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04/05/17
Incomodada ficava sua avó

Incomodada ficava sua avó

Pra quem não entendeu a referência do ➡️ título.

Um fenômeno que para alguns só acontece com uma mudança e paradigma: parar de usar/fazer/aceitar coisas que incomodam.

O incômodo pra muita gente é relativizado, é bobeira, melhor se incomodar um pouquinho do que mudar, mudar dá muito trabalho.

Mas acontece que incômodos são muitos, e somados, todos esses pequenos e irritantes acontecimentos, se transformam em uma vida sem jeito, sem lado. Quer ver como?

Um sutiã de aro, aquele arame cortando a pele o dia todo pra poder parecer que tem peito empinado, grande. Aquele salto, aquele bico fino no sapato pra ficar mais alta e elegante. A cinta massacrando o dia inteiro… eu posso passar o dia aqui listando coisas e situações em que a gente se coloca, porque mudar causa transtornos, é complicado, tem que se explicar pras pessoas.

E esse incômodo tolerável que a gente se coloca nele vai além de estética, você deixa passar o abuso de alguém pra evitar o desgaste do confronto, que pode ser único, mas você prefere passar várias vezes pela pequena chateação, do que bater de frente e ser o chato do rolê.

Daí que com os anos as coisas vão acumulando, é privação, incômodo e chateação uma em cima da outra, transborda alguma hora e pode gerar o dia de fúria, aquele em que você perde a razão, e sua reação é incompreendida. Ou então você guarda tanto que fica doente, vem a depressão e/ou ansiedade.

É muito tempo negando quem você é de verdade. Negando que você detesta sair pra balada, que você prefere passar o dia com seu cachorro à ir em uma calourada ou churrasco, uma vida inteira esticando a raiz do cabelo, fazendo a barba, dieta da moda, se depilando, não tendo tatuagem, não comendo o que gosta, usando roupa que detesta, mantendo amizades que você tolera por conveniência, rindo de piada sem graça pra manter o networking, fingindo que não ouviu a indireta pra não se indispor com parente… ufa, mais uma lista interminável.

E sempre pensando, quando eu tiver dinheiro não vou mais aturar isso, quando eu for independente, quando eu sair de casa, quando eu me mudar, quando eu trocar de emprego, quando eu emagrecer, quando eu for mais velho, quando eu casar… e a vida passa.

O que eu posso dizer sobre isso? CAI FORA! Tem diversas situações que a gente tolera porque faz parte de crescer, pra manter um trabalho, pra cuidar da saúde. Essas a gente muda com paciência, aos poucos. Mas tem várias outras coisas que a gente deixa passar por medo e preguiça da mudança.

Então o dever de casa de hoje é esse: questione, pois às vezes a gente nem sabe o que está nos incomodando, reflita, isso é bom pra mim? Faço por obrigação? Pra manter uma imagem? Pra agradar os outros?

Tá na hora de esquecer um pouco a conveniência, o cômodo que está pra lá de incômodo. E não é egoísmo isso não, faz parte de crescer e até mesmo de ser uma pessoa melhor pra quem nos cerca, por que ninguém é feliz com uma pequena pedrinha dentro do sapato.

Incomodada ficava a sua avó

Postado por Helena Sá

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04/05/17
Incomodada ficava sua avó

Incomodada ficava sua avó

Pra quem não entendeu a referência do ➡️ título.

Um fenômeno que para alguns só acontece com uma mudança e paradigma: parar de usar/fazer/aceitar coisas que incomodam.

O incômodo pra muita gente é relativizado, é bobeira, melhor se incomodar um pouquinho do que mudar, mudar dá muito trabalho.

Mas acontece que incômodos são muitos, e somados, todos esses pequenos e irritantes acontecimentos, se transformam em uma vida sem jeito, sem lado. Quer ver como?

Um sutiã de aro, aquele arame cortando a pele o dia todo pra poder parecer que tem peito empinado, grande. Aquele salto, aquele bico fino no sapato pra ficar mais alta e elegante. A cinta massacrando o dia inteiro… eu posso passar o dia aqui listando coisas e situações em que a gente se coloca, porque mudar causa transtornos, é complicado, tem que se explicar pras pessoas.

