opinião


03/02/16
Meninas, se relacionem com pessoas da sua idade

A gente sabe a sociedade em que vivemos, em que meninas são sexualizadas muito cedo, em que mulheres são infantilizadas, em que uma mulher envelhecer é quase um crime. Sabemos também que crimes relacionados a pedofilia, homens fetichizando meninas, dentre outras práticas são normalizadas e muito aceitas na nossa sociedade.

Garotas de 10 a 17 anos se casam com homens aqui mesmo no Brasil, não precisamos ir a um país da África ou do oriente, isso acontece bem debaixo dos nossos olhos todos os dias. Outro dia mesmo uma menina participante do Master Chef Júnior, foi alvo de comentários sexuais nas redes sociais. Ontem no BBB um pedófilo confesso estava sendo validado pelo apresentador do programa e a mulher que o acusou sendo tachada de louca.

angelina jolie com 14 anos

Outro dia no meu FB um cara de uns 35 anos postou essa foto com a legenda: Angelina Jolie com 14 anos. Meu amigo, a Angelina de 40 anos não sabe da sua existência e ainda sim você acha que o ideal pra você é a versão de 14 anos dela? Qual o seu problema?

Tudo isso que eu falei e muito mais a gente já sabe, já leu, já viu acontecer ou já passou por isso. O que raramente vejo acontecer é o que eu vou dizer agora:

MENINAS, SE RELACIONEM COM PESSOAS DA SUA IDADE! Eu inconscientemente segui uma regra durante a adolescência e início da vida adulta, é a regra dos 4 anos (2 pra cima e 2 pra baixo). Que consiste em só me relacionar com pessoas até 2 anos mais velhas ou mais novas do que eu. Foi uma escolha pessoal, não foi proposital, mas eu repelia qualquer tipo de assédio de homens mais velhos. E posso dizer agora, que foi a melhor coisa que fiz pra minha versão mais jovem e que me trouxe sem traumas até a vida adulta.

E tem vários motivos para que essa seja a melhor decisão que você toma:

  • Por mais madura e inteligente que você seja, você só existe nesse planeta por sei lá 14 anos, chutando uma idade que você começou a namorar. Um cara que tem 30 ou mais, já vivenciou experiências como ter filhos, casamento, e outras tretas que você nem sonha. Essa pessoa, por mais que você seja esperta, vai te dar um baile de manipulação, ele sabe muito bem o que dizer e fazer pra te envolver e te levar para o caminho que ele queira;
  • Quando você namora alguém da sua idade, normalmente vocês descobrem várias coisas juntos, o que é novo para um é também para o outro, e isso é lindo e único! E salvem essa, nunca mais você vai poder viver isso na sua vida;
  • Você já parou pra pensar em porque esse cara mais velho está interessado em você? Foi amor a primeira vista mesmo ou ele só sai com “novinha”? Há chances absurdas dessa pessoa já ter um padrão de ir atrás de moças novas justamente porque por mais madura que você seja, ele já viveu e sabe muito mais da vida que você. Ele não se interessa por mulheres mais velhas porque essas já sacam muito bem a dele, (pedófilos são também misóginos e muitas vezes também racistas, homofóbicos, essas coisas andam juntas);
  • Mais uma vez, se você não namora um menino ou menina de 14 anos quando você tem 14 anos, QUANDO É QUE VOCÊ ACHA QUE VAI PODER FAZER ISSO DE NOVO? Pois é miga, nunca! Até porque homem mais velho com menina é aceito e acontece a torto e direito, mas mulher mais velha na nossa sociedade não namora nem homens da mesma idade, nosso valor ainda está diretamente ligado a juventude e padrão de beleza;

 

Meninas, se relacionem com pessoas da sua idade

E essa afirmação de que meninas gostam de homens mais velhos não se aplicou a mim, até porque na verdade é uma afirmação que vejo homens fazerem, não conheço meninas que demonstrem esse tipo de preferência. Na verdade o que mais acontece é que os alvos desse tipo de predador são meninas e moças que tem situação financeira ruim, passam por problemas familiares, pais ausentes.

