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18/07/16
GIRL POWER só para magras

GORDOFOBIA É A QUE ESTÁ MAIS NA MODA

De uns tempos para cá na internet brotaram pequenos, médios e grandes negócios voltados para o público feminino engajado, feminista, consciente. Isso é incrível, as marcas mais antigas estão se preocupando mais com representatividade, as novas já começam defendendo isso, como eu disse, é lindo.

Tenho visto muita marca criada por mulheres, minas produzindo pra minas, isso é demais, sempre procuro indicar aqui essas marcas, priorizar consumir delas pra mim, e consequentemente mostrar aqui nos looks do blog.

Mas mesmo com toda essa movimentação, nessa pequena revolução, as gordas ainda estão esquecidas. São poucas as marcas que se preocupam em produzir acima do tamanho 46. Existem sim marcas direcionadas ao público Plus Size. Mas o que acontece com as milhares de novas lojas produzindo e levantando a bandeira da inclusão, que não atendem as gordas? Sim, são a esmagadora maioria.

skinny-girl-power

Girl Power só para magras?

E será que podemos falar em inclusão quando deixamos uma minoria oprimida de fora? Será que você aí que abriu uma loja agora, ou que já está no mercado há mais tempo e que produz camisetas com frases empoderadas, feministas, mas não as faz acima do 46, você acha mesmo que pode se dizer uma marca inclusiva? Que atende a todos e todas?

Qual o sentido de vender uma camiseta escrito GIRL POWER, se na verdade você quis dizer SKINNY GIRL POWER (poder das garotas magras)?

Eu acredito que TODAS as marcas de roupa devam atender todo mundo, mas infelizmente não é essa a realidade e apesar de já ter melhorado muito, ainda somos marginalizadas quando se trata de moda. Mas o que eu quero apontar aqui nesse post, não são TODAS as marcas, mas TODAS aquelas que se dizem INCLUSIVAS, feministas…

Se você faz esse tipo de marketing, ganha com ele, o mínimo que deve fazer é não excluir. Ou então pare de vender camisetas dizendo fight like a girl, girl power, pussy é poder, dentre outras.

“A mas Helena, lá vem você com esse papo outra vez, existem nichos de mercado.”

Então quer dizer que por exemplo, se você atende ao mercado jovem, não pode ter roupa acima de 44, pois jovens são todos magros, é isso mesmo? Você está me dizendo então que não existem gordos em todas as segmentações? Ou será que você apenas não quer sua marca associada a imagem de gordos? Pensa bem.

Se for por aí meus amigos, vou ter que recolher a carteira de feminista, inclusiva, diferentona da sua marca, pois adivinha, você não traz nada de inovador, você não acrescenta nada, você só está dizendo para milhares de mulheres e garotas gordas, que elas nem o direito de ser incluídas por quem faz moda “inclusiva” têm, que elas estão mesmo totalmente erradas, já que até mesmo as tais marcas genderless, que atendem a todos, não querem vestir o corpo gordo.

De todas as fobias, a Gordofobia é a que está mais na moda. Entenderam?

Postado por Helena Sá

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20/12/16
Baixa auto estima ou preconceito?

gorda-a-ultima-na-fila-da-empatia

A gente passa a vida toda, desde crianças sendo socializado pra acreditar que somente um tipo de beleza existe, que esse padrão é a verdade absoluta, o bebê loirinho da propaganda de fraldas é o bebê bonito, a loira, alta e magra da capa da revista é a meta, é o ideal de beleza, mesmo que você seja morena e baixinha, ou negra, ou gorda, você é condicionada/o desde cedo a acreditar que a beleza tem uma forma e que você não cabe nela.

