séries e filmes


21/10/16
The Get Down: único seriado possível em 2016

the get down

Ano passado quando assisti o teaser de The Get Down eu fiquei louca. UM SERIADO SOBRE DISCO MUSIC? BERRO, GRITO, TIRO, BOMBA. Fui nascida e criada escutando Earth, Fire and Wind, Aretha Franklin, Diana Ross (obrigada, pai!), sou apaixonada por todo o contexto que envolve a cultura disco: valorização da estética e musicalidade negra.

Fiquei mais ansiosa depois de saber que seria o diretor Braz Luhrmann contaria aquela história. Quando todo mundo achou que ninguém poderia contar a tragédia de Romeu e Julieta, Braz inovou ambientando a história de forma contemporânea, com muitas pistolas e perseguições de carros, mas mantendo a atmosfera apaixonada e política da peça. Quando hollywood achou que filmes musicais estavam ultrapassados e cansativos, Braz nos brindou com Moulin Rouge.

Então veio The Get Down e a minha surpresa: não é um seriado sobre disco music, vai além disso.

Lado A, Lado B

Os episódios são sempre introduzidos em forma de rap por Mr. Books que conta a sua história, dos amigos e amores, na Nova Iorque de 1977. Parece confuso no começo e nos primeiros você fica “que rap é esse?”, “quem é esse cara?”, “é anos 90 ou 70?”, “cadê o disco?”. Mas as personagens e suas histórias são apresentadas e tudo vai se encaixando como numa grande engrenagem. Ezequiel Figueiro (Justice Smith) é um dos adolescentes que conduz a história, ele perdeu os pais e vive com a tia materna no Bronx e, como todo adolescente, tem seus sonhos e aptidões (escrita e leitura), mas se sente inseguro e precisa da ajuda dos amigos para se tornar mais confiante. Contrapondo a história de Zeke, temos a determinada Mylene Cruz (Herizen Guardiola), uma garota criada por pais conservadores que sonha em ser a próxima Donna Summer. O ponto em comum desses dois, além de serem jovens negros/latino, é a música. Mylene sonha com Manhattan e uma vida melhor que lhe espera além das ruínas em chamas do Bronx, já Zeke através da sua rima e versos, começa a entender seu papel e importância na comunidade, tudo isso através da música.

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Mylene Cruz divando no coral da igreja

Caldeirão musical e cultura pop

Assim como a história é conduzia de forma não linear, aquele vai e vem entre passado e presente, a trilha sonora é mixada da mesma forma, amarrando perfeitamente ritmo da série. São versos em forma de rap misturando-se com vocal gospel e batida disco. A música latina com seu pandeiro meia lua e violões, misturando uns violinos nervosos. Uma base de piano com soul e vocais gospel. é a disco music em seu auge emprestando seus metais em corneta, trombones e tubas para a mixagem de underground dos DJ do hip-hop. é a galera de boca de sino, lame e óculos escuros de sandália plataforma curtindo a turma dançando aquilo que hoje chamamos de break.

Nada é delimitado e tudo é misturado, fazendo esse caldeirão cultural étnico se tornar muito verossímil. As referencias pop estão por todos os lugares: HQ’s da Marvel, Star Wars, Bruce Lee e os filmes de artes marciais.

E somado a isso temos como pano de fundo a cidade de Nova Iorque, que também desempenha seu papel como personagem. A decadência e alto índice de desemprego, corrida eleitoral para a prefeitura com candidatos brancos que precisam do voto da periferia negra e latina para vencer, ao mesmo tempo esses candidatos querem erradicar e promover uma higienização dos grafites e da cultura desses guetos.

The Get Down mostra como a indústria fonográfica é cruel e seu sexíssimo, tem feminismo e aquela sororidade praticada no dia a dia em cenas lindas, que a gente se emociona e quer sair abraçando as personagens. Tem sangue, muito sangue! Não existe aquela separação básica de bem vs. mal, em um episódio eu amava Shaolin Fantastic e no outro eu queria que ele explodisse.

Aliás, os personagens secundários roubam a cena mesmo. Shaolin Fantastic (Shameike Moore) é um deles, o grafiteiro metido a Bruce Lee que introduz Zeke ao mundo de The Get Down. Outro personagem interessante é Dizziee (Jaden Smith). Ele é todo artístico e tranquilo (a loca do signo que mora em mim diz que ele é de peixes), se mistura bem entre todas as vertentes de grafiteiros e por conhecer quase todo mundo, acaba em uma festa moderninha no SoHo e protagonizando umas das cenas MAIS LINDAS DO SERIADO.

