empoderamento


18/04/17
Por que associamos interesses ditos como femininos à futilidade

A gente sempre relaciona automaticamente futilidade com interesses ditos femininos, como moda, maquiagem, decoração… é o que primeiro nos vem a cabeça quando a palavra fútil  surge em alguma conversa. Mas será que isso é verdade?

Gostar de moda, de se maquiar, de ter uma casa bem decorada, torna você uma pessoa fútil? Vocês já se perguntaram por que as afinidades e atividades associadas a masculinidade e que muitas vezes tem um objetivo puramente recreativo, nunca são relacionadas a futilidade? Se você gosta de assistir de futebol, de acompanhar fórmula1, MMA, fazer churrascos, dificilmente será rotulado de fútil por isso.

Mas quando uma atividade é considerada feminina, ela sempre é vista como débil, boba, supérflua, mesmo quando a pessoa é profissional dessas áreas, faz disso uma profissão, as pessoas rotulam como algo superficial.

É muito claro para mim que atribuir determinados gostos e escolhas as mulheres e dizer que essas determinações são fúteis, é mais um dos rótulos que nos são colocados ao nascermos mulheres, vem com a obrigação de performar feminilidade. Eu entendo isso e entendo que não devemos nos restringir a esses interesses considerados femininos. Sou a primeira a dizer sempre todos os dias que podemos tudo.

Mas e se a gente gostar de moda, maquiagem, decoração, jardinagem e culinária? Somos fúteis, rasas, superficiais, por isso?

Recebo muita desaprovação explícita ou velada das pessoas por ter um blog que também fala de moda, por ser maquiadora. Já chegaram a me dizer que não faz sentido eu ser feminista e falar disso em um mesmo espaço em que falo de tendências de moda. Será mesmo que as duas coisas não combinam, sou proibida de ter esses gostos “femininos” porque luto todos os dias por igualdade para as mulheres? Fica aí o questionamento. 🤔

“A história única cria estereótipos, e o problema com os estereótipos não é que eles sejam falsos, mas que eles são incompletos. Eles fazem uma história se tornar a única história. “
– Chimamanda Ngozi Adichie

Por muito tempo mulheres tentam se desassociar dos estereótipos de gênero, do rosa, das princesas, para tentarem conseguir respeito para sua capacidade, inteligência e habilidades. Já passei por essa fase de renegar tudo que é dito como feminino, pois ao ser linkada a essas coisas, me vincularia a banalidade. Como se por eu gostar de usar batom e esmalte, não sou capaz de entender de ciências, política e outros temas da vida em sociedade.

Comecei a mudar isso quando compreendi que negar gostos e atribuir a eles valor menor de importância na sociedade apenas por estarem relacionados a feminilidade, era me aprisionar a mais um novo padrão, era concordar com toda a baboseira que dizem sobre mulheres serem fúteis.

A partir daí comecei a perceber que minhas afinidades e gostos não poderiam ser rotulados e vinculados a gênero das coisas. Nem eu nem ninguém, temos preferências estritamente dentro do gênero que nos foi atribuído. E gostar de de rosa não me faz inferior a outras mulheres que não gostam, e que essas preferências pessoais não ditam por si só nosso caráter, inteligência ou capacidades.

O problema com o gênero é que prescreve como devemos ser ao invés de reconhecer como somos. Imagine o quanto mais felizes seríamos, quão mais livres seriam nossos verdadeiros eus individuais, se não tivéssemos o peso das expectativas de gênero. “
– Chimamanda Ngozi Adichie, nós devemos todos ser feministas

BRAAAACK! Esse é o som de mais uma corrente sendo quebrada! (Desculpem a onomatopéia)

Mas é lindo quando nos vemos tão seguras e livres a ponto de não precisar negar nada, nem mesmo que adoramos cor de rosa, arco-íris e unicórnios. 💕🌈🦄

Postado por Helena Sá

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09/06/17
Ninguém quer te ouvir, e é pela sua aparência

Do You Wanna Touch Me

Se você for a palestras de coaching, esse estilo motivacional, sobre ser bem sucedido, popular, etc. Se ler livros estilo auto ajuda que tem o segredo do sucesso e outros trambiques, vai ouvir e ler sempre que a aparência, a imagem que você passa é imprescindível. A tal “boa aparência” é pré requisito. E isso normalmente significa seguir padrões, seja no estilo de roupas, corte de cabelo, maquiagem ou na forma física e na cor da pele, quando já caímos nos preconceitos.