A medida que a gente vai crescendo cheio de inseguranças, medos, vergonha do próprio corpo e a autoestima lá no chão vão, nos moldando. Ou a gente se conforma se retrai, tenta se enquadrar o melhor possível ou a gente luta contra e percebe que não é bem assim. Quem escolhe a terceira opção se abre pra um novo mundo, começa a ver a beleza em si e nos outros sem precisar passar pelo filtro embelezador sem poros e afinador das redes sociais, da tv, das revistas…

Mas tem sim algumas pessoas que não superam, muitas vezes elas conseguem ver a beleza nos outros, mesmo que esses outros também não estejam dentro do padrão. Porém em si mesmas é sempre aquela velha e péssima autodepreciação.

No entanto amigas, essa pessoa aí de cima, ela tem salvação (me senti pastor de igreja), essa pessoa tá no caminho, pois ela já consegue enxergar a beleza atrás do muro da construção social, só falta agora construir dia a dia auto confiança, amor próprio, se conhecer melhor.

Esse aí é o caso de muita gente, mas há também outro tipo de pessoa massacrada pelos padrões, essa pessoa não consegue ver beleza em si e em qualquer outra pessoa que não atenda minimamente os padrões. O caminho para a construção da autoestima desse aí é muito mais complicado, pois ele além da falta de amor próprio e aceitação, ainda tem o preconceito pesando sobre os seus ombros. Esse aí mesmo que sem perceber e se baseando na tal “questão de gosto”, escolhe sempre gostar, admirar e apoiar o padrão.

A pessoa que está fora dos padrões e que ainda assim só consegue ver beleza no que a mídia e a sociedade mostram, essa pessoa coitada, está fadada a se achar o pior dos seres. E o mais triste é que tem muita gente nessa situação.

Tenho amigos e conhecidos que não se enquadram no padrão, até defendem abertamente ir contra ele, mas que não se aceitam, e na sua vida e seu trabalho sempre (mesmo que inconscientemente) só conseguem privilegiar e focar em pessoas e exemplos branquinhos, magrinhos…

Vejo muito isso no mundo da moda, lojas criadas por pessoas fora do padrão que nunca usaram um modelo gordo em suas publicidades, que nunca pegaram a foto de algum cliente gordo para estampar suas redes sociais.

Mas o que eu pretendo com esse post? Vocês que chegaram até aqui podem estar se perguntando e é simples: faça uma reflexão, pare e pense se você se encaixa no que descrevi acima.

Você está sempre deprimido porque não se acha bonito o suficiente? Você diz que vê beleza fora do padrão, mas só consegue gostar de pessoas no padrão? Você tem uma empresa ou marca e só contrata pessoas no padrão para trabalhar ou para representar sua marca? E mais, você só consegue ser fã de pessoas no padrão? E quando eu digo padrão é o de beleza, porque falar que é fã da Lady Gaga e do Marylin Manson e que isso é fora do padrão não conta, pois são pessoas brancas e magras, apenas estão vestidas de forma incomum.

Então, vamos rever nossos preconceitos? Vamos tentar olhar o mundo, a vida e as pessoas de forma diferente? Qual o sentindo da vida? O que estamos fazendo aqui? De onde viemos? Pra onde vamos? Ahahahahahaha

Brincadeira, é só deixar de ser babaca mesmo, ok? 😘

Postado por Helena Sá

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09/11/16
O que essa GORDA tá fazendo aqui?

o que essa gorda tá fazendo aqui

Pois é, essa é a pergunta (no caso, tentativa de ofensa), que eu mais tenho lido e ouvido direcionadas a minha pessoa ultimamente. Esse tipo de comentário acontece na internet, muitas vezes de forma aberta, por homens em sua maioria, (mulheres só pensam isso, não costumam falar).

Esse tipo de situação tem acontecido muito mais, pois tá tendo gorda em todo lugar (aceitem). Esses dias teve Ju Romano na Playboy, ela e a Flávia Durante na TNT, dentre outras que a Kalli mostrou aqui. E isso é maravilhoso, mas tem mostrado também o quanto as pessoas, principalmente homens, se incomodam com a representatividade de mulheres que não estão na mídia ou redes sociais para agradar a eles, não são mero enfeite e não estão no padrão que pra eles é aceitável.

