar os outros?

Tá na hora de esquecer um pouco a conveniência, o cômodo que está pra lá de incômodo. E não é egoísmo isso não, faz parte de crescer e até mesmo de ser uma pessoa melhor pra quem nos cerca, por que ninguém é feliz com uma pequena pedrinha dentro do sapato.

Incomodada ficava a sua avó

Postado por Helena Sá

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26/04/17
Como eu passei a gostar de comer em público

Sim, comer em público é uma batalha pra muita gente, principalmente mulheres. Nós somos constantemente cobradas por nossa aparência, e o maior medo de muitas mulheres é engordar.

E com isso, gorda ou magra, a gente tá sempre justificando o que come, sempre dizendo que se alimenta bem, que o doce foi só daquela vez. Então muita gente pra evitar dar essas explicações, simplesmente evita comer na presença de outras pessoas.

No caso de pessoas gordas piora, pois não interessa o que você tenha no prato, seja uma salada ou uma feijoada, vai ter sempre alguém pra julgar e fazer comentários críticos.

“Isso mesmo, tem que comer uma saladinha pra emagrecer.” (a pessoa assume que você não gosta de salada, tá comendo porque é gordo.)

“É por isso que não emagrece!” (Tá todo mundo numa pizzaria, tá todo mundo comendo a mesma coisa, e só você é o glutão do rolê.)

E isso pode piorar muito se você está por exemplo numa praça de alimentação, pois corre o risco de pessoas estranhas opinarem sobre o seu prato e o seu corpo, rirem e te apontarem.

Parece futilidade, e é se olharmos de fora, mas vem desse terror de engordar  e de comer perto das pessoas, os distúrbios alimentares, como bulimia, anorexia e até mesmo a compulsão.

E o medo de comer em público está muito ligado a compulsão, pois faz com que a pessoa procure aproveitar toda e qualquer oportunidade em que esteja sozinha para comer. Assim, não precisa se alimentar na frente díz outros.

Por isso tudo, é uma vitória pra mim comer em público e fazer isso me sentindo muito bem, sem medo do julgamento alheio. Por isso também, que eu adoro postar as minhas receitas no instagram. Já passei por muitos traumas relacionados à pessoas próximas me humilhando na hora de comer, em casa dentro da minha família e com um ex namorado abusivo.

Certa vez eu estava em uma brigaderia muito conhecida na minha cidade, pedi minha bebida preferida de lá, que vinha num copo alto desses de milkshake, com chantili em cima e uma bolinha de brigadeiro no topo. Era o final de um dia cheio, cansativo, e eu estava feliz por encontrar com esse namorado e podermos sentar, conversar e comer algo gostoso. Mas na hora que a bebida chegou na mesa e eu dei o primeiro gole, ele se levantou e foi embora. Nunca senti tanta vergonha em público na vida. Depois quando saí da loja ele estava me esperando na esquina e me disse que era nojento e vergonhoso pra ele estar perto de mim, gorda e ainda por cima sem noção de comer uma coisa daquelas na frente de todo mundo.

Foi um dos episódios mais traumáticos que já passei, mas serviu pra me alertar de que o que mais me fazia mal não eram meus hábitos alimentares, e sim o medo, a vergonha, a humilhação e o preconceito das pessoas ao meu redor. Aquilo era destrutivo e eu não iria mais suportar isso, eu não iria mais comer escondido, eu não iria mais justificar um doce ou um pedaço de pizza e principalmente, ninguém mais iria falar assim comigo sem levar um voadora na nuca.

A minha libertação começou aí, depois desse dia não demorou muito pro namoro terminar, eu demorei a perceber o quão abusivo era, e não só por episódios como este. Cheguei a ficar mal com o término, a querer voltar, mas a liberdade e o amor próprio logo gritaram nos meus ouvidos e eu me livrei.

Desde então, nem mãe, nem irmão, nem tia chata e muito menos namorado, ousam falar comigo sobre  o que estou comendo ou não, nenhum fiscal de prato me derruba mais.

E se você que está lendo isso ainda não se libertou, saiba que eu estou aqui torcendo por você. Um dia, pode ser hoje até, a força vem e você não tolera mais ser humilhada por nada. Você vai aprender que ser gorda não é vergonha, que mulher comendo não é feio, que a sua vida e o seu corpo não são da conta de ninguém.