Esse tal padrão tá em tudo mesmo, para as pessoas te ouvirem você tem que passar uma imagem bem sucedida, e ser gorda, ter cabelo colorido e tatuagens não combina nada com isso na maioria dos ambientes de trabalho e até mesmo sociais.

Me vejo em situações por muitas vezes, em que eu sei mais, tenho mais para ensinar, experiências para dividir, do que o cara branco, de terno e mais velho tem. Mas quem vai ser ouvido é ele. Eu saco mais de moda, de cosméticos e afins do que muitas das moças loiras e magras que estão nos mesmos eventos que eu. Mas porque eu não escolhi os artifícios padrão para me vestir, por não ter o peso certo, não sou ouvida, levada a sério. Mesmo quando eu tenho um blog com mais engajamento, um público, experiência, reconhecimento de grandes marcas com tudo isso, vejo nos olhos das pessoas o julgamento da aparência.

Estive essa semana presente em dois eventos, em um falei da empresa em que trabalho, no outro era uma mesa de restaurante conversando sobre viagens. Em ambos eu tinha argumentos, base, vivência e gente, eu falo bem em público, em ambos as pessoas não aparentaram interesse em me ouvir.

Na mesa do restaurante inclusive foi engraçado, pois um senhor disse que morou 9 meses em Lisboa e não conheceu nada da cidade, só ia trabalhar e dormir, nem sabe falar da cidade, poderia muito bem nem ter estado lá. E eu comento, morei dois anos em Lisboa, trabalhei para pagar meu mestrado lá, fazia uma jornada de oito horas no trampo e de quatro na faculdade diariamente, e mesmo assim conheci a cidade de cabo a rabo, viajei dentro do país e pela Europa, tinha muita vivência interessante pra dividir. Mas o tal senhor, mais velho (isso também conta), falando que só foi lá juntar dinheiro, aparentemente era mais interessante.

E eu posso citar outras diversas situações. A escola em que estudei a vida toda está veiculando publicidade com uma blogueira, obviamente chamaram uma moça nos padrões, ao invés da ex-aluna. E não é por falta de qualificação, sou advogada, especialista em direito internacional, turismóloga, tenho sete anos de experiência em influência, mídias sociais, produção de conteúdo… nada disso bate a aparência padrão. 👍🏻

O que a gente pode tirar de aprendizado disso tudo? Tem dois caminhos: você pode simplesmente começar a se enquadrar, atuar e se encaixar perfeitamente no que é confortável e cômodo para os olhos dos outros, ou você pode decidir que não vai julgar as pessoas assim e começar a quebrar esse círculo de atraso, preconceito e cafonice. Ouvir as pessoas, conhecer seu histórico e não apenas sua aparência.

E aí, qual caminho você vai tomar? Pra mim já não tem mais volta do meu. 😅

Postado por Helena Sá

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24/05/17
A cultura do interesse

Copiando quem não te serve a nenhum interesse, e prestigiando quem você acha que deve puxar o saco. E assim segue o bonde.

Outra que também tá nas mais pedidas do spotify: “Incrível o que você disse, mas vou esperar alguém mais influente falar”.

Eu gosto de chamar de Cultura do Interesse, que consiste em “colar” em quem tá em alta, em quem tem dinheiro, influência, fama… mas o grande erro de quem pratica isso, é acreditar que algumas pessoas não lhes servem, e outras tem mais valor. Ao invés de tratar todo mundo bem.

Isso sempre existiu, mas agora com as timelines das redes sociais, tá muito mais óbvio, jogado assim na nossa cara. As pessoas em sua maioria, passam o dia compartilhando, curtindo e comentando coisas que gente importante/influente/relevante posta, mesmo que seja banal,  mesmo que outras pessoas já tenham dito.

É aquela velha história, feminismo pela boca de mulher não tem muita graça, ainda mais mulher anônima. Gordofobia fica mais bonitinha denunciada por gente magra, racismo por gente branca. E mesmo quando a gente ouve quem realmente pode dizer, preferimos ignorar quem não tá em alta no rolê.

Como eu adoro uma contra corrente, adoro me aliar e enaltecer o trabalho que é novidade vindo da voz do novo e desconhecido. É só dar uma olhada em quem escolho pra me tatuar, pra me fotografar, desenhar ou escrever no blog. Alguns desses inclusive hoje em dia sobressaindo em sua área, mas quando vi primeiro, eram underdogs.

A cultura do interesse

E minha predileção pelos underdogs, outcasts, não é ato de bondade ou caridade. O frescor das novas ideias me atrai, é vantagem pra mim, e eu não consigo entender esse desespero por colar no  mainstream, fazer mais famoso quem já é.

