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04/05/15
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Não quero gordo vestindo minha marca

O título do post tá sensacionalista, eu sei. Mas não deixa de ser essa a afirmação que as marcas em geral (exceto marcas plus size) fazem ao limitar o seu maior tamanho ao 40, 42, no máximo 44.

E não é só uma mensagem velada que a gente entende ao ver modelagens cada vez menores, o CEO da Abercombrie (marca norte americana), afirmou categoricamente:

“Ele não quer pessoas grandes comprando na sua loja, ele quer pessoas magras e bonitas”, disse o autor sobre o CEO da label, Mike Jeffries. “Ele não quer que seus principais consumidores vejam pessoas que não são tão atraentes quanto eles usando suas roupas. Para ele, as pessoas que vestem suas peças devem se sentir parte das cool kids.”

E eu não preciso dizer, mas direi, o quão nojenta, preconceituosa e criminosa é não só a frase da figura aí acima, mas essa escolha da maioria esmagadora das marcas. Marcas tem nicho de mercado, sim! Mas não vamos confundir público alvo com preconceito, com imposição de padrões.

seu-corpo-não-está-errado-só-porque-uma-roupa-não-te-serve

Não precisamos ir longe para ver isso, desde a lojinha da esquina da sua casa, até a grande fast fashion e principalmente nas grifes, a moda é excluir mais da metade da população mundial, que veste acima do manequim 44.

E muitas vezes além da desculpa do público alvo, há ainda a de que produzir tamanhos maiores fica caro, que não há procura. E isso tudo pode ser rebatido com a realidade de lojas para mães que se limitam ao 42 e focam na cliente que veste 38. Quantas mães vocês conhecem que vestem 38? São poucas, não é?

E quanto a dificuldade de produzir tamanhos maiores, qual a explicação para lojas de camisetas de malha (essas que estão na moda e são vendidas online), terem o maior tamanho feminino vestindo muito mal alguém do manequim 42? A coisa mais fácil seria produzir esse tipo de roupa em tamanhos maiores, mas aí você correria o risco de ver uma moça gorda, uma senhora, ou uma mãe de 2 filhos vestindo a mesma camiseta que você, e isso definitivamente não é legal, como eu vou ser cool se pessoas comuns vestem a mesma camiseta que eu? Essa é realmente uma preocupação pertinente. #ironia

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*Na imagem acima, tabela de medidas de uma marca descoladinha: a camiseta básica tem seu GG vestindo de forma confortável no máximo quem veste 44. E seria criminoso vender cropped acima do manequim 38, já pensou? Uma gorda barriga de fora por aí?

Ah! Lembrando que é só ir nas lojas online ou nas de rua mesmo e constatar que os tamanhos maiores são os primeiros a acabar.

Então agora, com todos esses “argumentos”devidamente rebatidos: por que você dono ou responsável por uma marca não quer vender mais, lucrar mais, vendendo também para quem veste acima do 44?

Será que as pessoas “estilosas, descoladas e lindas” perderiam todas essas características só porque uma pessoa comum que veste 44, 46 ou 50, está com uma camiseta igual?

Desculpa sociedade, mas eu visto 46 e tenho um estilo único, só meu, e sem modéstia nenhuma, me visto muito bem, arraso, lacro e sou foda! ahahaah É só conferir os looks aqui do blog pra comprovar. E não preciso de roupas caras ou exclusivas, não preciso que limitem a modelagem das peças que eu visto, para me sentir bem vestida, pois no momento que eu combino roupas e acessórios, no momento em que eu visto, aquela peça já não é igual a que outra pessoa comprou, pois eu sou única. 😉

E aí pessoal da moda, das marcas, das grifes. Vocês não querem mesmo gordo vestindo a sua marca? E vocês meu povo que lê o Garotas, o que acham disso?