A série estreou a sua primeira parte em agosto deste ano na Netflix, com um orçamento de 120 milhões (!!!), trilha sonora (disponível no Spotify) e edição impecável, a fotografia e paleta de cores retro com muito amarelo mostarda/marrom/vermelho/azul pastel é colírio para os olhos, os cabelos black power e as maquiagens com muito brilho e sombra azul, uma história coerente e cativante de adolescente descobrindo os seus talentos, tentando conquistar seu espaço.

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The Get Down Brothers

This aint no fairy tale.

“Isso não é um conto de fadas”, Zeke diz ao longo da trama. Será este o motivo das pessoas não falarem sobre The Get Down? Eu tenho um palpite… O grande público está desacostumadas com enredos de protagonistas negros e latinos. Stranger Things estreou um mês antes e ainda vejo as pessoas replicando memes e falando sobre. Até agora eu vi pouquíssimas pessoas assistindo The Get Down, o que é uma pena! E o único seriado possível em 2016. E uma aula de história e uma imersão e valorização da cultura negra e hip hop. Antes de ver a série, eu achava que não gostava e não entendia muito bem o hip hop. Hoje eu percebo em como essa vertente foi sendo a apropriada por outros movimentos musicais e pela moda. ao longo dos anos.

The Get Down faz esse resgate das raízes do hip hop mostrando como, onde e o porquê do seu nascimento e de como a música é um instrumento importante na vida daqueles adolescentes, fazendo expressar seus sentimentos, discurso político e de se afirmar como indivíduo.

Postado por Camila Rocha

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21/10/16
The Get Down: único seriado possível em 2016

the get down

Ano passado quando assisti o teaser de The Get Down eu fiquei louca. UM SERIADO SOBRE DISCO MUSIC? BERRO, GRITO, TIRO, BOMBA. Fui nascida e criada escutando Earth, Fire and Wind, Aretha Franklin, Diana Ross (obrigada, pai!), sou apaixonada por todo o contexto que envolve a cultura disco: valorização da estética e musicalidade negra.

Fiquei mais ansiosa depois de saber que seria o diretor Braz Luhrmann contaria aquela história. Quando todo mundo achou que ninguém poderia contar a tragédia de Romeu e Julieta, Braz inovou ambientando a história de forma contemporânea, com muitas pistolas e perseguições de carros, mas mantendo a atmosfera apaixonada e política da peça. Quando hollywood achou que filmes musicais estavam ultrapassados e cansativos, Braz nos brindou com Moulin Rouge.

Então veio The Get Down e a minha surpresa: não é um seriado sobre disco music, vai além disso.

Lado A, Lado B

Os episódios são sempre introduzidos em forma de rap por Mr. Books que conta a sua história, dos amigos e amores, na Nova Iorque de 1977. Parece confuso no começo e nos primeiros você fica “que rap é esse?”, “quem é esse cara?”, “é anos 90 ou 70?”, “cadê o disco?”. Mas as personagens e suas histórias são apresentadas e tudo vai se encaixando como numa grande engrenagem. Ezequiel Figueiro (Justice Smith) é um dos adolescentes que conduz a história, ele perdeu os pais e vive com a tia materna no Bronx e, como todo adolescente, tem seus sonhos e aptidões (escrita e leitura), mas se sente inseguro e precisa da ajuda dos amigos para se tornar mais confiante. Contrapondo a história de Zeke, temos a determinada Mylene Cruz (Herizen Guardiola), uma garota criada por pais conservadores que sonha em ser a próxima Donna Summer. O ponto em comum desses dois, além de serem jovens negros/latino, é a música. Mylene sonha com Manhattan e uma vida melhor que lhe espera além das ruínas em chamas do Bronx, já Zeke através da sua rima e versos, começa a entender seu papel e importância na comunidade, tudo isso através da música.

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Mylene Cruz divando no coral da igreja

Caldeirão musical e cultura pop

Assim como a história é conduzia de forma não linear, aquele vai e vem entre passado e presente, a trilha sonora é mixada da mesma forma, amarrando perfeitamente ritmo da série. São versos em forma de rap misturando-se com vocal gospel e batida disco. A música latina com seu pandeiro meia lua e violões, misturando uns violinos nervosos. Uma base de piano com soul e vocais gospel. é a disco music em seu auge emprestando seus metais em corneta, trombones e tubas para a mixagem de underground dos DJ do hip-hop. é a galera de boca de sino, lame e óculos escuros de sandália plataforma curtindo a turma dançando aquilo que hoje chamamos de break.

