feminismo


19/08/15
Eu não me vejo, e você?

Passei uma semana sem postar aqui, em pleno BEDA, e eu peço desculpa a vocês e a mim mesma, pois esses dias me deixei abater um pouco, me senti sem forças, acho que todos nós passamos por isso em algum momento da vida, é normal, a gente só não pode deixar isso fazer parte, ser uma constante e não apenas uma exceção. 😉

Não teve post aqui, mas uma coisa que eu não pude deixar de fazer por compromisso com vocês, foi deixar de postar as mensagens/frases, que posto todos os dias no Instagram e Facebook. Por mais que eu estivesse desmotivada, sei que as mensagens fazem muita diferença positiva no dia de vocês girls. Sei disso pelas mensagens que recebo no inbox da página, nos comentários, e até nos likes e compartilhamentos. Por isso, os “quotes” do Garotas não falharam.

Mas o motivo do meu desânimo momentâneo é também o motivo desse post. Semana passada recebi duas revistas em casa, uma local da minha cidade, e uma de uma marca de calçados de plástico que está lançando coleção nova.

Eu-não-me-vejo-e-você

Eu não me vejo, e você?

Folheei as revistas da primeira a última página, na primeira revista, não encontrei ninguém com manequim acima do 40, e não estou falando dos editoriais de moda, me refiro a matéria de street style, que supostamente foi feita nas ruas da cidade mostrando a diversidade de estilos. Mas de diversidade não tinha nada ali, eram pessoas brancas, magras, descoladinhas (odeio essa palavra), e só! Parecia que quem fez a matéria reuniu seu clubinho, pediu pra vestirem suas roupinhas mais hipsters e fotografou como moda de rua, e isso é qualquer coisa, menos moda de rua. Nas ruas você vê diferentes idades, corpos e etnias, vê classes sociais, vê estilos, ou seja, a rua ainda é democrática, mas a matéria foi higienista e isso é triste.

Eu-não-me-vejo-e-você

Na segunda revista, a dos calçados de plástico, o foco são mulheres jovens, entre adolescentes a moças de uns 25 anos, imagino. E assustadoramente, para essa marca só existem moças dessa faixa etária brancas, magras e de preferência loiras naturais ou tingidas. E isso também é muito triste, pois é um produto popular, todo tipo de mulher dessa idade costuma consumir, e essas meninas, essas moças, não se veem ali, não acham que são bonitas ou dignas de estarem ali representadas. Fico triste de a essa altura de 2015, ainda termos que apontar esse tipo de preconceito na mídia e na publicidade.

Eu-não-me-vejo-e-você

Isso se juntou a algumas outras decepções e me deixou pra baixo, desestimulada de blogar, de passar uma mensagem que aparentemente poucas pessoas querem ouvir. E que algumas das que ouvem, batem palminhas, acham bonitinho a gente falar de inclusão, mas na prática, nas suas vidas, no seu trabalho, nas suas marcas e mídias continuam perpetuando os mesmos padrões, preconceitos e estereótipos.

E esse tipo de coisa me atinge duplamente, pois me exclui como pessoa e mulher, e ainda por cima fecha portas para mim como blogueira e formadora de opinião.

Ah, mas Helena, tem muita marca plus size, tem revista especializada nisso, outro dia a Ju foi capa de revista. Sim gente, é verdade que algumas coisas estão acontecendo, algumas de nós estão sendo ouvidas e nos representando muito bem, mas são casos isolados. Esse tipo de mídia e publicidade que nos exclui é majoritária, e eu ainda vejo essas ações pontuais e isoladas como medida paliativa para manter vendas, não um real compromisso com a inclusão e quebra de padrões.

Muita gente pode vir falar para eu procurar e prestigiar quem nos inclui e deixar para lá quem não quer saber da gente. E sim, eu já prestigio, divulgo e consumo quem faz moda para mim, quem me enxerga como consumidora e como mulher inteligente e com estilo. Mas nem eu nem vocês podemos fechar os olhos para essa maioria esmagadora de falta de representatividade da mulher comum, da mulher gorda, da negra, da mais velha, da deficiente.

Enquanto eu puder eu vou meter o pé nessa porta, não querem nos deixar entrar, não querem nos ver, não querem nos contratar, nem nos ouvir. Mas vão sim ter que engolir, pois eu, nós, vamos descer goela abaixo, vamos pular o muro e vamos entrar. Me recuso a viver apenas no gueto, na zona de conforto que são as revistas, marcas e grupos plus size e feministas, elas são importantes sim, mas nossa voz tem que ir além, tem que chegar na menina que consome o sapato de plástico, na mulher que anda nas ruas.