Ah, e eu não quero ser como os descolados (cool kids), só porque eles parecem se encaixar. Não quero me enquadrar, quero ser ouvida. <3

Postado por Helena Sá

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27/10/16
O Encontro e como quebrei a cara

encontro quebrei a cara

Encontro de blogueiros? Que coisa mais década passada! Sim! Nóis é old school aqui, do tempo dos primeiros blogs, acompanhava todos, depois criei o meu pra contar a vida no mestrado fora do Brasil. Em seguida veio esse lindo aqui, em que vocês estão agora, e dele eu não larguei mais. 💜

Mas o mundo muda, na internet parece mudar mais rápido, e hoje em dia o close é o Youtube, todo mundo tem canal, no Garotas tem também, inclusive estamos trabalhando em dar um gás por lá em breve, aguardem!

Porém aqui na minha cidade, as coisas parecem que andam diferente, o povo demora a aceitar o que há de novo, tem gente que não faz ideia ainda do que um blogueiro faz, youtuber então devem pensar que é algo contagioso. 😅

Nessa luta que é fazer um blog que cresce e tem aparecido no Brasil, eu também penso que queria muito ter reconhecimento do meu trabalho na minha cidade, Juiz de Fora, nasci aqui e quero que as pessoas daqui vejam que eu faço um trabalho que vai além de só me remunerar. Tenho orgulho de dizer que ajudo pessoas a se amarem, a se vestirem melhor, a se acharem dignas de tudo de melhor nessa vida. Mulheres, garotas e até os manos, são bem vindos aqui. A gente quer mudar o mundo um pouquinho todos os dias, de post em post, de mensagem no instagram a compartilhamento no facebook.

Acho que por isso que a ideia do encontro veio pra mim e pra Ca, a gente quer crescer e aparecer, e queremos também isso aqui pertinho, em casa. E a gente sabe que faz um bom trabalho, sério, preocupado com quem lê, vê, ouve, sente…

E parece que esse ano a cidade também sentiu isso, demoraram, mas sacaram a gente, a nossa tal influência. As marcas, lojas, lugares, agências e pessoas mais legais, mais espertas, quiseram entrar no nosso barco, e apoiaram o Encontro de Blogueiros de Juiz de Fora e Região. E a mídia, tanto a tradicional, quanto a online, em massa, noticiou, comentou e contou a nossa história.

Duas mulheres sozinhas, duas blogueiras, que já viram muito nariz torcido, muito deboche (blogueira é profissão?), uma é dondoca que não usa salto, a outra é uma gorda super estranha com umas ideias doidas de que ser gordo não é feio, que mulher não precisa viver em dieta, que a gente usa o que quiser, e que a gente se ama por quem nós somos. Numa época de fitness, salto super alto, cílios postiços no café da manhã, contorno pra ir na padaria. To aí numa contra mão, cometendo meus sincericídios, cagando pra aparências e mostrando pra minha cidade, que tem outra forma de viver, não precisa cuidar da vida do vizinho, não precisa manter aparências, aparentar ter mais do que tem, estar mais feliz, mais viajado…

É possível ter um blog sem ostentação, um blog vida real e não lifestyle e mais, tem muita gente aqui que quer ver isso.

Afinal, descubro que JF não é tão atrasada assim, quebrei a cara, mordi a língua e gostei. Pois tive que meter o pé, mas finalmente estão abrindo as portas pra mim.

Postado por Helena Sá

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27/07/16
Gorda, a última na fila da empatia

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Participo de alguns grupos de minas gordas, muitas maiores do que eu, e que sofrem muito mais com a Gordofobia do que eu.

O sofrimento dessas minas vai muito além da pressão estética, da pressão familiar e social para se enquadrar no padrão. Elas têm problemas de mobilidade, nenhum lugar está preparado para recebê-las, desde o cinema sem cadeiras para quem não cabe nas regulares, ao ônibus com a roleta estreita e os bancos também. No hospital não há equipamentos, macas ou cadeiras de rodas que comportem o corpo gordo, aquele acima do manequim 52 já começa a sentir isso na pele.