Nada é delimitado e tudo é misturado, fazendo esse caldeirão cultural étnico se tornar muito verossímil. As referencias pop estão por todos os lugares: HQ’s da Marvel, Star Wars, Bruce Lee e os filmes de artes marciais.

E somado a isso temos como pano de fundo a cidade de Nova Iorque, que também desempenha seu papel como personagem. A decadência e alto índice de desemprego, corrida eleitoral para a prefeitura com candidatos brancos que precisam do voto da periferia negra e latina para vencer, ao mesmo tempo esses candidatos querem erradicar e promover uma higienização dos grafites e da cultura desses guetos.

The Get Down mostra como a indústria fonográfica é cruel e seu sexíssimo, tem feminismo e aquela sororidade praticada no dia a dia em cenas lindas, que a gente se emociona e quer sair abraçando as personagens. Tem sangue, muito sangue! Não existe aquela separação básica de bem vs. mal, em um episódio eu amava Shaolin Fantastic e no outro eu queria que ele explodisse.

Aliás, os personagens secundários roubam a cena mesmo. Shaolin Fantastic (Shameike Moore) é um deles, o grafiteiro metido a Bruce Lee que introduz Zeke ao mundo de The Get Down. Outro personagem interessante é Dizziee (Jaden Smith). Ele é todo artístico e tranquilo (a loca do signo que mora em mim diz que ele é de peixes), se mistura bem entre todas as vertentes de grafiteiros e por conhecer quase todo mundo, acaba em uma festa moderninha no SoHo e protagonizando umas das cenas MAIS LINDAS DO SERIADO.

A série estreou a sua primeira parte em agosto deste ano na Netflix, com um orçamento de 120 milhões (!!!), trilha sonora (disponível no Spotify) e edição impecável, a fotografia e paleta de cores retro com muito amarelo mostarda/marrom/vermelho/azul pastel é colírio para os olhos, os cabelos black power e as maquiagens com muito brilho e sombra azul, uma história coerente e cativante de adolescente descobrindo os seus talentos, tentando conquistar seu espaço.

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The Get Down Brothers

This aint no fairy tale.

“Isso não é um conto de fadas”, Zeke diz ao longo da trama. Será este o motivo das pessoas não falarem sobre The Get Down? Eu tenho um palpite… O grande público está desacostumadas com enredos de protagonistas negros e latinos. Stranger Things estreou um mês antes e ainda vejo as pessoas replicando memes e falando sobre. Até agora eu vi pouquíssimas pessoas assistindo The Get Down, o que é uma pena! E o único seriado possível em 2016. E uma aula de história e uma imersão e valorização da cultura negra e hip hop. Antes de ver a série, eu achava que não gostava e não entendia muito bem o hip hop. Hoje eu percebo em como essa vertente foi sendo a apropriada por outros movimentos musicais e pela moda. ao longo dos anos.

The Get Down faz esse resgate das raízes do hip hop mostrando como, onde e o porquê do seu nascimento e de como a música é um instrumento importante na vida daqueles adolescentes, fazendo expressar seus sentimentos, discurso político e de se afirmar como indivíduo.

Postado por Camila Rocha

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15/06/16
Série Love – Netflix

série love netflix

A Netflix está arrasando com as sérias próprias. A bola da vez é a série Love, uma comédia romântica com pitadinhas leves de drama que conta a história de Mickey e Gus, dois adultos que acabaram de entrar na faixa dos 30 que se conhecem por acaso logo após  terminarem seus respectivos relacionamentos.

Mickey é apresentada como a garota descolada que trabalha em uma estação de rádio, usa drogas, bebe, fuma e é  aquela bagunça de  pessoa sem estabilidade emocional que acaba sendo vista como descolada e cool. Já Gus é o típico nerd  tímido e fã de cinema que mal bebe, é bonzinho e trabalha como professor no set de filmagens de uma série.

Ao se conhecerem, Gus imediatamente gosta de Mickey e os dois começam a trocar mensagens e a se encontrar ocasionalmente. O problema é que Mickey e sua vida constantemente agitada acaba deixando o relacionamento dos dois muito difícil de engajar.