É… parece que o desânimo passou, tô de volta e tombando tá mores?

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beda

 

Postado por Helena Sá

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03/02/16
Meninas, se relacionem com pessoas da sua idade

A gente sabe a sociedade em que vivemos, em que meninas são sexualizadas muito cedo, em que mulheres são infantilizadas, em que uma mulher envelhecer é quase um crime. Sabemos também que crimes relacionados a pedofilia, homens fetichizando meninas, dentre outras práticas são normalizadas e muito aceitas na nossa sociedade.

Garotas de 10 a 17 anos se casam com homens aqui mesmo no Brasil, não precisamos ir a um país da África ou do oriente, isso acontece bem debaixo dos nossos olhos todos os dias. Outro dia mesmo uma menina participante do Master Chef Júnior, foi alvo de comentários sexuais nas redes sociais. Ontem no BBB um pedófilo confesso estava sendo validado pelo apresentador do programa e a mulher que o acusou sendo tachada de louca.

angelina jolie com 14 anos

Outro dia no meu FB um cara de uns 35 anos postou essa foto com a legenda: Angelina Jolie com 14 anos. Meu amigo, a Angelina de 40 anos não sabe da sua existência e ainda sim você acha que o ideal pra você é a versão de 14 anos dela? Qual o seu problema?

Tudo isso que eu falei e muito mais a gente já sabe, já leu, já viu acontecer ou já passou por isso. O que raramente vejo acontecer é o que eu vou dizer agora:

MENINAS, SE RELACIONEM COM PESSOAS DA SUA IDADE! Eu inconscientemente segui uma regra durante a adolescência e início da vida adulta, é a regra dos 4 anos (2 pra cima e 2 pra baixo). Que consiste em só me relacionar com pessoas até 2 anos mais velhas ou mais novas do que eu. Foi uma escolha pessoal, não foi proposital, mas eu repelia qualquer tipo de assédio de homens mais velhos. E posso dizer agora, que foi a melhor coisa que fiz pra minha versão mais jovem e que me trouxe sem traumas até a vida adulta.

E tem vários motivos para que essa seja a melhor decisão que você toma:

  • Por mais madura e inteligente que você seja, você só existe nesse planeta por sei lá 14 anos, chutando uma idade que você começou a namorar. Um cara que tem 30 ou mais, já vivenciou experiências como ter filhos, casamento, e outras tretas que você nem sonha. Essa pessoa, por mais que você seja esperta, vai te dar um baile de manipulação, ele sabe muito bem o que dizer e fazer pra te envolver e te levar para o caminho que ele queira;
  • Quando você namora alguém da sua idade, normalmente vocês descobrem várias coisas juntos, o que é novo para um é também para o outro, e isso é lindo e único! E salvem essa, nunca mais você vai poder viver isso na sua vida;
  • Você já parou pra pensar em porque esse cara mais velho está interessado em você? Foi amor a primeira vista mesmo ou ele só sai com “novinha”? Há chances absurdas dessa pessoa já ter um padrão de ir atrás de moças novas justamente porque por mais madura que você seja, ele já viveu e sabe muito mais da vida que você. Ele não se interessa por mulheres mais velhas porque essas já sacam muito bem a dele, (pedófilos são também misóginos e muitas vezes também racistas, homofóbicos, essas coisas andam juntas);
  • Mais uma vez, se você não namora um menino ou menina de 14 anos quando você tem 14 anos, QUANDO É QUE VOCÊ ACHA QUE VAI PODER FAZER ISSO DE NOVO? Pois é miga, nunca! Até porque homem mais velho com menina é aceito e acontece a torto e direito, mas mulher mais velha na nossa sociedade não namora nem homens da mesma idade, nosso valor ainda está diretamente ligado a juventude e padrão de beleza;

 

Meninas, se relacionem com pessoas da sua idade

E essa afirmação de que meninas gostam de homens mais velhos não se aplicou a mim, até porque na verdade é uma afirmação que vejo homens fazerem, não conheço meninas que demonstrem esse tipo de preferência. Na verdade o que mais acontece é que os alvos desse tipo de predador são meninas e moças que tem situação financeira ruim, passam por problemas familiares, pais ausentes.