E esse incômodo tolerável que a gente se coloca nele vai além de estética, você deixa passar o abuso de alguém pra evitar o desgaste do confronto, que pode ser único, mas você prefere passar várias vezes pela pequena chateação, do que bater de frente e ser o chato do rolê.

Daí que com os anos as coisas vão acumulando, é privação, incômodo e chateação uma em cima da outra, transborda alguma hora e pode gerar o dia de fúria, aquele em que você perde a razão, e sua reação é incompreendida. Ou então você guarda tanto que fica doente, vem a depressão e/ou ansiedade.

É muito tempo negando quem você é de verdade. Negando que você detesta sair pra balada, que você prefere passar o dia com seu cachorro à ir em uma calourada ou churrasco, uma vida inteira esticando a raiz do cabelo, fazendo a barba, dieta da moda, se depilando, não tendo tatuagem, não comendo o que gosta, usando roupa que detesta, mantendo amizades que você tolera por conveniência, rindo de piada sem graça pra manter o networking, fingindo que não ouviu a indireta pra não se indispor com parente… ufa, mais uma lista interminável.

E sempre pensando, quando eu tiver dinheiro não vou mais aturar isso, quando eu for independente, quando eu sair de casa, quando eu me mudar, quando eu trocar de emprego, quando eu emagrecer, quando eu for mais velho, quando eu casar… e a vida passa.

O que eu posso dizer sobre isso? CAI FORA! Tem diversas situações que a gente tolera porque faz parte de crescer, pra manter um trabalho, pra cuidar da saúde. Essas a gente muda com paciência, aos poucos. Mas tem várias outras coisas que a gente deixa passar por medo e preguiça da mudança.

Então o dever de casa de hoje é esse: questione, pois às vezes a gente nem sabe o que está nos incomodando, reflita, isso é bom pra mim? Faço por obrigação? Pra manter uma imagem? Pra agradar os outros?

Tá na hora de esquecer um pouco a conveniência, o cômodo que está pra lá de incômodo. E não é egoísmo isso não, faz parte de crescer e até mesmo de ser uma pessoa melhor pra quem nos cerca, por que ninguém é feliz com uma pequena pedrinha dentro do sapato.

Incomodada ficava a sua avó

Postado por Helena Sá

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26/04/17
Como eu passei a gostar de comer em público

Sim, comer em público é uma batalha pra muita gente, principalmente mulheres. Nós somos constantemente cobradas por nossa aparência, e o maior medo de muitas mulheres é engordar.

E com isso, gorda ou magra, a gente tá sempre justificando o que come, sempre dizendo que se alimenta bem, que o doce foi só daquela vez. Então muita gente pra evitar dar essas explicações, simplesmente evita comer na presença de outras pessoas.

No caso de pessoas gordas piora, pois não interessa o que você tenha no prato, seja uma salada ou uma feijoada, vai ter sempre alguém pra julgar e fazer comentários críticos.

“Isso mesmo, tem que comer uma saladinha pra emagrecer.” (a pessoa assume que você não gosta de salada, tá comendo porque é gordo.)

“É por isso que não emagrece!” (Tá todo mundo numa pizzaria, tá todo mundo comendo a mesma coisa, e só você é o glutão do rolê.)

E isso pode piorar muito se você está por exemplo numa praça de alimentação, pois corre o risco de pessoas estranhas opinarem sobre o seu prato e o seu corpo, rirem e te apontarem.

Parece futilidade, e é se olharmos de fora, mas vem desse terror de engordar  e de comer perto das pessoas, os distúrbios alimentares, como bulimia, anorexia e até mesmo a compulsão.

E o medo de comer em público está muito ligado a compulsão, pois faz com que a pessoa procure aproveitar toda e qualquer oportunidade em que esteja sozinha para comer. Assim, não precisa se alimentar na frente díz outros.