A sacada de Love é ir além de uma história sobre o início de um relacionamento entre uma descolada e um nerd, pois desconstrói esses dois estereótipos. Gus é aquele nerd bonzinho que não é tão bonzinho assim, como ele é visto como um carente solitário, o personagem parece ter adotado essa personalidade, porém ele é tão egoísta e arrogante como a própria Mickey. Já ela, que se faz parecer forte e independente acaba se mostrando, ao longo dos episódios, mais sensível, carente e vulnerável que o próprio Gus.

série love

É divertido e interessante ver como cada um cria expectativas em cima do outro, o desespero de mandar uma mensagem e esperar a resposta, projeções e principalmente entender o outro além do que ele se deixa mostrar.

Apesar do carisma da personagem feminina, as partes mais engraçadas ficam por conta de Gus, que não é tão carismático, mas gera umas boas risadas em seus surtos no dia a dia.

Love é ideal para ver entre episódios de séries pesadas ou quando você precisa dar uma respirada e ver algo tranquilo. Nada de excepcional, mas divertida.

Postado por Carina Silva

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10/05/16
Filmes para apaixonados por música

Quem gosta de música e cinema sabe como é uma delícia ver um filme musical. E por musical  não quero dizer do tipo Grease ou Hair Spray, mas sim filmes que falam sobre música, têm uma trilha sonora mara e falam sobre composição, instrumentos e a magia da música. Música, música, música!

Pensando nisso, separei  uma lista de filmes para apaixonados por música, que se não vão te fazer sair para montar uma banda, irão, no mínimo, te fazer ouvir música no talo ou partir para uma festa.

Os piratas do rock

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A trama gira em torno do protagonista Carl – lindo e bobo – que quer conhecer o seu pai e a única pista que sua mãe dá é que ele mora em um barco e é um radialista pirata de rock.

O filme se passa nos anos 60 na tradicional Inglaterra, década em que o rock ainda era mal visto. Além da rádio ser feita de rock and roll 24 horas por dias, cada locutor tem uma personalidade muito particular e toca, obviamente, seu estilo de música favorito. Além das piadas mixarem rock com verdadeiros costumes piratas, ver os protagonistas se entregando a cada música é divertidíssimo.

Estrelas: ***

Detroit Rock City

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Em 1978 quatro amigos adolescentes fanáticos por KISS fogem da escola e partem para Detroit, a cidade do rock, só para curtir um show da banda.

Piadas gratuitas e coisas nojentas que só adolescentes roqueiros conseguem fazer e falar (ou pelo menos os de filmes), transbordam no filme. A trilha sonora, além de muito KISS, é cheia de rock clássico farofa. Ótimo para ver com os amiguinhos comendo pizza e uma cerveja.

Estrelas: ***

E se Nada der Certo

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Gretta namora um cantor e compositor há muitos anos, até que ele consegue um contrato com uma gravadora e ambos se mudam da Inglaterra para os EUA. Quando o boy fica famoso, acaba a deixando e, sem mais nada a perder na vida, a moça resolve mostrar timidamente suas composições para Nova York, é assim que conhece o produtor Dan. Falido e sem fechar contrato com nenhum cantor bom há anos, ele vê muito potencial em Gretta e se encanta com seu talento e musicas sensíveis. É um filme docinho que vai te conquistar na 1ª cena.

Estrelas: ***

Empire Records

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Que climão grunge delícia é esse filme de 95! Com as musas da década, Liv Tyler, Renee Zellweger e Robin Tunney no elenco, o filme se passa em um dia de trabalho na loja de disco Empire Records, quando seus jovens vendedores descobrem que a loja vai ser comprada por uma rede sem graça e eles, junto com o gerente charmosão, vão tentar impedir. Ao longo do dia de trabalho, cada um dos jovens vão resolvendo seus conflitos, como Corey que quer deixar de ser a menina certinha, Debra que tentou se suicidar no dia anterior, A.J que quer se declarar para Corey…Enquanto isso muita música delícia na soundtrack que vai de AC/DC a The Cranberries.

Estrelas: **

Nick e Nora – Uma noite de amor e música

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O filme se passa em uma noite só e começa quando os dois apaixonados por música Nick (Michael Cera) e Nora (Kat Dennings) se conhecem em uma noite novaiorquina enquanto buscam- com seus respectivos amigos – por um show secreto de uma banda indie que gostam ( se não é o primeiro encontro perfeito eu não sei o que é). Enquanto partem na busca ao tesouro, o mais novo casal de amigos aproveita para curtir a night e… aprontar muita confusão (piadinha).