Daí esse homem já formado, aparentemente sábio, com melhor condição financeira vem e se mostra interessado por uma menina que quer se sentir especial, ele acaba virando o príncipe salvador, protetor e provedor que ela tanto precisava. Mas a vida não é conto de fadas, aliás, nem o conto de fadas é conto de fadas. E esse tipo de relacionamento só tem um motivo, CONTROLE.

Pode parecer que eu to passando aqui aquela mensagem errada que sempre culpa a vítima, tipo, não quer ser estuprada, não saia, não beba, não use roupa curta; não quer engravidar tome pílula ou faça abstinência! E NÃO É ESSA A MENSAGEM QUE EU QUERO PASSAR! Só acredito que mesmo sendo recriminável, mesmo sendo nojento e danoso para as meninas, a sociedade aceita e ainda diz que esse tipo de relacionamento é escolha da menina de 14, 15, 16 anos, que elas não são inocentes, dentre outras falácias. Então vamos abrir um diálogo com as meninas, vamos falar com elas o que a gente queria que tivessem falado com a gente nessa idade:

HOMENS MAIS VELHOS NÃO QUEREM TE NAMORAR PORQUE TE AMAM, ELES SÓ QUEREM ALGUÉM FÁCIL DE MANIPULAR!

My Mad Fat Diary

Elenco da série My Mad Fat Diary

VIVA INTENSAMENTE ESSA FASE DA SUA VIDA, COM PESSOAS QUE TAMBÉM ESTÃO PASSANDO PELAS MESMAS EXPERIÊNCIAS E VIVÊNCIAS. ESSE MOMENTO PASSA MUITO RÁPIDO E VOCÊ NUNCA MAIS VAI PASSAR POR ELE, NÃO DESPERDICE COM QUEM SÓ QUER SUGAR A SUA JUVENTUDE, TE CONTROLAR E SE SENTIR PODEROSO POR EXIBIR UMA “NOVINHA”.

Se você tem entre 10 e 17 anos e veio parar nesse post, ouça os conselhos da tia aqui! E as minas que acompanham o Garotas, repassem para suas irmãs, primas, amigas, filhas, colegas… 😉

Postado por Helena Sá

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29/11/15
Afinal, quem é Jessica Jones?

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Tá todo mundo falando dela. Feminista, luta, tem superpoderes mas não é uma super heroína, é sarcástica e alcoólatra. Afinal de contas quem é essa Jessica Jones?

Jessica é uma personagem da Marvel que teve um acidente de carro e acabou desenvolvendo seus poderes de super força e pular muito alto (ou voar um pouco?). Sua curta jornada de super-heroína acaba quando ela encontra Killgrave, um britânico cujo poder é fazer as pessoas fazerem tudo o que ele diz. Depois de passar por um relacionamento forçado e fazer coisas muito ruins ordenadas por Killgrave, Jessica consegue se livrar dele e passa a ganhar a vida como uma investigadora particular ainda com traumas psicológicos causados pelo vilão. Só que tem um pequeno problema: ela não se livrou dele completamente.

Hã, tá mais e daí? O que isso tem de mais?

jessica-jones-serie-original-netflix-marvel_510095 Bom, parte da interpretação de cada um, mas é muito fácil ver Killgrave como aquele cara que prende as mulheres. Em diversas cenas, Jessica deixa bem claro que foi estuprada não só fisicamente mas mentalmente por Killgrave, mesmo ela “querendo” (não queria, afinal, ele controlava sua mente).

Além disso, a personagem não é a típica “mulher maravilha”. Jessica é obscura, mal humorada, alcoólatra e adora um sexo casual. Além disso, para quem não sabe de nada, dá até pra se esquecer que é uma série de heróis. Afinal, não temos capas, raios e nem olhos de laser.

 

A série

Netflix se superou na produção. A fotografia é linda e a direção também. Sem falar na escolha da atriz. Ninguém poderia interpretar alguém tão obscura como Krysten Ritter.

Mas tem que falar mal 

Seguinte, apesar da trama ser boa e a maioria dos 13 capítulos te deixar tensa, o roteiro tem coisas desnecessárias e forçadas. Bem forçadas. Como por exemplo, o grande foco que a advogada Jeri Hogarth e seus problemas amorosos com a esposa e amante recebem. Jeri é forte? É? É legal ter homossexuais na série? É. Mas a personagem é entediante e seu arco não faz a mínima diferença para a trajetória da heroína. Pelo menos não nessa 1ª temporada.