Daí esse homem já formado, aparentemente sábio, com melhor condição financeira vem e se mostra interessado por uma menina que quer se sentir especial, ele acaba virando o príncipe salvador, protetor e provedor que ela tanto precisava. Mas a vida não é conto de fadas, aliás, nem o conto de fadas é conto de fadas. E esse tipo de relacionamento só tem um motivo, CONTROLE.

Pode parecer que eu to passando aqui aquela mensagem errada que sempre culpa a vítima, tipo, não quer ser estuprada, não saia, não beba, não use roupa curta; não quer engravidar tome pílula ou faça abstinência! E NÃO É ESSA A MENSAGEM QUE EU QUERO PASSAR! Só acredito que mesmo sendo recriminável, mesmo sendo nojento e danoso para as meninas, a sociedade aceita e ainda diz que esse tipo de relacionamento é escolha da menina de 14, 15, 16 anos, que elas não são inocentes, dentre outras falácias. Então vamos abrir um diálogo com as meninas, vamos falar com elas o que a gente queria que tivessem falado com a gente nessa idade:

HOMENS MAIS VELHOS NÃO QUEREM TE NAMORAR PORQUE TE AMAM, ELES SÓ QUEREM ALGUÉM FÁCIL DE MANIPULAR!

My Mad Fat Diary

Elenco da série My Mad Fat Diary

VIVA INTENSAMENTE ESSA FASE DA SUA VIDA, COM PESSOAS QUE TAMBÉM ESTÃO PASSANDO PELAS MESMAS EXPERIÊNCIAS E VIVÊNCIAS. ESSE MOMENTO PASSA MUITO RÁPIDO E VOCÊ NUNCA MAIS VAI PASSAR POR ELE, NÃO DESPERDICE COM QUEM SÓ QUER SUGAR A SUA JUVENTUDE, TE CONTROLAR E SE SENTIR PODEROSO POR EXIBIR UMA “NOVINHA”.

Se você tem entre 10 e 17 anos e veio parar nesse post, ouça os conselhos da tia aqui! E as minas que acompanham o Garotas, repassem para suas irmãs, primas, amigas, filhas, colegas… 😉

Postado por Helena Sá

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09/01/17
Como surfar uma onda que não é a sua

Choro magro

Estava com dificuldades pra dar um título pra esse post, daí conversando com a Kalli outro dia, ela me disse sobre alguém que estava tentando se apropriar da vivência alheia: “Como surfar uma onda que não é a sua”.

E é basicamente isso, pessoas tentando trazer pra si holofotes se aproveitando e personalizando a vivência alheia. Se apropriar da história, da experiência, do estilo, das ideias de outras pessoas, clamando pra si através de diversos atos o que não viveu, e principalmente não sofreu.


Estamos passando por um momento atual de destaque e de empoderamento de lutas de minorias oprimidas. Os homossexuais, os negros, transsexuais, mulheres, gordos e outras minorias estão em voga. Mesmo com toda essa onda conservadora atual, essas lutas nunca tiveram tanta força.

Grandes marcas estão abrindo os olhos para essa parte da população como grande potencial de consumo, e colocando em suas campanhas mulheres fora do padrão de todas a formas. Influenciadores de nichos hora deixados à margem, agora estão tendo algum destaque.

Isso tudo chama muito a atenção e ajuda muito na autoestima dessas minorias, na representatividade delas. Mas traz também muitos aproveitadores, gente que antes era fitness, lifestyle perfeito, viagens e compras, agora é consciente, faz relatos de sua história de vida cheia de complexos, sua auto estima abalada… e tudo isso pasmem, sendo padrão e simplesmente querendo isso mesmo: SURFAR NUM CLOSE ERRADO.

E por que isso é ruim, qual o problema dessas pessoas aderirem a essas causas? O primeiro grande mal é o APAGAMENTO, das pessoas e das vivências REAIS. Além disso, aderir não é a palavra certa, já que fazendo isso esses oportunistas não apoiam causas, simplesmente se apropriam do lugar de fala e por serem já indivíduos privilegiados dentro de uma sociedade padronizada. E absurdamente, essas pessoas conseguem ter mais voz, mais atenção e credibilidade do que o grupo que realmente precisa desse lugar.