Não digo que ignoro quem já escalou a montanha, a maioria tem motivos para estar lá, busco aprender observando. Mas eles não precisam mais de mim da mesma forma, e mais, eles não vão ser meus parceiros, mesmo que eu puxe o saco eternamente e um deles resolva me apadrinhar, não é pra eu crescer com eles, é pra me ter por perto e controlar minha subida.

Quando a gente dá valor pra quem começa junto com a gente, ou pra quem ainda é novo, esses são grandes possíveis parceiros pra crescer junto. Ninguém esquece quem primeiro te apoiou, se não for burro.

E por que tudo isso agora, Helena? Porque já tava passando da hora de falar pra muita gente acordar, entender que puxar saco de quem lhe interessa pode ser um caminho mais curto, mas não é o mais rico e criativo, não é inovador e além de antiético, é cafona.

Então, para de copiar quem tá na mesma batalha, para de ignorar o artista desconhecido e babar quem não tá nem aí pra você.

Crescer em comunidade ao invés de galgar uma escalada individual cheia de sapos engolidos e sacos puxados é muito mais legal. Nós estamos virando quase a segunda década do século 21, lacrar e tombar já não são as coisas mais importantes. Apoiar a sua gang, no nosso caso Girl gang, é o que vai nos fortalecer. 😉

A cultura do interesse

Postado por Helena Sá

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04/05/17
Incomodada ficava sua avó

Incomodada ficava sua avó

Pra quem não entendeu a referência do ➡️ título.

Um fenômeno que para alguns só acontece com uma mudança e paradigma: parar de usar/fazer/aceitar coisas que incomodam.

O incômodo pra muita gente é relativizado, é bobeira, melhor se incomodar um pouquinho do que mudar, mudar dá muito trabalho.

Mas acontece que incômodos são muitos, e somados, todos esses pequenos e irritantes acontecimentos, se transformam em uma vida sem jeito, sem lado. Quer ver como?

Um sutiã de aro, aquele arame cortando a pele o dia todo pra poder parecer que tem peito empinado, grande. Aquele salto, aquele bico fino no sapato pra ficar mais alta e elegante. A cinta massacrando o dia inteiro… eu posso passar o dia aqui listando coisas e situações em que a gente se coloca, porque mudar causa transtornos, é complicado, tem que se explicar pras pessoas.

E esse incômodo tolerável que a gente se coloca nele vai além de estética, você deixa passar o abuso de alguém pra evitar o desgaste do confronto, que pode ser único, mas você prefere passar várias vezes pela pequena chateação, do que bater de frente e ser o chato do rolê.

Daí que com os anos as coisas vão acumulando, é privação, incômodo e chateação uma em cima da outra, transborda alguma hora e pode gerar o dia de fúria, aquele em que você perde a razão, e sua reação é incompreendida. Ou então você guarda tanto que fica doente, vem a depressão e/ou ansiedade.

É muito tempo negando quem você é de verdade. Negando que você detesta sair pra balada, que você prefere passar o dia com seu cachorro à ir em uma calourada ou churrasco, uma vida inteira esticando a raiz do cabelo, fazendo a barba, dieta da moda, se depilando, não tendo tatuagem, não comendo o que gosta, usando roupa que detesta, mantendo amizades que você tolera por conveniência, rindo de piada sem graça pra manter o networking, fingindo que não ouviu a indireta pra não se indispor com parente… ufa, mais uma lista interminável.

E sempre pensando, quando eu tiver dinheiro não vou mais aturar isso, quando eu for independente, quando eu sair de casa, quando eu me mudar, quando eu trocar de emprego, quando eu emagrecer, quando eu for mais velho, quando eu casar… e a vida passa.

O que eu posso dizer sobre isso? CAI FORA! Tem diversas situações que a gente tolera porque faz parte de crescer, pra manter um trabalho, pra cuidar da saúde. Essas a gente muda com paciência, aos poucos. Mas tem várias outras coisas que a gente deixa passar por medo e preguiça da mudança.

Então o dever de casa de hoje é esse: questione, pois às vezes a gente nem sabe o que está nos incomodando, reflita, isso é bom pra mim? Faço por obrigação? Pra manter uma imagem? Pra agradar os outros?

Tá na hora de esquecer um pouco a conveniência, o cômodo que está pra lá de incômodo. E não é egoísmo isso não, faz parte de crescer e até mesmo de ser uma pessoa melhor pra quem nos cerca, por que ninguém é feliz com uma pequena pedrinha dentro do sapato.