Já sobre a atuação da Krysten, dá pra dizer que é muito boa nos momentos introspectivos e psicóticos de Jessica Jones, mas falha na hora da raiva e descontrole,  ficando algumas vezes forçada. Assim como em algumas cenas de luta que não convencem. Krysten superou as expectativas (já que só vi filmes de comédia e leves com ela, tirando Breaking Bad), mas ainda tem muito a melhorar.

Veredicto final:

Jessica Jones é uma série onde os homens são coadjuvantes, as mulheres lutam e colocam a mão na massa e isso é lindo de se ver. Alguns capítulos foram maçantes, mas a série no geral, mesmo não virando a série da vida de todo mundo, é boa e vale bastante a pena assistir.

 

E vocês? Concordam, discordam? O que acharam de Jessica Jones?

Postado por Carina Silva
18/11/15
Passei boa parte da vida tentando mudar meu cabelo

Eu tenho 27 anos. Passei boa parte da vida tentando mudar meu cabelo, não aceitando o meu cabelo. Tentando transformá-lo, aos poucos, naquilo que eu achava que era mais bonito. Naquilo que a sociedade me mostrava que era mais bonito, através de novelas e revistas.

Fiz amaciamentos, relaxamentos e progressivas. Comecei aos 14 anos de idade, querendo aquilo que era o meu sonho na época, um cabelo liso e com as pontas levemente cacheadas. Não preciso dizer que não funcionava, né? O cabelo crescia e dois dedos de raiz cacheada eram suficientes para acabar com o sonho mês a mês.

Aos 17 anos, com o cabelo já bastante fragilizado, resolvi alisar de vez. Achei que a nova vida de estudante de jornalismo pedia um cabelo liso, mais próximo dos padrões televisivos. E por isso, resolvi fazer uma progressiva e um relaxamento juntos. O cabelo não ficou liso, ficou esticado, ressecado, e eu ainda precisava fazer escovas para ele ficar modelado.

cabelo com progressiva

Meu bota-fora pré mudança para Viçosa, onde fiz a faculdade.

Menos de seis meses foram suficientes para eu me arrepender e perceber que não queria mais aquilo. Já não me lembrava do meu cabelo natural, resolvi que o deixaria crescer e esperar toda a química sair. Passei pela transição sem saber o nome dela, não existiam grupos ou informações pela internet. Fiquei um ano com duas texturas no cabelo e vivendo com ele preso. Não foi fácil, claro, mas eu estava determinada a não voltar atrás.

Já com vários dedos de raiz cacheada, durante a transição

Já com vários dedos de raiz cacheada, durante a transição

Depois de um ano de transição fiz o meu primeiro big chop (cortei o cabelo para tirar a maior parte de química possível), que na época não foi tão grande assim porque meu cabelo já estava curto. Quando eu vi meus primeiros cachos surgirem depois disso, prometi a mim mesma que nunca mais faria nada para modificá-los. Eu os aceitei pra sempre naquele momento

Um ano depois do primeiro big chop

Um ano depois do primeiro big chop

E cá estou eu, nove anos depois disso tudo, feliz e aplaudindo de pé toda vez que vejo pessoas falando sobre deixar os cabelos naturais. Sei que transição é difícil, muuuito difícil. Mas, estudei, li e aprendi que cabelo pode ser muito mais que estética. Aceitar o seu cabelo pode ser um ato político. Por isso, toda vez que vejo uma mulher em transição na rua eu tenho vontade de dar um abraço e dizer: “Ó, vem cá! Você não tá sozinha, cara! Tô aqui, te dou força!” Como sei que isso não é possível, não dá pra abraçar todo mundo, me propus a abraçar virtualmente o máximo que conseguir.

atual

E já ia esquecendo de me apresentar: eu sou a Ana Paula, jornalista, mãe de dois gatos, e agora faço parte da equipe do Garotas Rosa Choque.

Postado por Ana Paula Nunes

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04/11/15
Agora é que são Elas

Aconteceu uma coisa muito inusitada e inesperada nesse feriado comigo. Quem acompanha as redes sociais do blog já tem uma ideia, pois eu avisei lá. Fui convidada pelo Márcio Valentim, do Canal do Valentim, para participar dentro do canal dele, da campanha Agora é que são Elas.