Felizmente pra mim, meu trabalho tem me dado oportunidades de sair da bolha do empoderamento, além das pessoas maravilhosas que me acompanham aqui no blog e me enchem de amor nas redes sociais, agora eu tenho estado em lugares nunca antes visitados por mulheres gordas.

E por isso, tenho sofrido ataques, grosserias absurdas colocadas de forma super natural. Arrisco a dizer que o mesmo espanto que brancos apresentavam (ainda rola), quando os primeiros negros começaram a ser representados na mídia no século passado.

As pessoas (homens) comentam de forma surpresa e até mesmo espontânea “o que essa gorda tá fazendo aqui?” Pois para eles, é realmente espantoso o que está acontecendo. Sempre foram acostumados a ter a propaganda e a mídia voltada para satisfazê-los, isso ainda é regra, então quando uma marca, um canal ou quem quer que seja que tenha alguma visibilidade, dá espaço para uma gorda, é um choque! E a primeira coisa que lhes vem a cabeça sai na mesma hora:

o que essa gorda tá fazendo aqui

Esse foi um dos casos em que fui atacada em canal  youtube, mas semana passada uma marca de camisetas nerds postou uma foto minha, acredito que tenha sido a primeira mulher gorda que colocaram no perfil da loja no instagram. E o primeiro comentário que apareceu na minha foto foi: QUE PORRA É ESSA? – a marca apagou e acho que eles pensam que eu não vi. Mas eu vi, e desse comentário já imaginei a quantidade de inbox que eles receberam reclamando da minha presença ali.

o que essa gorda tá fazendo aqui - foto: Robson Leandro

Como eu disse, sempre recebi apenas amor, pois estou numa bolha de pessoas que gostam do meu trabalho, que se afeiçoaram a mim, concordam com o que eu defendo. E mesmo nos espaços que frequento, as pessoas podem até olhar torto, mas ninguém fala abertamente que eu não deveria estar ali. Então, mesmo sabendo que o mundo não é cor de rosa lá fora, ainda é chocante quando tenho que encarar essa realidade.

MAS, não é por isso que eu vou desistir, parar de fazer o que eu faço, parar de crescer e aparecer! E eu espero que as marcas que antes eram padrãozinho e agora estão mudando isso, continuem fazendo, que não se intimidem e não acatem as vontades de alguns mimadinhos que ainda pensam que mulher é enfeite pra agradar a punhetagem deles!

E minas lindas, não se deixem intimidar, continuem suas vidas, VAI TER GORDA EM TODO LUGAR SIM! E nós somos maravilhosas, e não to falando do clichê de beleza interior, to falando que a gente é destruidora de linda por fora mesmo! E isso irrita, autoestima na gente irrita quem sempre contou com a nossa insegurança.

“Afinal, o que essa GORDA tá fazendo aqui?” Meu amigo, nós tamos aqui pra afrontar, pra comandar essa PORRA toda, aceitem!

o que essa gorda tá fazendo aqui

Postado por Helena Sá

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27/10/16
O Encontro e como quebrei a cara

encontro quebrei a cara

Encontro de blogueiros? Que coisa mais década passada! Sim! Nóis é old school aqui, do tempo dos primeiros blogs, acompanhava todos, depois criei o meu pra contar a vida no mestrado fora do Brasil. Em seguida veio esse lindo aqui, em que vocês estão agora, e dele eu não larguei mais. 💜

Mas o mundo muda, na internet parece mudar mais rápido, e hoje em dia o close é o Youtube, todo mundo tem canal, no Garotas tem também, inclusive estamos trabalhando em dar um gás por lá em breve, aguardem!