Por isso tudo, é uma vitória pra mim comer em público e fazer isso me sentindo muito bem, sem medo do julgamento alheio. Por isso também, que eu adoro postar as minhas receitas no instagram. Já passei por muitos traumas relacionados à pessoas próximas me humilhando na hora de comer, em casa dentro da minha família e com um ex namorado abusivo.

Certa vez eu estava em uma brigaderia muito conhecida na minha cidade, pedi minha bebida preferida de lá, que vinha num copo alto desses de milkshake, com chantili em cima e uma bolinha de brigadeiro no topo. Era o final de um dia cheio, cansativo, e eu estava feliz por encontrar com esse namorado e podermos sentar, conversar e comer algo gostoso. Mas na hora que a bebida chegou na mesa e eu dei o primeiro gole, ele se levantou e foi embora. Nunca senti tanta vergonha em público na vida. Depois quando saí da loja ele estava me esperando na esquina e me disse que era nojento e vergonhoso pra ele estar perto de mim, gorda e ainda por cima sem noção de comer uma coisa daquelas na frente de todo mundo.

Foi um dos episódios mais traumáticos que já passei, mas serviu pra me alertar de que o que mais me fazia mal não eram meus hábitos alimentares, e sim o medo, a vergonha, a humilhação e o preconceito das pessoas ao meu redor. Aquilo era destrutivo e eu não iria mais suportar isso, eu não iria mais comer escondido, eu não iria mais justificar um doce ou um pedaço de pizza e principalmente, ninguém mais iria falar assim comigo sem levar um voadora na nuca.

A minha libertação começou aí, depois desse dia não demorou muito pro namoro terminar, eu demorei a perceber o quão abusivo era, e não só por episódios como este. Cheguei a ficar mal com o término, a querer voltar, mas a liberdade e o amor próprio logo gritaram nos meus ouvidos e eu me livrei.

Desde então, nem mãe, nem irmão, nem tia chata e muito menos namorado, ousam falar comigo sobre  o que estou comendo ou não, nenhum fiscal de prato me derruba mais.

E se você que está lendo isso ainda não se libertou, saiba que eu estou aqui torcendo por você. Um dia, pode ser hoje até, a força vem e você não tolera mais ser humilhada por nada. Você vai aprender que ser gorda não é vergonha, que mulher comendo não é feio, que a sua vida e o seu corpo não são da conta de ninguém.

E essa é a história de como passei a gostar de comer em público, se você ainda não chegou nesse dia, tudo bem, mas não demora a chegar, porque aqui a vista é mais bonita, e a vida é mais leve e simples.

Como eu passei a gostar de comer em público

Postado por Helena Sá

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18/04/17
Por que associamos interesses ditos como femininos à futilidade

A gente sempre relaciona automaticamente futilidade com interesses ditos femininos, como moda, maquiagem, decoração… é o que primeiro nos vem a cabeça quando a palavra fútil  surge em alguma conversa. Mas será que isso é verdade?

Gostar de moda, de se maquiar, de ter uma casa bem decorada, torna você uma pessoa fútil? Vocês já se perguntaram por que as afinidades e atividades associadas a masculinidade e que muitas vezes tem um objetivo puramente recreativo, nunca são relacionadas a futilidade? Se você gosta de assistir de futebol, de acompanhar fórmula1, MMA, fazer churrascos, dificilmente será rotulado de fútil por isso.

Mas quando uma atividade é considerada feminina, ela sempre é vista como débil, boba, supérflua, mesmo quando a pessoa é profissional dessas áreas, faz disso uma profissão, as pessoas rotulam como algo superficial.

É muito claro para mim que atribuir determinados gostos e escolhas as mulheres e dizer que essas determinações são fúteis, é mais um dos rótulos que nos são colocados ao nascermos mulheres, vem com a obrigação de performar feminilidade. Eu entendo isso e entendo que não devemos nos restringir a esses interesses considerados femininos. Sou a primeira a dizer sempre todos os dias que podemos tudo.

Mas e se a gente gostar de moda, maquiagem, decoração, jardinagem e culinária? Somos fúteis, rasas, superficiais, por isso?