Estrelas: ****

Quase Famosos

Filmes para apaixonados por música

Apesar do título ser sobre uma banda que está quase alcançando o auge em pleno anos 70, o protagonista é o jovem jornalista William. Apaixonado por música desde criancinha, William foi criado por uma mãe rígida e protetora, mas que mesmo assim deixa o filho partir em uma turnê com uma banda para escrever uma matéria para a revista Rolling Stone. O que ele não esperava era se apaixonar por uma das groupies da banda e se perder em meio a bagunça que é o mundo da música. Filme obrigatório para quem ama o mundo da música e principalmente do rock.

Estrelas: *****

Letra e Música

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Alex é um ex integrante de um grupo pop muito famoso nos anos 80 que se encontra em decadência. Só as fãs de longa data frequentam o seu show e ele se apresenta apenas em eventos pequenos. Como um presente dos céus, uma cantora pop nova e famosa o convida para uma parceria musical e ele aceita de prontidão. O único problema é que Alex está enferrujado para compor músicas e sua salvação acaba sendo sua regadora de plantas, Sophie. O talento para rimas e escrita de Shophie a deixa encarregada da letra enquanto Alex compõe o ritmo.

A graça, além do casal fofo que os dois formam, é ver a criação da letra de uma música do começo ao fim.

Estrelas: ***

Alta Fidelidade

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Não tem como deixar de falar de música sem citar o fanático por música e vinis, Rob Gordon, personagem principal da adaptação do livro homônimo de Nick Horby para o cinema.

Rob é dono de uma loja de vinis à beira da falência que acaba de levar o pé na bunda da sua namorada. O acontecimento serve para ele dissecar cada um de seus relacionamentos anteriores, enquanto conversa com o telespectador sobre música, e como ela é importante para se avaliar alguém. Com um humor sarcástico, o filme discorre sobre relacionamentos e músicas junto com uma lista de referências da música pop. Impossível não gostar.

Estrelas: ****

Apenas Uma Vez

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Apesar de lindo e poético, não recomendo  para ser visto em domingos nublados e sozinha em casa.
O filme irlandês conta a história de um músico de rua que tem vergonha das suas próprias canções. Um dia ele conhece uma jovem carismática e encantadora mãe solteira que trabalha vendendo flores na rua. Ela gosta das músicas dele e logo ambos se aproximam e se encantam um pelo talento musical do outro. O romance melancólico se desenvolve enquanto ambos se conectam por meio da química musical.

O interessante desse filme é que os atores realmente cantam ( fizeram até turnê em conjunto tocando as músicas do filme), então nada de playback ou falsidade. Realmente um amor.

Estrelas: *****

Escola de Rock

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Esse filme vai se tornar um clássico da sessão da tarde para a próxima geração. E não é pra menos, levinha e divertida, a comédia é, pra mim, o melhor filme do Jack Black. Aqui ele interpreta um roqueiro old school que é expulso de sua banda por chamar atenção demais (e não de uma forma legal). Sem dinheiro e ameaçado de ser expulso do apartamento que divide com o amigo, ele resolve se passar por um professor substituto e é quando descobre que seus alunos tem um tremendo talento musical. Logo, ele resolve montar uma banda com as crianças para participar de um concurso.

Ver cada criancinha com sua personalidade engraçada e fofa descobrindo o rock é uma delicia e, de bônus, todos os atores mirins realmente são músicos.

Estrelas: *****

O Som do Coração

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August Rush é um garoto órfão que nasceu de uma noite de amor casual entre uma violinista e um guitarrista, ambos apaixonados por música. Com um ouvido e feeling musicais fora do normal o garoto foge do orfanato para encontrar seus pais por meio da música, e é nas ruas de Nova York que tem contato com todos os tipos de ritmos e instrumentos diferentes.  Além da jornada do garotinho, o filme acaba contando a história de seus jovens pais que, por algum motivo, nunca mais se encontraram depois daquela única noite de amorzinho.

Estrelas: ***

Adorável Professor

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Baseado em fatos reais, Adorável Professor é a biografia do professor de música Mr. Holland’s, um compositor de música clássica frustrado que é obrigado a dar aula de música no ensino médio para manter ele e sua esposa. Assim como qualquer aspirante a artista, Mr. Holland’s tenta conciliar as aulas de seus alunos sem talento com a composição, mas fica tudo mais difícil quando a esposa engravida. Conformado com o papel de professor, ele se envolve cada vez mais nas suas aulas ao longo dos anos  60 e 80 e acaba tocando cada aluno de uma forma diferente por meio da música. Prepare os lencinhos.