Incomodada ficava a sua avó

Postado por Helena Sá

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26/04/17
Como eu passei a gostar de comer em público

Sim, comer em público é uma batalha pra muita gente, principalmente mulheres. Nós somos constantemente cobradas por nossa aparência, e o maior medo de muitas mulheres é engordar.

E com isso, gorda ou magra, a gente tá sempre justificando o que come, sempre dizendo que se alimenta bem, que o doce foi só daquela vez. Então muita gente pra evitar dar essas explicações, simplesmente evita comer na presença de outras pessoas.

No caso de pessoas gordas piora, pois não interessa o que você tenha no prato, seja uma salada ou uma feijoada, vai ter sempre alguém pra julgar e fazer comentários críticos.

“Isso mesmo, tem que comer uma saladinha pra emagrecer.” (a pessoa assume que você não gosta de salada, tá comendo porque é gordo.)

“É por isso que não emagrece!” (Tá todo mundo numa pizzaria, tá todo mundo comendo a mesma coisa, e só você é o glutão do rolê.)

E isso pode piorar muito se você está por exemplo numa praça de alimentação, pois corre o risco de pessoas estranhas opinarem sobre o seu prato e o seu corpo, rirem e te apontarem.

Parece futilidade, e é se olharmos de fora, mas vem desse terror de engordar  e de comer perto das pessoas, os distúrbios alimentares, como bulimia, anorexia e até mesmo a compulsão.

E o medo de comer em público está muito ligado a compulsão, pois faz com que a pessoa procure aproveitar toda e qualquer oportunidade em que esteja sozinha para comer. Assim, não precisa se alimentar na frente díz outros.

Por isso tudo, é uma vitória pra mim comer em público e fazer isso me sentindo muito bem, sem medo do julgamento alheio. Por isso também, que eu adoro postar as minhas receitas no instagram. Já passei por muitos traumas relacionados à pessoas próximas me humilhando na hora de comer, em casa dentro da minha família e com um ex namorado abusivo.

Certa vez eu estava em uma brigaderia muito conhecida na minha cidade, pedi minha bebida preferida de lá, que vinha num copo alto desses de milkshake, com chantili em cima e uma bolinha de brigadeiro no topo. Era o final de um dia cheio, cansativo, e eu estava feliz por encontrar com esse namorado e podermos sentar, conversar e comer algo gostoso. Mas na hora que a bebida chegou na mesa e eu dei o primeiro gole, ele se levantou e foi embora. Nunca senti tanta vergonha em público na vida. Depois quando saí da loja ele estava me esperando na esquina e me disse que era nojento e vergonhoso pra ele estar perto de mim, gorda e ainda por cima sem noção de comer uma coisa daquelas na frente de todo mundo.

Foi um dos episódios mais traumáticos que já passei, mas serviu pra me alertar de que o que mais me fazia mal não eram meus hábitos alimentares, e sim o medo, a vergonha, a humilhação e o preconceito das pessoas ao meu redor. Aquilo era destrutivo e eu não iria mais suportar isso, eu não iria mais comer escondido, eu não iria mais justificar um doce ou um pedaço de pizza e principalmente, ninguém mais iria falar assim comigo sem levar um voadora na nuca.

A minha libertação começou aí, depois desse dia não demorou muito pro namoro terminar, eu demorei a perceber o quão abusivo era, e não só por episódios como este. Cheguei a ficar mal com o término, a querer voltar, mas a liberdade e o amor próprio logo gritaram nos meus ouvidos e eu me livrei.

Desde então, nem mãe, nem irmão, nem tia chata e muito menos namorado, ousam falar comigo sobre  o que estou comendo ou não, nenhum fiscal de prato me derruba mais.

E se você que está lendo isso ainda não se libertou, saiba que eu estou aqui torcendo por você. Um dia, pode ser hoje até, a força vem e você não tolera mais ser humilhada por nada. Você vai aprender que ser gorda não é vergonha, que mulher comendo não é feio, que a sua vida e o seu corpo não são da conta de ninguém.

E essa é a história de como passei a gostar de comer em público, se você ainda não chegou nesse dia, tudo bem, mas não demora a chegar, porque aqui a vista é mais bonita, e a vida é mais leve e simples.

Como eu passei a gostar de comer em público

Postado por Helena Sá

Veja também

18/04/17
Por que associamos interesses ditos como femininos à futilidade

A gente sempre relaciona automaticamente futilidade com interesses ditos femininos, como moda, maquiagem, decoração… é o que primeiro nos vem a cabeça quando a palavra fútil  surge em alguma conversa. Mas será que isso é verdade?