E por que agora eu resolvi abordar isso aqui? Porque isso tem crescido mais e mais, pessoas oportunistas que querem se destacar de alguma forma, a qualquer custo, não interessa como, estão cada vez mais se apropriando e ocupando destaque e oportunidades que não lhes cabem.

É homem falando de feminismo, magro se dizendo sofredor de gordofobia, até branco de cabelo cacheado se identificando como negro já vi por aí.

E isso realmente funciona, pois eles são a versão maquiada e editada da realidade. É muito mais bonitinho ouvir sobre opressão, auto estima, e luta de carinhas e corpinhos padraozinho, de pele rosada e cabelo loirinho.

E pra quem é esse recado afinal? Vale a pena apelar a consciência de seres humanos que fazem esse tipo de fraude? Claro que não, estou aqui falando para quem se sente diretamente atingido e afetado por esse apagamento.

Reajam, confrontem, digam lá no textão da branca/branco magra(o) que sofre opressão pra ela se situar, pra não vir querer surfar sua onda, pois na hora de ser subjugada e humilhada por sua aparência, cor ou orientação, ela não estava lá.

E você que tá aí fazendo essa presepada toda, montando esse circo e atuando vivendo o personagem do momento. A gente te saca, ok? Não pense que tá colando não. 😉

O mar é pra todo mundo, mas não mata os peixinhos, ok?

Postado por Helena Sá

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02/01/17
Minha NÃO lista de metas para 2017

Lista de não metas

Finalmente 2017, muita gente postando suas metas, tem textão de metas do facebook, no instagram, tem vídeo de metas do youtube… e eu falando de uma NÃO lista de metas para 2017! WTF?!

As metas não variam muito, as pessoas tem uma lista quase que inflexível de coisas que acreditam que se fizerem, será a chave pra felicidade.

Então sempre tem o desejo de ser mais organizado, perder peso, ser mais saudável, mais tranquilo, produzir mais, viajar mais, ler mais, consumir menos… e sim, algumas dessas metas são realmente interessantes. Mas será que se impor metas no inicio de um novo ciclo te ajuda em alguma coisa? 🤔

É uma dúvida honesta minha, pra mim nunca funcionou, estabelecer metas sempre foi uma forma de me frustrar por não conseguir cumpri-las. As coisas pra mim funcionam melhor, eu cumpro mais coisas que eu deixo que instintivamente meu corpo e minha mente meio que concordarem em fazer.

Então sem pressão, no dia que tem que ser, rola. Pra mim é assim. Não tem Marie Kondo que me faça virar uma mestre na organização se eu não estiver com vontade. ⭐️

VONTADE, essa é uma palavra chave pra mim.

Não costumo me forçar a fazer nada, mesmo coisas que no futuro possam me fazer algum bem. A vida já nos força a fazer muita coisa, então acredito que gente não precisa impor mais nada, nos obrigarmos, nos pressionarmos dessa maneira. 💜

Essa é uma filosofia de vida minha, não acredito que dê pra forçar nada que não sejamos. Não dá pra ser good vibes deboísta só porque foi uma meta pro ano. Mudar hábitos, é difícil, mudar uma personalidade então é insano, talvez com uma lobotomia funcione. 😅

Com isso eu quero dizer que as pessoas não mudam, que eu não quero melhorar ou crescer? Não é isso, eu, você, nós, somos seres em constante transformação, isso é óbvio, o que parece não ser pra muita gente, é que não dá pra forçar isso. Bater metas é coisa mais chata do mundo, qualquer um que trabalha ou já trabalhou em empresas que nos impõem e pressionam por metas irreais, sabe disso.

Pra que trazer pra nossa vida algo que a gente detesta? Algo artificial, forçado, enfiado goela abaixo?

Não metas para 2017

 

Desejo pra 2017 algo que já vem acontecendo na minha vida desde o início de 2014. Um crescimento pessoal, uma evolução absurda, incrível, mas totalmente natural, no meu tempo.

Ou seja, em 2017 eu quero trabalhar mais no que eu amo, estar mais com os amigos que tenho feio nesses últimos 3 anos, tentar inspirar mais e mais mulheres, falar do que acho que está errado, lutar pelo que acredito ser certo. Não são metas, pois já está tudo isso acontecendo, eu não vou acordar amanhã e cumprir tudo, é um desenvolvimento e um amadurecimento lindos, que não consigo forçar.