Além disso, é essa/esse gorda/gordo que vão sofrer com a agressão, e o ódio a gordos no seu nível mais destrutivo. As pessoas xingam na rua ou na internet, fazem piadas, e realmente acreditam que o gordo está numa escala inferior na sociedade tanto em beleza, quanto em inteligência e capacidade.

Isso tudo que eu falei foi duro de ler? Então saiba você, que chegou aqui e provavelmente é uma pessoa consciente, coerente, uma pessoa que está sempre nas redes sociais apoiando de alguma forma as lutas contra machismo, homofobia, racismo, transfobia. Você é uma fatia da sociedade que está mais evoluída, se compararmos você aos comentaristas de portal, ao pessoal no botequim e do salão do meu bairro, nossa, você é foda.

Agora me diga, na fila da sua empatia, aonde está a gorda? Falo gorda, pois meu público é em maioria feminino e por sermos mulheres sofremos mais com a Gordofobia que os homens. Mas o assunto aqui é sério.

E por que você está vindo com esse assunto agora, Helena?

Bom, que a sociedade em geral é gordofóbica, que a moda exclui gordos, tudo isso já contei aqui, já alertei até sobre marcas inclusivas, que abusam do marketing feminista, que não oferecem suas peças para o público gordo.

Mas e você pessoa evoluída, empática e problematizadora, já parou pra pensar se toda essa vontade de mudar o mundo, de lutar contra o preconceito, inclui os gordos?

Nessa vida dividida entre moda, blog, maquiagem, e feminismo (sim, eu misturo tudo isso). Direto me deparo com gente super moderna, desconstruída, evoluída, inovadora, inclusiva e diferentona. E posso afirmar que, em relação à machismo, homofobia, transfobia e racismo (esse nem tanto), está tudo resolvido na cabecinha desse pessoal. Mas nós gordas, é um susto pra eles quando a gente tem talento, entende de moda… A maioria quando me conhece, não dá nada por mim, quem é essa gorda? (É isso que a expressão na cara deles passa pra mim). Mas é só me adicionarem nas redes sociais, darem uma olhada aqui no blog, que vem correndo me elogiar, elogiar os looks, me falar que sou lacradora…

Ou seja, para eu ser levada a sério, para essas pessoas me perceberem com alguém inteligente, uma pessoa bonita e empoderada, eles têm que praticamente ver um currículo. Isso não acontece com as minas e manos magros que eles são apresentados, pois as tatuagens, roupinhas hipsters minimalistas somadas ao padrão, já precedem. Às vezes trata-se de um completo babaca, mas vem com o pack roupinha trend, padrão e tattoos, então já é show!

gorda, a última na fila da empatia

Mas eu rodei, rodei, e não cheguei ao motivo desse post. Que é dizer que tem feminista gordofóbica, gay gordofóbico, trans gordofóbica… a Kalli falou disso, de um caso que aconteceu esses dias e que vale a pena vocês irem conferir. Resumindo, uma mulher trans foi gordofóbica e quando questionada confirmou e atacou uma moça gorda que se disse ofendida com o comentário. Além disso, essa mulher trans é modelo e fez parte da campanha de uma marca inclusiva e genderless, que foi avisada das atitudes da moça e resolveu não se envolver. Leiam a treta toda no post da Kalli. E digo que é mais triste ainda ver a gordofobia saindo da boca de quem sofre muito com preconceito e opressão.

Contei tudo isso aqui, para provar que sim: a GORDA, é a última na fila da empatia, da SUA empatia, se é mesmo que ela está na sua listinha.

Porém, não fiz esse post para atacar, apesar de colocar o dedo na ferida, a intenção aqui é fazer o debate evoluir, é fazer você pensar. Pois você pode não ter expressado abertamente a sua Gordofobia, como a moça fez, mas já pensou. Você pode até mesmo não ter pensado dessa forma, mas já se omitiu ao ver um amigo ou amiga postar algum fat shaming.