Gostar de moda, de se maquiar, de ter uma casa bem decorada, torna você uma pessoa fútil? Vocês já se perguntaram por que as afinidades e atividades associadas a masculinidade e que muitas vezes tem um objetivo puramente recreativo, nunca são relacionadas a futilidade? Se você gosta de assistir de futebol, de acompanhar fórmula1, MMA, fazer churrascos, dificilmente será rotulado de fútil por isso.

Mas quando uma atividade é considerada feminina, ela sempre é vista como débil, boba, supérflua, mesmo quando a pessoa é profissional dessas áreas, faz disso uma profissão, as pessoas rotulam como algo superficial.

É muito claro para mim que atribuir determinados gostos e escolhas as mulheres e dizer que essas determinações são fúteis, é mais um dos rótulos que nos são colocados ao nascermos mulheres, vem com a obrigação de performar feminilidade. Eu entendo isso e entendo que não devemos nos restringir a esses interesses considerados femininos. Sou a primeira a dizer sempre todos os dias que podemos tudo.

Mas e se a gente gostar de moda, maquiagem, decoração, jardinagem e culinária? Somos fúteis, rasas, superficiais, por isso?

Recebo muita desaprovação explícita ou velada das pessoas por ter um blog que também fala de moda, por ser maquiadora. Já chegaram a me dizer que não faz sentido eu ser feminista e falar disso em um mesmo espaço em que falo de tendências de moda. Será mesmo que as duas coisas não combinam, sou proibida de ter esses gostos “femininos” porque luto todos os dias por igualdade para as mulheres? Fica aí o questionamento. 🤔

“A história única cria estereótipos, e o problema com os estereótipos não é que eles sejam falsos, mas que eles são incompletos. Eles fazem uma história se tornar a única história. “
– Chimamanda Ngozi Adichie

Por muito tempo mulheres tentam se desassociar dos estereótipos de gênero, do rosa, das princesas, para tentarem conseguir respeito para sua capacidade, inteligência e habilidades. Já passei por essa fase de renegar tudo que é dito como feminino, pois ao ser linkada a essas coisas, me vincularia a banalidade. Como se por eu gostar de usar batom e esmalte, não sou capaz de entender de ciências, política e outros temas da vida em sociedade.

Comecei a mudar isso quando compreendi que negar gostos e atribuir a eles valor menor de importância na sociedade apenas por estarem relacionados a feminilidade, era me aprisionar a mais um novo padrão, era concordar com toda a baboseira que dizem sobre mulheres serem fúteis.

A partir daí comecei a perceber que minhas afinidades e gostos não poderiam ser rotulados e vinculados a gênero das coisas. Nem eu nem ninguém, temos preferências estritamente dentro do gênero que nos foi atribuído. E gostar de de rosa não me faz inferior a outras mulheres que não gostam, e que essas preferências pessoais não ditam por si só nosso caráter, inteligência ou capacidades.

O problema com o gênero é que prescreve como devemos ser ao invés de reconhecer como somos. Imagine o quanto mais felizes seríamos, quão mais livres seriam nossos verdadeiros eus individuais, se não tivéssemos o peso das expectativas de gênero. “
– Chimamanda Ngozi Adichie, nós devemos todos ser feministas

BRAAAACK! Esse é o som de mais uma corrente sendo quebrada! (Desculpem a onomatopéia)

Mas é lindo quando nos vemos tão seguras e livres a ponto de não precisar negar nada, nem mesmo que adoramos cor de rosa, arco-íris e unicórnios. 💕🌈🦄

Postado por Helena Sá

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14/03/17
Ninguém liga pra sua opinião

Ninguém liga pra sua opinião

Isso é bem verdade, acho que em tudo, ninguém liga pra sua opinião mesmo. Mas no que diz respeito ao corpo, modo de agir e personalidade alheias, realmente, além de ninguém ligar, não é da sua conta. 😉

E o vídeo dessa semana é sobre isso. Será que você sabe aproveitar oportunidades de ficar calado? Ou você sai distribuindo opinões não solicitadas por aí? E o pior, diz que está só querendo ajudar.

Aperta o PLAY, assiste em HD pouco mais de três minutinhos de vídeo, pra gente ir direto e reto no assunto. 🚀

Quero saber o que vocês acharam do vídeo e do que eu falei! Quem gostou se inscreve no canal e dá joinha no vídeo. 😉👍🏻

Postado por Helena Sá

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