Recebo muita desaprovação explícita ou velada das pessoas por ter um blog que também fala de moda, por ser maquiadora. Já chegaram a me dizer que não faz sentido eu ser feminista e falar disso em um mesmo espaço em que falo de tendências de moda. Será mesmo que as duas coisas não combinam, sou proibida de ter esses gostos “femininos” porque luto todos os dias por igualdade para as mulheres? Fica aí o questionamento. 🤔

“A história única cria estereótipos, e o problema com os estereótipos não é que eles sejam falsos, mas que eles são incompletos. Eles fazem uma história se tornar a única história. “
– Chimamanda Ngozi Adichie

Por muito tempo mulheres tentam se desassociar dos estereótipos de gênero, do rosa, das princesas, para tentarem conseguir respeito para sua capacidade, inteligência e habilidades. Já passei por essa fase de renegar tudo que é dito como feminino, pois ao ser linkada a essas coisas, me vincularia a banalidade. Como se por eu gostar de usar batom e esmalte, não sou capaz de entender de ciências, política e outros temas da vida em sociedade.

Comecei a mudar isso quando compreendi que negar gostos e atribuir a eles valor menor de importância na sociedade apenas por estarem relacionados a feminilidade, era me aprisionar a mais um novo padrão, era concordar com toda a baboseira que dizem sobre mulheres serem fúteis.

A partir daí comecei a perceber que minhas afinidades e gostos não poderiam ser rotulados e vinculados a gênero das coisas. Nem eu nem ninguém, temos preferências estritamente dentro do gênero que nos foi atribuído. E gostar de de rosa não me faz inferior a outras mulheres que não gostam, e que essas preferências pessoais não ditam por si só nosso caráter, inteligência ou capacidades.

O problema com o gênero é que prescreve como devemos ser ao invés de reconhecer como somos. Imagine o quanto mais felizes seríamos, quão mais livres seriam nossos verdadeiros eus individuais, se não tivéssemos o peso das expectativas de gênero. “
– Chimamanda Ngozi Adichie, nós devemos todos ser feministas

BRAAAACK! Esse é o som de mais uma corrente sendo quebrada! (Desculpem a onomatopéia)

Mas é lindo quando nos vemos tão seguras e livres a ponto de não precisar negar nada, nem mesmo que adoramos cor de rosa, arco-íris e unicórnios. 💕🌈🦄

Postado por Helena Sá

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07/03/17
Pra pensar no dia 8 e praticar todos os dias

Dia da mulher

Sou péssima com datas, detesto a obrigação de fazer algo, celebrar ou mesmo lembrar de alguma coisa apenas por conta de uma data específica. Nunca dou parabéns quando o Facebook me avisa dos aniversários, apenas parabenizo os poucos amigos que tenho, independente de um aviso de rede social. Detesto a obrigação de ser feliz no natal, de ter esperanças no ano novo e de ter que dançar, beber e pegar todos no carnaval…

Falei tudo isso pra justificar a minha falta de empolgação total em completa com o dia 8 de março, Dia da Mulher. Sempre tento me programar para fazer algo incrível nessa data, mas nunca rola. As coisa que eu faço e luto, são diárias.

Minha força vem de mim e de outras mulheres, vem de coisas que quero que aconteçam, de outras que não quero que se repitam. A data em si, apesar de ter um significado real, não me vincula, minha determinação vem da coisas que quero mudar e que acontecem todos os dias.

Pra mim, vale muito mais que se pratique todos os dias, do que se faça um grande alarde uma vez por ano. E esse ano ao invés de fazer um texto falando o que está errado, pelo que devemos lutar, e tentando educar homens, falarei direto às mulheres, a todas nós, afinal, se queremos que o mundo melhore, temos que começar por nós mesmas.