Então, vamos mudar isso? Vamos começar a lembrar que o feminismo tem que incluir todo mundo, e digo mais, as negras e as gordas deveriam receber a maior empatia desse movimento, ter mais espaço e representatividade, e a gente não tinha que ter que dizer isso para quem supostamente é desconstruído e defensor dos oprimidos, não é mesmo?

Postado por Helena Sá

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18/07/16
GIRL POWER só para magras

GORDOFOBIA É A QUE ESTÁ MAIS NA MODA

De uns tempos para cá na internet brotaram pequenos, médios e grandes negócios voltados para o público feminino engajado, feminista, consciente. Isso é incrível, as marcas mais antigas estão se preocupando mais com representatividade, as novas já começam defendendo isso, como eu disse, é lindo.

Tenho visto muita marca criada por mulheres, minas produzindo pra minas, isso é demais, sempre procuro indicar aqui essas marcas, priorizar consumir delas pra mim, e consequentemente mostrar aqui nos looks do blog.

Mas mesmo com toda essa movimentação, nessa pequena revolução, as gordas ainda estão esquecidas. São poucas as marcas que se preocupam em produzir acima do tamanho 46. Existem sim marcas direcionadas ao público Plus Size. Mas o que acontece com as milhares de novas lojas produzindo e levantando a bandeira da inclusão, que não atendem as gordas? Sim, são a esmagadora maioria.

skinny-girl-power

Girl Power só para magras?

E será que podemos falar em inclusão quando deixamos uma minoria oprimida de fora? Será que você aí que abriu uma loja agora, ou que já está no mercado há mais tempo e que produz camisetas com frases empoderadas, feministas, mas não as faz acima do 46, você acha mesmo que pode se dizer uma marca inclusiva? Que atende a todos e todas?

Qual o sentido de vender uma camiseta escrito GIRL POWER, se na verdade você quis dizer SKINNY GIRL POWER (poder das garotas magras)?

Eu acredito que TODAS as marcas de roupa devam atender todo mundo, mas infelizmente não é essa a realidade e apesar de já ter melhorado muito, ainda somos marginalizadas quando se trata de moda. Mas o que eu quero apontar aqui nesse post, não são TODAS as marcas, mas TODAS aquelas que se dizem INCLUSIVAS, feministas…

Se você faz esse tipo de marketing, ganha com ele, o mínimo que deve fazer é não excluir. Ou então pare de vender camisetas dizendo fight like a girl, girl power, pussy é poder, dentre outras.

“A mas Helena, lá vem você com esse papo outra vez, existem nichos de mercado.”

Então quer dizer que por exemplo, se você atende ao mercado jovem, não pode ter roupa acima de 44, pois jovens são todos magros, é isso mesmo? Você está me dizendo então que não existem gordos em todas as segmentações? Ou será que você apenas não quer sua marca associada a imagem de gordos? Pensa bem.

Se for por aí meus amigos, vou ter que recolher a carteira de feminista, inclusiva, diferentona da sua marca, pois adivinha, você não traz nada de inovador, você não acrescenta nada, você só está dizendo para milhares de mulheres e garotas gordas, que elas nem o direito de ser incluídas por quem faz moda “inclusiva” têm, que elas estão mesmo totalmente erradas, já que até mesmo as tais marcas genderless, que atendem a todos, não querem vestir o corpo gordo.

De todas as fobias, a Gordofobia é a que está mais na moda. Entenderam?

Postado por Helena Sá

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06/04/16
[TAG] Quando eu era TROUXA

tag quando eu era trouxa

O primeiro vídeo dessa nova fase do canal do Garotas no Youtube está no ar! \o/

E para começar de leve, criei uma TAG que eu achei muito legal responder e tenho certeza que pode dar em muito vídeo engraçado e legal tanto pra rir, quanto pra aprender com a trouxice alheia.

A TAG se chama Quando eu era TROUXA, mas isso não significa que eu nem vocês não sejamos ainda uns completos trouxas nessa vida. É só que a gente aprendeu um pouquinho com os papéis de trouxa que a gente fez, ou não! 😀

O vídeo tá aí com 6 papéis de trouxa que eu já fiz com maestria! Apertem o  PLAY.