Porém aqui na minha cidade, as coisas parecem que andam diferente, o povo demora a aceitar o que há de novo, tem gente que não faz ideia ainda do que um blogueiro faz, youtuber então devem pensar que é algo contagioso. 😅

Nessa luta que é fazer um blog que cresce e tem aparecido no Brasil, eu também penso que queria muito ter reconhecimento do meu trabalho na minha cidade, Juiz de Fora, nasci aqui e quero que as pessoas daqui vejam que eu faço um trabalho que vai além de só me remunerar. Tenho orgulho de dizer que ajudo pessoas a se amarem, a se vestirem melhor, a se acharem dignas de tudo de melhor nessa vida. Mulheres, garotas e até os manos, são bem vindos aqui. A gente quer mudar o mundo um pouquinho todos os dias, de post em post, de mensagem no instagram a compartilhamento no facebook.

Acho que por isso que a ideia do encontro veio pra mim e pra Ca, a gente quer crescer e aparecer, e queremos também isso aqui pertinho, em casa. E a gente sabe que faz um bom trabalho, sério, preocupado com quem lê, vê, ouve, sente…

E parece que esse ano a cidade também sentiu isso, demoraram, mas sacaram a gente, a nossa tal influência. As marcas, lojas, lugares, agências e pessoas mais legais, mais espertas, quiseram entrar no nosso barco, e apoiaram o Encontro de Blogueiros de Juiz de Fora e Região. E a mídia, tanto a tradicional, quanto a online, em massa, noticiou, comentou e contou a nossa história.

Duas mulheres sozinhas, duas blogueiras, que já viram muito nariz torcido, muito deboche (blogueira é profissão?), uma é dondoca que não usa salto, a outra é uma gorda super estranha com umas ideias doidas de que ser gordo não é feio, que mulher não precisa viver em dieta, que a gente usa o que quiser, e que a gente se ama por quem nós somos. Numa época de fitness, salto super alto, cílios postiços no café da manhã, contorno pra ir na padaria. To aí numa contra mão, cometendo meus sincericídios, cagando pra aparências e mostrando pra minha cidade, que tem outra forma de viver, não precisa cuidar da vida do vizinho, não precisa manter aparências, aparentar ter mais do que tem, estar mais feliz, mais viajado…

É possível ter um blog sem ostentação, um blog vida real e não lifestyle e mais, tem muita gente aqui que quer ver isso.

Afinal, descubro que JF não é tão atrasada assim, quebrei a cara, mordi a língua e gostei. Pois tive que meter o pé, mas finalmente estão abrindo as portas pra mim.

Postado por Helena Sá

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27/07/16
Gorda, a última na fila da empatia

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Participo de alguns grupos de minas gordas, muitas maiores do que eu, e que sofrem muito mais com a Gordofobia do que eu.

O sofrimento dessas minas vai muito além da pressão estética, da pressão familiar e social para se enquadrar no padrão. Elas têm problemas de mobilidade, nenhum lugar está preparado para recebê-las, desde o cinema sem cadeiras para quem não cabe nas regulares, ao ônibus com a roleta estreita e os bancos também. No hospital não há equipamentos, macas ou cadeiras de rodas que comportem o corpo gordo, aquele acima do manequim 52 já começa a sentir isso na pele.

Além disso, é essa/esse gorda/gordo que vão sofrer com a agressão, e o ódio a gordos no seu nível mais destrutivo. As pessoas xingam na rua ou na internet, fazem piadas, e realmente acreditam que o gordo está numa escala inferior na sociedade tanto em beleza, quanto em inteligência e capacidade.

Isso tudo que eu falei foi duro de ler? Então saiba você, que chegou aqui e provavelmente é uma pessoa consciente, coerente, uma pessoa que está sempre nas redes sociais apoiando de alguma forma as lutas contra machismo, homofobia, racismo, transfobia. Você é uma fatia da sociedade que está mais evoluída, se compararmos você aos comentaristas de portal, ao pessoal no botequim e do salão do meu bairro, nossa, você é foda.