Aliás, dá pra ver de longe quando algo é forçado, copiado de algum lugar, algo que você se impôs porque todo mundo tá fazendo, ou porque você quer parecer tão legal e cheio de planos como seus coleguinhas.

Metas para 2017

Cada um de nós funciona de uma forma, e o seu manual de instruções não vem de fábrica, cabe a você mesmo descobrir e traçar seu caminho meio que já contando com várias mudanças no percurso. 😉🌷

Postado por Helena Sá

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20/12/16
Baixa auto estima ou preconceito?

gorda-a-ultima-na-fila-da-empatia

A gente passa a vida toda, desde crianças sendo socializado pra acreditar que somente um tipo de beleza existe, que esse padrão é a verdade absoluta, o bebê loirinho da propaganda de fraldas é o bebê bonito, a loira, alta e magra da capa da revista é a meta, é o ideal de beleza, mesmo que você seja morena e baixinha, ou negra, ou gorda, você é condicionada/o desde cedo a acreditar que a beleza tem uma forma e que você não cabe nela.

A medida que a gente vai crescendo cheio de inseguranças, medos, vergonha do próprio corpo e a autoestima lá no chão vão, nos moldando. Ou a gente se conforma se retrai, tenta se enquadrar o melhor possível ou a gente luta contra e percebe que não é bem assim. Quem escolhe a terceira opção se abre pra um novo mundo, começa a ver a beleza em si e nos outros sem precisar passar pelo filtro embelezador sem poros e afinador das redes sociais, da tv, das revistas…

Mas tem sim algumas pessoas que não superam, muitas vezes elas conseguem ver a beleza nos outros, mesmo que esses outros também não estejam dentro do padrão. Porém em si mesmas é sempre aquela velha e péssima autodepreciação.

No entanto amigas, essa pessoa aí de cima, ela tem salvação (me senti pastor de igreja), essa pessoa tá no caminho, pois ela já consegue enxergar a beleza atrás do muro da construção social, só falta agora construir dia a dia auto confiança, amor próprio, se conhecer melhor.

Esse aí é o caso de muita gente, mas há também outro tipo de pessoa massacrada pelos padrões, essa pessoa não consegue ver beleza em si e em qualquer outra pessoa que não atenda minimamente os padrões. O caminho para a construção da autoestima desse aí é muito mais complicado, pois ele além da falta de amor próprio e aceitação, ainda tem o preconceito pesando sobre os seus ombros. Esse aí mesmo que sem perceber e se baseando na tal “questão de gosto”, escolhe sempre gostar, admirar e apoiar o padrão.

A pessoa que está fora dos padrões e que ainda assim só consegue ver beleza no que a mídia e a sociedade mostram, essa pessoa coitada, está fadada a se achar o pior dos seres. E o mais triste é que tem muita gente nessa situação.

Tenho amigos e conhecidos que não se enquadram no padrão, até defendem abertamente ir contra ele, mas que não se aceitam, e na sua vida e seu trabalho sempre (mesmo que inconscientemente) só conseguem privilegiar e focar em pessoas e exemplos branquinhos, magrinhos…

Vejo muito isso no mundo da moda, lojas criadas por pessoas fora do padrão que nunca usaram um modelo gordo em suas publicidades, que nunca pegaram a foto de algum cliente gordo para estampar suas redes sociais.

Mas o que eu pretendo com esse post? Vocês que chegaram até aqui podem estar se perguntando e é simples: faça uma reflexão, pare e pense se você se encaixa no que descrevi acima.

Você está sempre deprimido porque não se acha bonito o suficiente? Você diz que vê beleza fora do padrão, mas só consegue gostar de pessoas no padrão? Você tem uma empresa ou marca e só contrata pessoas no padrão para trabalhar ou para representar sua marca? E mais, você só consegue ser fã de pessoas no padrão? E quando eu digo padrão é o de beleza, porque falar que é fã da Lady Gaga e do Marylin Manson e que isso é fora do padrão não conta, pois são pessoas brancas e magras, apenas estão vestidas de forma incomum.