E essa é a história de como passei a gostar de comer em público, se você ainda não chegou nesse dia, tudo bem, mas não demora a chegar, porque aqui a vista é mais bonita, e a vida é mais leve e simples.

Como eu passei a gostar de comer em público

Postado por Helena Sá

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14/03/17
Ninguém liga pra sua opinião

Ninguém liga pra sua opinião

Isso é bem verdade, acho que em tudo, ninguém liga pra sua opinião mesmo. Mas no que diz respeito ao corpo, modo de agir e personalidade alheias, realmente, além de ninguém ligar, não é da sua conta. 😉

E o vídeo dessa semana é sobre isso. Será que você sabe aproveitar oportunidades de ficar calado? Ou você sai distribuindo opinões não solicitadas por aí? E o pior, diz que está só querendo ajudar.

Aperta o PLAY, assiste em HD pouco mais de três minutinhos de vídeo, pra gente ir direto e reto no assunto. 🚀

Quero saber o que vocês acharam do vídeo e do que eu falei! Quem gostou se inscreve no canal e dá joinha no vídeo. 😉👍🏻

Postado por Helena Sá

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01/02/17
Quotes do Garotas repaginados por Laila Alves

Laila alves designer

Pra quem ainda não sabe, há quase 3 anos posto diariamente cards nas redes sociais do blog. São quotes do garotas, muitos são citações de escritoras e escritores, estudiosos, pensadores, ou mulheres de qualquer área que tenham dito algo empoderador, que reforce a autoestima, que vá contra tudo de errado que é pré estabelecido na nossa sociedade. Outros eu mesma criei.

E mesmo não sendo designer, sempre criei a “arte”dos cards, que eu nunca considerei profissionais, claro, mas também não passava vergonha (eu acho).

Mas sempre quis ter alguém de talento e sensibilidade que pudesse fazer essa parceria comigo.

E eu escolhi o primeiro dia de fevereiro de 2017, pra contar essa novidade linda para vocês! 💜

Vou continuar a pensar, criar e pesquisar frases que valham a pena transmitir todos os dias pra vocês, mas agora elas serão expressadas lindamente pela arte de verdade da Laila Alves. 🌷

Laila Langhammer Alves ilustradora

A Laila é designer, ilustradora, militante e gorda, além de ser leitora do blog e uma mulher incrível que eu admiro. Muitas de vocês provavelmente conhecem o trabalho dela, mas mesmo assim vou deixar aqui alguns deles pra quem não conhece ainda. 🍭

Elevem por laila alves

Laila alves designer Laila langhammer Laila alves designer Laila alves quotes do garotas Rose quartz por laila alves Laila alves ilustration

Além disso, taí no início desse post o primeiro quote que ela repaginou, deu nova vida e que eu apenas amei! 😍

Se vale a pena seguir as redes da Laila? Por favor neam! 🙄

Postado por Helena Sá

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19/01/17
Cada um tem seu Show de Truman

Show de truman

Eu to numa vibe super profunda, papos descontruídos e tal aqui no no blog, vocês perceberam? Esse início de ano eu tô um pouco mais lerda em realizar meus projetos, mas em compensação to totalmente reflexiva, daí penso essas coisas doidas, anoto e depois venho aqui contar pra vocês. Aha, lidem com isso.

Para quem não viu o filme, Show de Truman conta a história de um homem que foi criado em uma cidade fictícia, com família, amigos e tudo mais encenados. E sendo criado dessa forma, sempre acreditou que essa era a realidade e claro, aquela passou a ser sua vida real. Apenas depois dos 30 começou desconfiar e perceber que aquilo não era real, que a sua vida inteira era encenada, que o fizeram acreditar que ele era e tinha gostos de uma certa forma.

E por que estou afirmando que cada um de nós tem o seu próprio Show de Truman? Porque a partir do momento em que nascemos em uma família ou sem uma família, já estamos a partir disso sendo pré rotulados. Se você nasce mulher, se você é negro, se você nasce em uma família de classe média, se você é japonês. Tudo isso e outros pequenos detalhes, pré determinam muito do que vem a ser a sua vida.


Tudo isso aí em cima, e a forma com que as pessoas ao seu redor vão agir com você, vai te levar a se identificar com algumas coisas e não com outras.