Espero que as minha mancadas sirvam pra inspirar vocês a não fazer o mesmo, e se tão fazendo, que parem já!

Outra dica pra não ser trouxa é SE INSCREVER NO CANAL do blog, porque vai ter vídeo novo toda quarta-feira!

E aí gente, vocês tem coragem de me contar que moles já deram nessa vida quando eram trouxas?

Postado por Helena Sá

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03/02/16
Meninas, se relacionem com pessoas da sua idade

A gente sabe a sociedade em que vivemos, em que meninas são sexualizadas muito cedo, em que mulheres são infantilizadas, em que uma mulher envelhecer é quase um crime. Sabemos também que crimes relacionados a pedofilia, homens fetichizando meninas, dentre outras práticas são normalizadas e muito aceitas na nossa sociedade.

Garotas de 10 a 17 anos se casam com homens aqui mesmo no Brasil, não precisamos ir a um país da África ou do oriente, isso acontece bem debaixo dos nossos olhos todos os dias. Outro dia mesmo uma menina participante do Master Chef Júnior, foi alvo de comentários sexuais nas redes sociais. Ontem no BBB um pedófilo confesso estava sendo validado pelo apresentador do programa e a mulher que o acusou sendo tachada de louca.

angelina jolie com 14 anos

Outro dia no meu FB um cara de uns 35 anos postou essa foto com a legenda: Angelina Jolie com 14 anos. Meu amigo, a Angelina de 40 anos não sabe da sua existência e ainda sim você acha que o ideal pra você é a versão de 14 anos dela? Qual o seu problema?

Tudo isso que eu falei e muito mais a gente já sabe, já leu, já viu acontecer ou já passou por isso. O que raramente vejo acontecer é o que eu vou dizer agora:

MENINAS, SE RELACIONEM COM PESSOAS DA SUA IDADE! Eu inconscientemente segui uma regra durante a adolescência e início da vida adulta, é a regra dos 4 anos (2 pra cima e 2 pra baixo). Que consiste em só me relacionar com pessoas até 2 anos mais velhas ou mais novas do que eu. Foi uma escolha pessoal, não foi proposital, mas eu repelia qualquer tipo de assédio de homens mais velhos. E posso dizer agora, que foi a melhor coisa que fiz pra minha versão mais jovem e que me trouxe sem traumas até a vida adulta.

E tem vários motivos para que essa seja a melhor decisão que você toma:

  • Por mais madura e inteligente que você seja, você só existe nesse planeta por sei lá 14 anos, chutando uma idade que você começou a namorar. Um cara que tem 30 ou mais, já vivenciou experiências como ter filhos, casamento, e outras tretas que você nem sonha. Essa pessoa, por mais que você seja esperta, vai te dar um baile de manipulação, ele sabe muito bem o que dizer e fazer pra te envolver e te levar para o caminho que ele queira;
  • Quando você namora alguém da sua idade, normalmente vocês descobrem várias coisas juntos, o que é novo para um é também para o outro, e isso é lindo e único! E salvem essa, nunca mais você vai poder viver isso na sua vida;
  • Você já parou pra pensar em porque esse cara mais velho está interessado em você? Foi amor a primeira vista mesmo ou ele só sai com “novinha”? Há chances absurdas dessa pessoa já ter um padrão de ir atrás de moças novas justamente porque por mais madura que você seja, ele já viveu e sabe muito mais da vida que você. Ele não se interessa por mulheres mais velhas porque essas já sacam muito bem a dele, (pedófilos são também misóginos e muitas vezes também racistas, homofóbicos, essas coisas andam juntas);
  • Mais uma vez, se você não namora um menino ou menina de 14 anos quando você tem 14 anos, QUANDO É QUE VOCÊ ACHA QUE VAI PODER FAZER ISSO DE NOVO? Pois é miga, nunca! Até porque homem mais velho com menina é aceito e acontece a torto e direito, mas mulher mais velha na nossa sociedade não namora nem homens da mesma idade, nosso valor ainda está diretamente ligado a juventude e padrão de beleza;