Então, vamos rever nossos preconceitos? Vamos tentar olhar o mundo, a vida e as pessoas de forma diferente? Qual o sentindo da vida? O que estamos fazendo aqui? De onde viemos? Pra onde vamos? Ahahahahahaha

Brincadeira, é só deixar de ser babaca mesmo, ok? 😘

Postado por Helena Sá

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09/11/16
O que essa GORDA tá fazendo aqui?

o que essa gorda tá fazendo aqui

Pois é, essa é a pergunta (no caso, tentativa de ofensa), que eu mais tenho lido e ouvido direcionadas a minha pessoa ultimamente. Esse tipo de comentário acontece na internet, muitas vezes de forma aberta, por homens em sua maioria, (mulheres só pensam isso, não costumam falar).

Esse tipo de situação tem acontecido muito mais, pois tá tendo gorda em todo lugar (aceitem). Esses dias teve Ju Romano na Playboy, ela e a Flávia Durante na TNT, dentre outras que a Kalli mostrou aqui. E isso é maravilhoso, mas tem mostrado também o quanto as pessoas, principalmente homens, se incomodam com a representatividade de mulheres que não estão na mídia ou redes sociais para agradar a eles, não são mero enfeite e não estão no padrão que pra eles é aceitável.

Felizmente pra mim, meu trabalho tem me dado oportunidades de sair da bolha do empoderamento, além das pessoas maravilhosas que me acompanham aqui no blog e me enchem de amor nas redes sociais, agora eu tenho estado em lugares nunca antes visitados por mulheres gordas.

E por isso, tenho sofrido ataques, grosserias absurdas colocadas de forma super natural. Arrisco a dizer que o mesmo espanto que brancos apresentavam (ainda rola), quando os primeiros negros começaram a ser representados na mídia no século passado.

As pessoas (homens) comentam de forma surpresa e até mesmo espontânea “o que essa gorda tá fazendo aqui?” Pois para eles, é realmente espantoso o que está acontecendo. Sempre foram acostumados a ter a propaganda e a mídia voltada para satisfazê-los, isso ainda é regra, então quando uma marca, um canal ou quem quer que seja que tenha alguma visibilidade, dá espaço para uma gorda, é um choque! E a primeira coisa que lhes vem a cabeça sai na mesma hora:

o que essa gorda tá fazendo aqui

Esse foi um dos casos em que fui atacada em canal  youtube, mas semana passada uma marca de camisetas nerds postou uma foto minha, acredito que tenha sido a primeira mulher gorda que colocaram no perfil da loja no instagram. E o primeiro comentário que apareceu na minha foto foi: QUE PORRA É ESSA? – a marca apagou e acho que eles pensam que eu não vi. Mas eu vi, e desse comentário já imaginei a quantidade de inbox que eles receberam reclamando da minha presença ali.

o que essa gorda tá fazendo aqui - foto: Robson Leandro

Como eu disse, sempre recebi apenas amor, pois estou numa bolha de pessoas que gostam do meu trabalho, que se afeiçoaram a mim, concordam com o que eu defendo. E mesmo nos espaços que frequento, as pessoas podem até olhar torto, mas ninguém fala abertamente que eu não deveria estar ali. Então, mesmo sabendo que o mundo não é cor de rosa lá fora, ainda é chocante quando tenho que encarar essa realidade.

MAS, não é por isso que eu vou desistir, parar de fazer o que eu faço, parar de crescer e aparecer! E eu espero que as marcas que antes eram padrãozinho e agora estão mudando isso, continuem fazendo, que não se intimidem e não acatem as vontades de alguns mimadinhos que ainda pensam que mulher é enfeite pra agradar a punhetagem deles!

E minas lindas, não se deixem intimidar, continuem suas vidas, VAI TER GORDA EM TODO LUGAR SIM! E nós somos maravilhosas, e não to falando do clichê de beleza interior, to falando que a gente é destruidora de linda por fora mesmo! E isso irrita, autoestima na gente irrita quem sempre contou com a nossa insegurança.