Se você é mulher por exemplo, desde muito cedo vão construir pra você um cenário, que normalmente é cor de rosa, cheio de bonecas… se é menino tem carrinhos, bola, ferramentas… e por aí vai. isso tudo é bem óbvio, já cansamos de saber que existes estereótipos de gênero, raça, classe social, condição sexual. Você sempre será rotulado de alguma forma.

Isso por si só é muito ruim, limitante, dificulta o desenvolvimento além dessas cercas que são colocadas ao nosso redor.

Mas pra além disso, há sempre coisas que dizem da gente em especial, que nossa família, amigos, pessoas próximas dizem perceber na gente e que nos marcam, e as vezes definem nossas trajetórias.

Sempre disseram para um primo meu era lerdo, burrinho, que não ia dar em nada na vida, eu sempre pessoalmente achei esse primo engraçado e criativo, ele só apenas não ia bem na escola. Mas desde muito cedo foi-lhe dito que ele tinha limitações e por acaso ele se conformou com isso. Pois todos nós temos habilidades, temos algo que sabemos fazer bem, mas no momento em que desde criança ele foi desmotivado, ele encenou perfeitamente o seu Show de Truman pessoal. Torço pra que um dia, assim como o personagem, ele perceba que pode se livrar disso tudo.

No meu caso, eu sempre fui a gordinha, mesmo quando na verdade eu não era gorda, apenas não era magrinha como as outras crianças da minha família. Só fui perceber que eu não era gorda, quando entrei no ensino médio e vi várias meninas e meninos realmente gordos, vi que eles sofriam o mesmo bullying que eu sofria em família, e que na escola ninguém me associava a eles, ou me chamava de gorda. Ali eu percebi que a imagem que eu fazia de mim mesma estava completamente distorcida por influência da minha família. Isso gerou em mim até o início da vida adulta, vários problemas autoestima, e uma dificuldade enorme de perceber meu corpo, entendê-lo e conhecê-lo. Demorei muito tempo para me livrar do meu Show de Truman particular e ainda tenho que lutar todos os dias para não retroceder.

seu Show de truman particular

A maior “gordinha” que vocês respeitam, eu em duas fotos, numa criança e na outra adolescente.

Percebemos por esses exemplos que alguns rótulos nos aprisionam, nos fazem mal, que definir o que uma criança é ou deve ser normalmente não traz nenhum beneficio. Mas quando era criança, uma outra característica que era muito dita como minha era inteligência. Meus pais, meu avô e minhas tias-avós me diziam o tempo todo o quanto eu era inteligente, esperta, criativa. Isso me ajudou muito a ser muito confiante em relação a minha capacidade intelectual. Tinha certeza e ainda tenho, de que posso fazer o que eu quiser fazer no que se refere a usar minhas habilidades intelectuais.

Ponto para os rótulos, não é mesmo? Bem, em parte.

Meu pai também dizia o tempo todo que eu seria uma juíza, que eu falava bem, sempre que perguntavam o que eu seria quando crescesse, a resposta vinha da boca dele antes de eu pensar em responder: JUÍZA.

O que me levou a faculdade de direito, apesar de eu amar artes, amar desenhar, amar criar e escrever. Eu gostei muito de fazer a faculdade, já que eu gosto de aprender sobre quase tudo. Mas se era isso que eu queria fazer da minha vida? Não, não era.

Não culpo meu pai por isso, aliás, os pais fazem esse tipo de coisa sempre querendo nosso bem, nem imaginam que estão limitando seus filhos a seus próprios sonhos.

Mas faz a gente pensar quando percebemos que podemos ser muito mais, ou o oposto do que sempre nos disseram que deveríamos ser. A sensação de liberdade a partir daí é incrível, dá medo também. Mas digo por experiência, vale a pena sempre sair dessa cidade cenográfica, desse reality show. Seja indo morar em outra cidade ou país, fazendo um novo caminho pro trabalho, ouvindo uma banda diferente, seja nas mínimas ou nas grandes coisas, se liberte, se rebele. O mundo é tão grande, tem tantas coisas.

E sim, hoje em dia eu sou gorda, eu tenho o cabelo colorido, eu sou advogada, sou um pouco emburrada e mal humorada. Mas eu também sei ser engraçada, atenciosa, eu gosto de artes, eu amo moda, maquiagem, séries.

Enfim, nós somos muito mais do que disseram que seríamos, ou apenas diferentes daquele script que traçaram. E isso é muito bom.

Postado por Helena Sá

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