 

Meninas, se relacionem com pessoas da sua idade

E essa afirmação de que meninas gostam de homens mais velhos não se aplicou a mim, até porque na verdade é uma afirmação que vejo homens fazerem, não conheço meninas que demonstrem esse tipo de preferência. Na verdade o que mais acontece é que os alvos desse tipo de predador são meninas e moças que tem situação financeira ruim, passam por problemas familiares, pais ausentes.

Daí esse homem já formado, aparentemente sábio, com melhor condição financeira vem e se mostra interessado por uma menina que quer se sentir especial, ele acaba virando o príncipe salvador, protetor e provedor que ela tanto precisava. Mas a vida não é conto de fadas, aliás, nem o conto de fadas é conto de fadas. E esse tipo de relacionamento só tem um motivo, CONTROLE.

Pode parecer que eu to passando aqui aquela mensagem errada que sempre culpa a vítima, tipo, não quer ser estuprada, não saia, não beba, não use roupa curta; não quer engravidar tome pílula ou faça abstinência! E NÃO É ESSA A MENSAGEM QUE EU QUERO PASSAR! Só acredito que mesmo sendo recriminável, mesmo sendo nojento e danoso para as meninas, a sociedade aceita e ainda diz que esse tipo de relacionamento é escolha da menina de 14, 15, 16 anos, que elas não são inocentes, dentre outras falácias. Então vamos abrir um diálogo com as meninas, vamos falar com elas o que a gente queria que tivessem falado com a gente nessa idade:

HOMENS MAIS VELHOS NÃO QUEREM TE NAMORAR PORQUE TE AMAM, ELES SÓ QUEREM ALGUÉM FÁCIL DE MANIPULAR!

My Mad Fat Diary

Elenco da série My Mad Fat Diary

VIVA INTENSAMENTE ESSA FASE DA SUA VIDA, COM PESSOAS QUE TAMBÉM ESTÃO PASSANDO PELAS MESMAS EXPERIÊNCIAS E VIVÊNCIAS. ESSE MOMENTO PASSA MUITO RÁPIDO E VOCÊ NUNCA MAIS VAI PASSAR POR ELE, NÃO DESPERDICE COM QUEM SÓ QUER SUGAR A SUA JUVENTUDE, TE CONTROLAR E SE SENTIR PODEROSO POR EXIBIR UMA “NOVINHA”.

Se você tem entre 10 e 17 anos e veio parar nesse post, ouça os conselhos da tia aqui! E as minas que acompanham o Garotas, repassem para suas irmãs, primas, amigas, filhas, colegas… 😉

Postado por Helena Sá

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19/10/15
Por uma geração de blogueiros Unicórnios

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Por uma geração de blogueiros comprometidos com seus leitores, com a ética, que não criem personagens de um lifestyle irreal, que não sejam reféns de marcas, que tenham comprometimento maior com sua credibilidade do que com anunciantes.

Por mais blogs que priorizem o conteúdo, a opinião, a originalidade. Que não tenham medo de pisar em alguns calos para passar sua verdade ao leitor, a quem o assiste em vídeo, segue nas redes sociais e acredita no seu trabalho.

Será que eu estou pedindo demais? Será que é tão difícil assim sair de cima do muro? Será que é realmente um suicídio comercial dizer o que realmente pensa, ter opinião e não ser apenas um jabazeiro, uma vitrine de marcas, um classificados chique?

Posso estar completamente enganada, todo mundo erra e sempre foi da minha natureza meter o pé na porta, nunca fui uma pessoa de networking, não sou simpática, tenho poucos amigos próximos e nunca causo uma boa primeira impressão, acredito que primeiras ótimas impressões são apenas teatro, pois a maioria das pessoas se esforçam demais para se vender, para serem amadas. Eu não, e nem é por um motivo nobre como autenticidade e honestidade, é porque eu tenho preguiça mesmo, muita preguiça.