“Afinal, o que essa GORDA tá fazendo aqui?” Meu amigo, nós tamos aqui pra afrontar, pra comandar essa PORRA toda, aceitem!

o que essa gorda tá fazendo aqui

Postado por Helena Sá

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27/10/16
O Encontro e como quebrei a cara

encontro quebrei a cara

Encontro de blogueiros? Que coisa mais década passada! Sim! Nóis é old school aqui, do tempo dos primeiros blogs, acompanhava todos, depois criei o meu pra contar a vida no mestrado fora do Brasil. Em seguida veio esse lindo aqui, em que vocês estão agora, e dele eu não larguei mais. 💜

Mas o mundo muda, na internet parece mudar mais rápido, e hoje em dia o close é o Youtube, todo mundo tem canal, no Garotas tem também, inclusive estamos trabalhando em dar um gás por lá em breve, aguardem!

Porém aqui na minha cidade, as coisas parecem que andam diferente, o povo demora a aceitar o que há de novo, tem gente que não faz ideia ainda do que um blogueiro faz, youtuber então devem pensar que é algo contagioso. 😅

Nessa luta que é fazer um blog que cresce e tem aparecido no Brasil, eu também penso que queria muito ter reconhecimento do meu trabalho na minha cidade, Juiz de Fora, nasci aqui e quero que as pessoas daqui vejam que eu faço um trabalho que vai além de só me remunerar. Tenho orgulho de dizer que ajudo pessoas a se amarem, a se vestirem melhor, a se acharem dignas de tudo de melhor nessa vida. Mulheres, garotas e até os manos, são bem vindos aqui. A gente quer mudar o mundo um pouquinho todos os dias, de post em post, de mensagem no instagram a compartilhamento no facebook.

Acho que por isso que a ideia do encontro veio pra mim e pra Ca, a gente quer crescer e aparecer, e queremos também isso aqui pertinho, em casa. E a gente sabe que faz um bom trabalho, sério, preocupado com quem lê, vê, ouve, sente…

E parece que esse ano a cidade também sentiu isso, demoraram, mas sacaram a gente, a nossa tal influência. As marcas, lojas, lugares, agências e pessoas mais legais, mais espertas, quiseram entrar no nosso barco, e apoiaram o Encontro de Blogueiros de Juiz de Fora e Região. E a mídia, tanto a tradicional, quanto a online, em massa, noticiou, comentou e contou a nossa história.

Duas mulheres sozinhas, duas blogueiras, que já viram muito nariz torcido, muito deboche (blogueira é profissão?), uma é dondoca que não usa salto, a outra é uma gorda super estranha com umas ideias doidas de que ser gordo não é feio, que mulher não precisa viver em dieta, que a gente usa o que quiser, e que a gente se ama por quem nós somos. Numa época de fitness, salto super alto, cílios postiços no café da manhã, contorno pra ir na padaria. To aí numa contra mão, cometendo meus sincericídios, cagando pra aparências e mostrando pra minha cidade, que tem outra forma de viver, não precisa cuidar da vida do vizinho, não precisa manter aparências, aparentar ter mais do que tem, estar mais feliz, mais viajado…

É possível ter um blog sem ostentação, um blog vida real e não lifestyle e mais, tem muita gente aqui que quer ver isso.

Afinal, descubro que JF não é tão atrasada assim, quebrei a cara, mordi a língua e gostei. Pois tive que meter o pé, mas finalmente estão abrindo as portas pra mim.

Postado por Helena Sá

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27/07/16
Gorda, a última na fila da empatia

gorda-a-ultima-na-fila-da-empatia

Participo de alguns grupos de minas gordas, muitas maiores do que eu, e que sofrem muito mais com a Gordofobia do que eu.

O sofrimento dessas minas vai muito além da pressão estética, da pressão familiar e social para se enquadrar no padrão. Elas têm problemas de mobilidade, nenhum lugar está preparado para recebê-las, desde o cinema sem cadeiras para quem não cabe nas regulares, ao ônibus com a roleta estreita e os bancos também. No hospital não há equipamentos, macas ou cadeiras de rodas que comportem o corpo gordo, aquele acima do manequim 52 já começa a sentir isso na pele.