Estrelas: ****

Postado por Carina Silva

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17/12/15
Star Wars o despertar da Força – nostalgia, girl power e surpresas

star-wars-o-despertar-da-forçaO novo Star Wars o despertar da Força é um tapa na cara dos defensores dos bons, e mais do que velhos, costumes.

Com dois protagonistas representantes das minorias de negros e mulheres, o filme que apresentou um clássico do cinema para a nova geração está carregado de girl power e zero  preconceito racial. Mesmo os produtores dizendo que essa não foi a intenção.

Porém, a questão que ficou na minha cabeça após sair da sala de cinema com a cara inchada de choro,  e acredito que na cabeça de outros fãs, é se o filme realmente se faz necessário como uma continuação desse clássico lindo.

Em “O despertar da força” a participação dos personagens da trilogia clássica foi, não só algo para agradar e  provocar nostalgia nos fãs de longa data, mas também uma bengala para os roteirista J.J. Abrams, Michael Arndt e Lawrence Kasdan, já  que o roteiro se mostrou previsível e uma reciclagem da trilogia antiga. Tudo isso faz refletir se essa realmente foi a intenção (fazer um filme de homenagem, como Jurassic World, por exemplo) ou se foi apenas a falta de capacidade de criar uma história sequência sem se apegar tanto ao roteiro dos filmes clássicos.

Além da jornada do herói seguida a risca novamente,  temos algumas extensões de personagens já criados, como o piloto Poe, cujo papel é ser charmoso e ter a desenvoltura marota de um Han Solo. Um R2D2 mais comunicativo e com mais personalidade está lá também  como BB8, mestre Yoda como a criaturinha pequena Maz, a figura paterna exercida por Obi Wan já fica nas mãos do, agora também velhinho, Han solo e finalmente Luke e Anakin (os rapazes do deserto, pobres e sem perspectiva de vida), como a poderosíssima Ray.

E chegamos a ela! Ray, a garota que salva o filme por ser independente, forte e não precisar, em nenhuma hora sequer, da ajuda de um homem. Ray é quem resgata seus amigos, Ray é quem luta e sabe pilotar. É bonitinha? É, mas não é só isso.

Por fim, o trio de amigos e protagonistas se completa com Finn, um personagem carismático que acredito que tenha faltado força, mas não carisma. As piadas hollywoodianas ficaram nas mãos do próprio e algumas funcionaram e outras não porque, meu deus, quantas piadas!

star wars

Como não poderia deixar de ser, lágrimas rolaram. O motivo pode variar, mas sem dúvida a saudade foi uma delas. Infelizmente para dar espaço ao novo, o velho tem que acabar e “O despertar da força” se despede do passado com gratidão, mas deixando um aperto no coração.

E agora, se não quiser saber absolutamente nada relacionado a história, pare de ler. NÃO contém spoilers.

É compreensível que não vamos mais ver o Star Wars de George Lucas, e que mesmo a velocidade e energia do filme tendo mudado para agradar além dos mais velhos os mais novos, J.J. Abrams se empolgou em algumas modificações. O novo assusta, mas em algumas coisas é melhor não mexer.

E vamos ao vilão, Kylo Ren,  fraco como personagem e apenas uma catarse para história – espero – Ren é mimado inseguro e vê em Darth Vader seu próprio Yoda. É um vilão que te faz odiá-lo pelos motivos errados (não como amamos odiar Darth Vader). Mas isso pode ser bom, afinal é uma diferença dos filmes antigos. Assim como a história tem que se aprofundar mais, Kylo Ren também, do contrário, pode passar batido.

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Han Solo, Luke e Leia foram os principais responsáveis por provocar choros dos marmanjos na sala de cinema, mas seus destinos no filme chegam a estragar a imaginação dos fãs sobre o que aconteceu após o Episódio VI.

George Lucas passou o bastão da sua criação para a Disney, morremos de medo e o resultado foi um filme que, para funcionar, precisa da mente aberta de todo mundo para compreendermos que a franquia nunca mais terá o mesmo ar que teve.