Mas como eu dizia, posso estar errada, mas acho que a grande tendência em relação a blogs, quem vai realmente conseguir manter um blog ou canal no youtube, vai ser quem for autêntico, quem voltar as origens dos primeiros blogs de opinião pessoal sincera. As pessoas estão até o pescoço de tanta propaganda camuflada, instabloggers que não sabem nem o que é wordpress, compram seus seguidores e colocam na bio o famoso ~contato para parcerias~.

Mas quando eu falo de opinião não é tirar besteira de trás da orelha, expelir estereótipos, propagar preconceito. É em qualquer que seja o seu conteúdo, que seja um blog de resenha de esmaltes, você possa ali no seu espaço dizer que não gostou da qualidade de um produto, do posicionamento de uma marca, de seu tratamento ao consumidor. Pois foi por isso que os blogs se tornaram referência em um primeiro momento, as pessoas queriam ouvir e ler dos seus iguais a opinião sobre um serviço, produto, filme, game, livro…

Pois se você quer ler algo parcial, que dependa e não queria se indispor com anunciantes, vá ler jornal e revista, ver TV… porque se você fizer o mesmo que eles, ninguém quer ler, ou pelo menos não deveria querer ler um formato amador que é mera cópia de mídias tradicionais.

Algumas pessoas podem perguntar – Como conseguir clientes, anunciantes, parcerias para o seu blog se não vai falar bem da marca, do serviço… – aí é que está, escolha com quem você quer trabalhar, pesquise antes se aquilo tem a ver com seu blog, seu nicho, com o que você acredita. E mesmo assim pode ser que você não teça somente elogios, você pode criticar a postura de um anunciante, se declarar contra.

unicórnio

Por exemplo, já fui blogueira seleciona pela Risqué, mesmo assim quando eles lançaram aquela coleção com tema equivocado no dia da mulher, me posicionei sobre o caso na página do blog. Cabe aí as agências, as marcas e quem mais lide com influenciadores perceber a oportunidade, o unicórnio entre os formadores de opinião que ele estará contratando ao se vincular com esse tipo de blogueiro, youtuber, ou que for, que tenha esse tipo de postura profissional e de vida.

Com isso tudo aí estou meio que vendendo meu peixe, já que é esse o tipo de postura e de linha editorial do meu blog? Com toda certeza, mas é realmente o que eu acredito não somente para o Garotas, é o que eu consumo na internet e fora dela, e cada vez mais as pessoas estão tendo esse olhar crítico. Estão procurando os o blogs e outros formatos que ainda não vendem opinião, mas apenas os anúncios na sidebar, que quando fazem um publipost, sinaliza e fala de produtos com critério, coisas que realmente comprariam ou recomendariam a um amigo.

E como ser assim? Adote na vida também, pessoal, profissional… olha, o caminho é mais longo, cheio de 7×1, mas meu, é tão foda ouvir e ler de uma leitora o quanto confia no que você está dizendo, seja ela uma adolescente ou uma senhora de 50, tenha o cabelo colorido como o meu ou não.

Você pode desagradar muita gente, a maioria não vai te entender, talvez você não encontre o seu oceano azul assim, mas também não vai nadar até uma praia lotada, e com toda certeza vai conquistar seu laguinho de águas cristalinas.

Olha eu cheia das metáforas! Gracinhas a parte, não foi fácil conquistar o meu espaço, ainda não é, talvez eu estivesse aparentemente mais bem sucedida tendo uma postura mais neutra com meu blog e na vida em geral. Mas a cada conquista minha dentro dos meus termos, seguindo as minhas regras, descendo goela abaixo ao invés de ter um tapete vermelho pra mim sempre, aaahhh,  essas conquistas são as mais fodas, as que mais emocionam, pelas quais vale a pena viver.

Postado por Helena Sá

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