Além disso, é essa/esse gorda/gordo que vão sofrer com a agressão, e o ódio a gordos no seu nível mais destrutivo. As pessoas xingam na rua ou na internet, fazem piadas, e realmente acreditam que o gordo está numa escala inferior na sociedade tanto em beleza, quanto em inteligência e capacidade.

Isso tudo que eu falei foi duro de ler? Então saiba você, que chegou aqui e provavelmente é uma pessoa consciente, coerente, uma pessoa que está sempre nas redes sociais apoiando de alguma forma as lutas contra machismo, homofobia, racismo, transfobia. Você é uma fatia da sociedade que está mais evoluída, se compararmos você aos comentaristas de portal, ao pessoal no botequim e do salão do meu bairro, nossa, você é foda.

Agora me diga, na fila da sua empatia, aonde está a gorda? Falo gorda, pois meu público é em maioria feminino e por sermos mulheres sofremos mais com a Gordofobia que os homens. Mas o assunto aqui é sério.

E por que você está vindo com esse assunto agora, Helena?

Bom, que a sociedade em geral é gordofóbica, que a moda exclui gordos, tudo isso já contei aqui, já alertei até sobre marcas inclusivas, que abusam do marketing feminista, que não oferecem suas peças para o público gordo.

Mas e você pessoa evoluída, empática e problematizadora, já parou pra pensar se toda essa vontade de mudar o mundo, de lutar contra o preconceito, inclui os gordos?

Nessa vida dividida entre moda, blog, maquiagem, e feminismo (sim, eu misturo tudo isso). Direto me deparo com gente super moderna, desconstruída, evoluída, inovadora, inclusiva e diferentona. E posso afirmar que, em relação à machismo, homofobia, transfobia e racismo (esse nem tanto), está tudo resolvido na cabecinha desse pessoal. Mas nós gordas, é um susto pra eles quando a gente tem talento, entende de moda… A maioria quando me conhece, não dá nada por mim, quem é essa gorda? (É isso que a expressão na cara deles passa pra mim). Mas é só me adicionarem nas redes sociais, darem uma olhada aqui no blog, que vem correndo me elogiar, elogiar os looks, me falar que sou lacradora…

Ou seja, para eu ser levada a sério, para essas pessoas me perceberem com alguém inteligente, uma pessoa bonita e empoderada, eles têm que praticamente ver um currículo. Isso não acontece com as minas e manos magros que eles são apresentados, pois as tatuagens, roupinhas hipsters minimalistas somadas ao padrão, já precedem. Às vezes trata-se de um completo babaca, mas vem com o pack roupinha trend, padrão e tattoos, então já é show!

gorda, a última na fila da empatia

Mas eu rodei, rodei, e não cheguei ao motivo desse post. Que é dizer que tem feminista gordofóbica, gay gordofóbico, trans gordofóbica… a Kalli falou disso, de um caso que aconteceu esses dias e que vale a pena vocês irem conferir. Resumindo, uma mulher trans foi gordofóbica e quando questionada confirmou e atacou uma moça gorda que se disse ofendida com o comentário. Além disso, essa mulher trans é modelo e fez parte da campanha de uma marca inclusiva e genderless, que foi avisada das atitudes da moça e resolveu não se envolver. Leiam a treta toda no post da Kalli. E digo que é mais triste ainda ver a gordofobia saindo da boca de quem sofre muito com preconceito e opressão.

Contei tudo isso aqui, para provar que sim: a GORDA, é a última na fila da empatia, da SUA empatia, se é mesmo que ela está na sua listinha.

Porém, não fiz esse post para atacar, apesar de colocar o dedo na ferida, a intenção aqui é fazer o debate evoluir, é fazer você pensar. Pois você pode não ter expressado abertamente a sua Gordofobia, como a moça fez, mas já pensou. Você pode até mesmo não ter pensado dessa forma, mas já se omitiu ao ver um amigo ou amiga postar algum fat shaming.

Então, vamos mudar isso? Vamos começar a lembrar que o feminismo tem que incluir todo mundo, e digo mais, as negras e as gordas deveriam receber a maior empatia desse movimento, ter mais espaço e representatividade, e a gente não tinha que ter que dizer isso para quem supostamente é desconstruído e defensor dos oprimidos, não é mesmo?

Postado por Helena Sá

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