E tem algumas coisinhas que resolvi listar, que acredito que se aplicarmos no nosso dia a dia, seremos melhores mulheres, melhores pessoas:

  • Empatia: sei que está batido, a gente sempre ouve o quanto é importante para entender e aceitar o outro, a empatia. Mas a gente pratica mesmo?
  • Problematizar sem atacar: sim, é possível não concordar com a opinião dos outros sem agredir, debochar, ridicularizar ou tentar humilhar o coleguinha.
  • Aceitar críticas: esse é continuação do tópico anterior, saber ouvir opiniões contrárias sem levar pro pessoal, sem entender tudo como um ataque, ajuda demais pro nosso crescimento.
  • O ego não vem primeiro: só porque você tem pessoas que te ouvem, que te admiram, você não é o dono eterno da razão e o centro do mundo. Outras pessoas também são incríveis, talentosas e especiais.
  • Teoria e prática: você faz o que você prega? Seu textão também se aplica a você e as suas atitudes? Vejo que muita gente adora dizer o que os outros devem ou não fazer, mas logo ali na frente estão fazendo o exato oposto do que defendem ferozmente em textões, lives no facebook, vídeos no YouTube…
  • Paciência: mesmo você fazendo tudo certo, sendo empática, compreensiva, inspiradora e seguindo tudo que eu falei acima. Mesmo assim nem todo mundo vai gostar de você, concordar com você ou te achar o máximo. E está tudo bem, e essas pessoas nem sempre são ruins por isso, elas tem um motivo pra pensar diferente.

Tenho visto uma guerra de egos dentro de militância, polarizações, quem é melhor, quem tem mais likes, quem manda mais indiretas. Gente surfando a onda errada, se escondendo atrás de falsos discursos de empoderamento, sendo condescendente e visando apenas ser a heroína, a salvadora, a dona da palavra. E isso é o exato oposto do que o feminismo prega.

E sim, eu já fiz tudo errado e oposto ao que coloquei nessa lista, não sou perfeita, aprendi às vezes errando, outras vendo o erro dos coleguinhas. A ideia é cada dia ser uma pessoa melhor, uma mulher melhor, tentar contribuir de alguma forma pra mudar o que está errado, tentar ser mais tolerante, e no fim o clichê vale: mais compreensão e amor, por favor!

Assim, quem sabe, juntas podemos um dia não precisar mais de uma data para nos lembrar quem somos e o que podemos.

Postado por Helena Sá

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20/02/17
A Síndrome do Instagram Harmônico

Instagram harmonico

“Se você tem uma conta no Instagram para o seu blog, marca ou até pessoal, ela tem que ser harmônica, procure um padrão de cores para suas fotos não descombinarem, poste apenas fotos bem tiradas, com cores adequadas a cartela de cores do seu perfil. Procure um tema pra suas fotos, evite fotos poluídas, com muita informação, bla, bla, bla…”

Notaram que eu tenho paciência zero pra qualquer tipo de coisa padronizada, não é mesmo?

Então essa neura/regra/imposição de um instagram atendendo a certas fórmulas, pra mim não dá certo. Eu tenho os meus gostos, vivências e estilo. Obviamente então meu isntagram reflete isso, mas ao mesmo tempo ele pra mim é livre e espontâneo, se eu for ficar escolhendo minuciosamente só fotos que combinem entre si, que se harmonizem e coisa e tal, putz, já não é mais vivência, não é realmente eu, vira uma loja de decoração que eu montei.

Instagram harmônico

Resposta de uma marca a uma proposta comercial que eu fiz.

Como faz pra postar aquela foto bem loka com as amigas? E se a foto tá num tema ou num tom que não combina com as demais? Deixo de postar um momento massa que eu queria tanto dividir, porque pode ser que não passe na vistoria de uma marca? E que porra de marca é essa que quer parceria apenas com robozimhos com fotos estilo tumblr? A estética mais uma vez superando a autenticidade e a vivência.

Acho lindos Instagrams com fotos todas bonitinhas e combinandinho, quando é de loja, marca, serviço adoro… de pessoas também, mas eu quero é ver realidade, a foto de impulso, colorida aqui, preto e branco ali.

É claro que vou tentar fazer a melhor foto possível (adoro fotografia), que quanto mais cuidado aos detalhes e composição melhor sai a foto. Quando faço foto de objetos, de um prato, sempre tento tirar a melhor possível. Mas sem deixar a comida esfriar, a hora da vida passar só pra fazer uma foto estilo instagram. BITCH, PLEASE!