Agora me diga, na fila da sua empatia, aonde está a gorda? Falo gorda, pois meu público é em maioria feminino e por sermos mulheres sofremos mais com a Gordofobia que os homens. Mas o assunto aqui é sério.

E por que você está vindo com esse assunto agora, Helena?

Bom, que a sociedade em geral é gordofóbica, que a moda exclui gordos, tudo isso já contei aqui, já alertei até sobre marcas inclusivas, que abusam do marketing feminista, que não oferecem suas peças para o público gordo.

Mas e você pessoa evoluída, empática e problematizadora, já parou pra pensar se toda essa vontade de mudar o mundo, de lutar contra o preconceito, inclui os gordos?

Nessa vida dividida entre moda, blog, maquiagem, e feminismo (sim, eu misturo tudo isso). Direto me deparo com gente super moderna, desconstruída, evoluída, inovadora, inclusiva e diferentona. E posso afirmar que, em relação à machismo, homofobia, transfobia e racismo (esse nem tanto), está tudo resolvido na cabecinha desse pessoal. Mas nós gordas, é um susto pra eles quando a gente tem talento, entende de moda… A maioria quando me conhece, não dá nada por mim, quem é essa gorda? (É isso que a expressão na cara deles passa pra mim). Mas é só me adicionarem nas redes sociais, darem uma olhada aqui no blog, que vem correndo me elogiar, elogiar os looks, me falar que sou lacradora…

Ou seja, para eu ser levada a sério, para essas pessoas me perceberem com alguém inteligente, uma pessoa bonita e empoderada, eles têm que praticamente ver um currículo. Isso não acontece com as minas e manos magros que eles são apresentados, pois as tatuagens, roupinhas hipsters minimalistas somadas ao padrão, já precedem. Às vezes trata-se de um completo babaca, mas vem com o pack roupinha trend, padrão e tattoos, então já é show!

gorda, a última na fila da empatia

Mas eu rodei, rodei, e não cheguei ao motivo desse post. Que é dizer que tem feminista gordofóbica, gay gordofóbico, trans gordofóbica… a Kalli falou disso, de um caso que aconteceu esses dias e que vale a pena vocês irem conferir. Resumindo, uma mulher trans foi gordofóbica e quando questionada confirmou e atacou uma moça gorda que se disse ofendida com o comentário. Além disso, essa mulher trans é modelo e fez parte da campanha de uma marca inclusiva e genderless, que foi avisada das atitudes da moça e resolveu não se envolver. Leiam a treta toda no post da Kalli. E digo que é mais triste ainda ver a gordofobia saindo da boca de quem sofre muito com preconceito e opressão.

Contei tudo isso aqui, para provar que sim: a GORDA, é a última na fila da empatia, da SUA empatia, se é mesmo que ela está na sua listinha.

Porém, não fiz esse post para atacar, apesar de colocar o dedo na ferida, a intenção aqui é fazer o debate evoluir, é fazer você pensar. Pois você pode não ter expressado abertamente a sua Gordofobia, como a moça fez, mas já pensou. Você pode até mesmo não ter pensado dessa forma, mas já se omitiu ao ver um amigo ou amiga postar algum fat shaming.

Então, vamos mudar isso? Vamos começar a lembrar que o feminismo tem que incluir todo mundo, e digo mais, as negras e as gordas deveriam receber a maior empatia desse movimento, ter mais espaço e representatividade, e a gente não tinha que ter que dizer isso para quem supostamente é desconstruído e defensor dos oprimidos, não é mesmo?

Postado por Helena Sá

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18/07/16
GIRL POWER só para magras

GORDOFOBIA É A QUE ESTÁ MAIS NA MODA

De uns tempos para cá na internet brotaram pequenos, médios e grandes negócios voltados para o público feminino engajado, feminista, consciente. Isso é incrível, as marcas mais antigas estão se preocupando mais com representatividade, as novas já começam defendendo isso, como eu disse, é lindo.