O filme abre as portas e recebe de braços abertos os padawans e presenteia os mestres unindo o velho com o novo. O desafio será inovar e criar uma história e aventura tão cativantes e com mensagens profundas e significativas, como as anteriores, nos próximos filmes.

Postado por Carina Silva

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07/12/15
Comic Con Experience, eu fui

comic-con-2015

E aí o Brasil tem uma Comic Con com direito a atrações internacionais do mesmo nível das atrações da tradicional Comic Con de San Diego e eu fui! Eu fui e vou contar pra vocês qual é que é a desse evento que surgiu nos EUA e teve a primeira edição aqui no Brasil em 2014 e de lá pra cá o número de estandes, atrações e público aumentou consideravelmente.

A  Comic Con (Expirience) é um evento para quem gosta de cultura pop  voltada para o lado geek (quadrinhos, mangas, animes, seriados – alguns nerds, outros nem tantos- e filmes – esses nerds mesmo). Em um resumo muito cru, é um evento com estandes de diversas marcas legais que vão desde roupas até decoração e quadrinistas vendendo  e autografando seus trabalhos até painéis com gente famosa  e “importante”. E é claro tem os queridos cosplays.

comic-con-2015

O que foi bom:

  • A Comic Con disponibilizou para quem fosse de metrô, ônibus de graça até o local e logo na saída da catraca do metrô já tinham staffs indicando  pra onde você devia ir.
  • O lugar, apesar de grande, estava muito bem organizado, tudo dividido por letras para você se encontrar muito bem. Por exemplo: se perdeu? É só avisar o amigo que está na ala H ou G…etc.
  • Tinha um lugar específico para os cosplayers se arrumarem. Olha que fofo.
  • O chão não ficava sujo um minuto sequer. A toda hora se via funcionários limpando, secando, varrendo, sugando.
  • Todo mundo era super educado. Não tinha como ser diferente, nerds em seu habitat natural tendem a ficar mais felizes. Na praça de alimentação todo mundo dividia a mesa com estranhos, fiz amizades breves nas filas, troquei favores para bater foto de pessoas e elas de mim. Muito amigável e familiar.
  • Não gastei tanto dinheiro quanto pensei que ia gastar. Motivo:  ou comprava uma caneca de R$ 30,00 ou um boneco de R$ 500,00 e, acreditem, tinha muito mais boneco de R$ 500,00 do que caneca de R$ 30,00.
  • Tinha muita gente porém não o suficiente parar super lotar o lugar. Ano que vem a organização  pretende dobrar o tamanho e acho isso ótimo pois, sem dúvida, o público vai continuar crescendo e muito.

O que foi ruim:

  •  Teve fila para pegar o ônibus do metrô até a Expo São Paulo, fila para entrar com a credencial, para comer,  para ir ao banheiro e entrar nas lojas mais legais. Para se ter uma ideia, a loja do Star Wars e a Comix davam voltas. Mas, como não fui em nenhum painel, não vi muito problema em ficar nas filas.
  • O valor do ingresso – quase R$ 200,00 para os finais de semana – não inclui os Meet and Greet”,  ou seja, se você quer ver um ator e tirar foto com ele vai ter que pagar esse valor de novo apenas para fazer isso.
  • Os painéis são o grande problema. Eis uma coisa para quem não foi na Comic Con e pretende ir: ou você aproveita o evento ou fica na fila para ver o painel da celebrity que quer. O que acontece é que cada sala de painel tem uma lotação máxima, e quem viu o painel das 13h pode muito bem ficar na sala para ver o painel das 15h e além de já ter uma fila quilométrica para ver o painel das 15h, você ainda depende das pessoas que vão sair da sala para dar espaço às pessoas que ainda estão na fila.

Então aí vai a dica: se você quer ter a experiência completa de ver os painéis e ainda andar pelo evento, vai ter que por a mão no bolso e comprar ingresso para ir pelo menos em dois dias. Um para ver os painéis e outro para andar pelo evento.

  • Teve um grande tumulto – ao que li, pois não fui na sexta, 04 – no painel do Netflix (com os atores de Sense 8 e Jessica Jones). O público não ficou sentado e foi todo mundo até a grade causando um tumulto. O resultado foi acabar com o painel com apenas 10 minutos de duração e fazer o público do lado de fora pagar uma grana altíssima para tirar foto com os atores.
  • Tinha poucos quadrinistas (ao menos no dia em que eu fui, sábado 05). Por ser um evento que surgiu tradicionalmente com o foco em quadrinhos era a oportunidade do Brasil de apresentar seus talentos para o publico consumidor. Infelizmente, como tudo, os astros do evento acabaram sendo as celebridades dos filmes e séries americanas.
  • O lugar não tinha estrutura para receber chuva. No fundo da São Paulo Expo a água da chuva deu um jeito de entrar, alagar o chão e acabar com a energia do meio até o fim da São Paulo Expo.