Instagram harmonico

E outra coisa muito importante, escolher tema pra instagram já me assusta porque significa que a pessoa não tem gostos, afinidades, estilo e atitude que afloram e sobressaem nas fotos por si só, precisa compor e decorar retratos e vivências. Quando a gente tira foto de coisas e momentos, na nossa casa, ou lugares legais aonde vamos, sai espontaneamente uma foto legal, pode não ser na paleta de cores, não estar centrada, com a luz certa, mas meu, somos todos fotógrafos agora? E o pior, fotógrafos padronizados.

Além disso, segundo as regras e vistorias por aí, postar os quotes do garotas polui minha timeline, ou seja, fazer uma coisa legal, e sim, linda, é ruim para o meu perfil na rede social. Escrever muito numa legenda também, faz diminuir o alcance da postagem. Ou seja, meu projeto #timelineinclusiva também é errado. Escrever na legenda a mensagem da imagens, para que cegos possam através de aplicativos ler também, é ruim para a estética e consequentemente para o meu trabalho! E isso é muito triste.

Com tudo isso eu quero abolir os instagrams arrumadinhos? God, não!

Eu quero é que não sejam uma regra, que as pessoas entendam que não há uma fórmula exata para uso do instagram ou qualquer outra rede social. Que o que funciona pra alguém, não tem que necessariamente funcionar pra mim. Que meus amigos, ou seguidores, leitores, whatever, não são resultado da aplicação de um método ou cálculo. E que sim, a espontaneidade pode gerar um bom perfil. Seja ele, pessoal, de influência ou marca. 😉

Postado por Helena Sá

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08/02/17
Se Flopar tá tudo bem

se flopar ta tudo bem

Como uma pessoa que vive de likes, compartilhamento e engajamento pode ficar de boa com um post flopado? *

*Flopar no vocabulário da internet significa que ninguém viu ou se interessou pelo que você disse/postou/compartilhou.

Tenho visto que é quase uma necessidade física das pessoas, como beber água, que seus posts sejam aceitos, comentados, tenham muitos likes. É normal, fora da vida online as pessoas também sempre quiseram ser populares. A maioria delas, a maior parte do tempo.

Eu também já quis muito ser, todos nós em algum momento por motivos diversos já quisemos nossos 15 minutos de fama. E com as redes sociais, isso tomou uma proporção diferente, agora todo mundo quer que todas as suas fotos, opiniões e ideias causem! Alguns nem se importam se o retorno for negativo, desde que tenha uma grande comoção ao redor daquilo, não interessa se causou asco, revolta…

Então é muito comum ler a expressão: “Se flopar nem existiu”, nas postagens como forma de justificar e de desculpar pela possibilidade de ninguém se interessar pelo que você falou.

Já fui uma pessoa super preocupada com isso, não nas minhas postagens pessoais, mas por me dedicar e me importar muito com meu trabalho no blog, é claro que sempre quis que tivesse muitas visitas, likes, que o que eu faço alcance as pessoas. Por isso costumava conferir quantas visitas todos os dias, engajamento… Hoje em dia desencanei muito disso.

Mas como não se preocupar se seu blog vive disso? Bom, não é questão de cagar pra interação e engajamento, isso é importante pra um influenciador e não serei hipócrita de dizer que não ligo pra isso.

É que a forma de ver o retorno do meu trabalho mudou. Pra mim 1 (UM) comentário legal sobre o meu trabalho é mais importante do que 100 likes. Uma pessoa me dizendo que de alguma forma ajudei ela a crescer e mudar mesmo que pouca coisa, é mais importante do que views e shares.

É um processo de desvincular um pouco do seu EGO do que você faz, não levar pro pessoal ou achar que é rejeição se ninguém der um like. E isso serve pra você que não tem blog canal e é apenas um usuário comum de redes sociais também:

SE FLOPAR TÁ TUDO BEM! Ok? 😉

Não é falta de amor por você, você não é menos legal ou importante por isso.

Postado por Helena Sá

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