Tenho visto muita marca criada por mulheres, minas produzindo pra minas, isso é demais, sempre procuro indicar aqui essas marcas, priorizar consumir delas pra mim, e consequentemente mostrar aqui nos looks do blog.

Mas mesmo com toda essa movimentação, nessa pequena revolução, as gordas ainda estão esquecidas. São poucas as marcas que se preocupam em produzir acima do tamanho 46. Existem sim marcas direcionadas ao público Plus Size. Mas o que acontece com as milhares de novas lojas produzindo e levantando a bandeira da inclusão, que não atendem as gordas? Sim, são a esmagadora maioria.

skinny-girl-power

Girl Power só para magras?

E será que podemos falar em inclusão quando deixamos uma minoria oprimida de fora? Será que você aí que abriu uma loja agora, ou que já está no mercado há mais tempo e que produz camisetas com frases empoderadas, feministas, mas não as faz acima do 46, você acha mesmo que pode se dizer uma marca inclusiva? Que atende a todos e todas?

Qual o sentido de vender uma camiseta escrito GIRL POWER, se na verdade você quis dizer SKINNY GIRL POWER (poder das garotas magras)?

Eu acredito que TODAS as marcas de roupa devam atender todo mundo, mas infelizmente não é essa a realidade e apesar de já ter melhorado muito, ainda somos marginalizadas quando se trata de moda. Mas o que eu quero apontar aqui nesse post, não são TODAS as marcas, mas TODAS aquelas que se dizem INCLUSIVAS, feministas…

Se você faz esse tipo de marketing, ganha com ele, o mínimo que deve fazer é não excluir. Ou então pare de vender camisetas dizendo fight like a girl, girl power, pussy é poder, dentre outras.

“A mas Helena, lá vem você com esse papo outra vez, existem nichos de mercado.”

Então quer dizer que por exemplo, se você atende ao mercado jovem, não pode ter roupa acima de 44, pois jovens são todos magros, é isso mesmo? Você está me dizendo então que não existem gordos em todas as segmentações? Ou será que você apenas não quer sua marca associada a imagem de gordos? Pensa bem.

Se for por aí meus amigos, vou ter que recolher a carteira de feminista, inclusiva, diferentona da sua marca, pois adivinha, você não traz nada de inovador, você não acrescenta nada, você só está dizendo para milhares de mulheres e garotas gordas, que elas nem o direito de ser incluídas por quem faz moda “inclusiva” têm, que elas estão mesmo totalmente erradas, já que até mesmo as tais marcas genderless, que atendem a todos, não querem vestir o corpo gordo.

De todas as fobias, a Gordofobia é a que está mais na moda. Entenderam?

Postado por Helena Sá

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06/04/16
[TAG] Quando eu era TROUXA

tag quando eu era trouxa

O primeiro vídeo dessa nova fase do canal do Garotas no Youtube está no ar! \o/

E para começar de leve, criei uma TAG que eu achei muito legal responder e tenho certeza que pode dar em muito vídeo engraçado e legal tanto pra rir, quanto pra aprender com a trouxice alheia.

A TAG se chama Quando eu era TROUXA, mas isso não significa que eu nem vocês não sejamos ainda uns completos trouxas nessa vida. É só que a gente aprendeu um pouquinho com os papéis de trouxa que a gente fez, ou não! 😀

O vídeo tá aí com 6 papéis de trouxa que eu já fiz com maestria! Apertem o  PLAY.

Espero que as minha mancadas sirvam pra inspirar vocês a não fazer o mesmo, e se tão fazendo, que parem já!

Outra dica pra não ser trouxa é SE INSCREVER NO CANAL do blog, porque vai ter vídeo novo toda quarta-feira!

E aí gente, vocês tem coragem de me contar que moles já deram nessa vida quando eram trouxas?

Postado por Helena Sá

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