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Sem dúvida para haver uma divisão justa de público que vai aos painéis, o evento ainda precisa ao menos triplicar o numero de convidados. Vamos esperar e ver, afinal, apesar de estar crescendo rápido, ninguém faz milagre.

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Por fim, minha percepção da Comic Con é que  ela  como o Starbucks. É caro pra caramba e você não sabe direito porque está lá, já que poderia tomar um cafezinho mais gostoso em outra cafeteria, mas estar em um lugar tão famoso com copinhos tão legais deixa a experiência muito mais mágica.

De fato, se você não for ver nenhum painel (porque não quer perder o evento sentado em uma fila), não estiver disposto a andar e nem tiver dinheiro para comprar um mangá que seja, o valor absurdo que vai pagar apenas pra entrar não vale. Mas se quiser ter uma experiência divertida – porque é sim muito divertido – sem dúvida, é uma delicinha.

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Postado por Carina Silva

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29/11/15
Afinal, quem é Jessica Jones?

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Tá todo mundo falando dela. Feminista, luta, tem superpoderes mas não é uma super heroína, é sarcástica e alcoólatra. Afinal de contas quem é essa Jessica Jones?

Jessica é uma personagem da Marvel que teve um acidente de carro e acabou desenvolvendo seus poderes de super força e pular muito alto (ou voar um pouco?). Sua curta jornada de super-heroína acaba quando ela encontra Killgrave, um britânico cujo poder é fazer as pessoas fazerem tudo o que ele diz. Depois de passar por um relacionamento forçado e fazer coisas muito ruins ordenadas por Killgrave, Jessica consegue se livrar dele e passa a ganhar a vida como uma investigadora particular ainda com traumas psicológicos causados pelo vilão. Só que tem um pequeno problema: ela não se livrou dele completamente.

Hã, tá mais e daí? O que isso tem de mais?

jessica-jones-serie-original-netflix-marvel_510095 Bom, parte da interpretação de cada um, mas é muito fácil ver Killgrave como aquele cara que prende as mulheres. Em diversas cenas, Jessica deixa bem claro que foi estuprada não só fisicamente mas mentalmente por Killgrave, mesmo ela “querendo” (não queria, afinal, ele controlava sua mente).

Além disso, a personagem não é a típica “mulher maravilha”. Jessica é obscura, mal humorada, alcoólatra e adora um sexo casual. Além disso, para quem não sabe de nada, dá até pra se esquecer que é uma série de heróis. Afinal, não temos capas, raios e nem olhos de laser.

 

A série

Netflix se superou na produção. A fotografia é linda e a direção também. Sem falar na escolha da atriz. Ninguém poderia interpretar alguém tão obscura como Krysten Ritter.

Mas tem que falar mal 

Seguinte, apesar da trama ser boa e a maioria dos 13 capítulos te deixar tensa, o roteiro tem coisas desnecessárias e forçadas. Bem forçadas. Como por exemplo, o grande foco que a advogada Jeri Hogarth e seus problemas amorosos com a esposa e amante recebem. Jeri é forte? É? É legal ter homossexuais na série? É. Mas a personagem é entediante e seu arco não faz a mínima diferença para a trajetória da heroína. Pelo menos não nessa 1ª temporada.

Já sobre a atuação da Krysten, dá pra dizer que é muito boa nos momentos introspectivos e psicóticos de Jessica Jones, mas falha na hora da raiva e descontrole,  ficando algumas vezes forçada. Assim como em algumas cenas de luta que não convencem. Krysten superou as expectativas (já que só vi filmes de comédia e leves com ela, tirando Breaking Bad), mas ainda tem muito a melhorar.

Veredicto final:

Jessica Jones é uma série onde os homens são coadjuvantes, as mulheres lutam e colocam a mão na massa e isso é lindo de se ver. Alguns capítulos foram maçantes, mas a série no geral, mesmo não virando a série da vida de todo mundo, é boa e vale bastante a pena assistir.

 

E vocês? Concordam, discordam? O que acharam de Jessica Jones?

Postado por Carina Silva