Assistam ao vídeo em HD, porque estou com uma maquiagem tão linda que parece que minha pele é de bebê ahahaha, e quem me acompanha no Snap (pinkshockgirl), sabe que tô sofrendo um ataque de espinhas assassinas! 😛

Foi tudo na correria, ele me chamou tipo 4 da tarde, 18:30 eu tava na casa dele gravando! 😀

Para explicar melhor essa Hashtag, segue o texto do Valentim:

Meus nobres amigos, vamos compartilhar essa ideia, por favor. Mostre que vocês têm a mente expandida e que vêem o mundo com outros olhos. Deixe seu like e compartilhe esse vídeo com quem você conhece. As mulheres merecem respeito! “Esse é um momento importante: mulheres estão perdendo direitos adquiridos com muita dificuldade. É cruel. Mulheres vêm relatando o que é ser mulher no Brasil hoje. E ser mulher no Brasil é perigoso. Contra essa crueldade e pra denunciar esse perigo, nós mulheres tomamos as ruas. E as redes. Muitos homens que têm acesso a meios de comunicação e espaços de fala garantidos – verdadeiramente emocionados diante desse momento e solidários nesse movimento de empoderamento – têm vontade de escrever sobre o tema. Do reconhecimento essa vontade em muitos homens, nasceu a provocação: e se todos os homens, ao invés de publicar textos sobre a importância de escutar, de fato reconhecessem a importância de escutar e cedessem, nessa semana, seus espaços para mulheres falarem? Hoje, como o importante é ouvir, eu e você leitor ouviremos. Com vocês, uma mulher. Dessa provocação surgiu, com a ajuda de muitxs e bons, a iniciativa #AgoraÉQueSãoElas: uma semana de mulheres ocupando os espaços masculinos de fala. Homens convidam mulheres para escrever no seu lugar e se colocam nesse lugar do ouvinte. Dando voz e vez a uma mulher. Reconhecendo a urgência da luta feminista por igualdade de gênero e o protagonismo feminino nesta luta. Podem adaptar isso para os muitos veículos: jornais, blogs, canais de Youtube, perfis. Temos uma infinidade de maneiras de multiplicar informação. Todas elas podem ser, nessa semana, ocupadas por mulheres. Muitos homens toparam e já cederam seu espaço nessa semana que começa para uma mulher, para as mulheres. Gregorio Duvivier, Marcelo Freixo, Jean Wyllys, Leo Sakamoto, Bruno Torturra, Ronaldo Lemos, Marcelo Paiva, João Paulo Cuenca, José Eduardo Agualusa, Marcus Faustini, Fred Coelho, Antonio Prata, Marco Aurelio Garcia, Juca Kfouri e outros. E queremos muitos mais com a gente. Queremos todxs juntos nessa onda. Pra que ela seja um tsunami. É pela vida das mulheres. “

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Tenho que agradecer demais a minha amiga linda, Lita, que foi comigo me apoiar na gravação. ♥

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Tinha que ter selfie tietando o Valentim, que é tão simpático e boa gente pessoalmente quanto no canal!

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Claro que tem look, com vestidinho que comprei na Havan outro dia, camisa masculina Armada e tênis cinza Kanui.

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Make leve, mas não podia faltar o batom vermelho pra falar de feminismo, não é!? 😉

Gracinhas de look e make a parte, o foda mesmo foi ter tido esse espaço pra falar de feminismo, coisa que eu já faço todos os dias no instagram e facebook, conversando com vocês, ou seja, nós já tiramos de letra, mas o legal nesse vídeo, é atingir quem não está acostumado a ouvir e ler sobre isso, é trazer mais gente para lutar ao nosso lado! Fiquei muito feliz e sou muito grata ao Valentim pelo espaço e pela coragem! \o/

Quero agora saber o que vocês acharam, quero comentários lá e aqui, quero joinha no youtube, pois tem muitos haters indo lá xingar e negativar o vídeo!

Postado por Helena Sá

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19/08/15
Eu não me vejo, e você?

Passei uma semana sem postar aqui, em pleno BEDA, e eu peço desculpa a vocês e a mim mesma, pois esses dias me deixei abater um pouco, me senti sem forças, acho que todos nós passamos por isso em algum momento da vida, é normal, a gente só não pode deixar isso fazer parte, ser uma constante e não apenas uma exceção. 😉

Não teve post aqui, mas uma coisa que eu não pude deixar de fazer por compromisso com vocês, foi deixar de postar as mensagens/frases, que posto todos os dias no Instagram e Facebook. Por mais que eu estivesse desmotivada, sei que as mensagens fazem muita diferença positiva no dia de vocês girls. Sei disso pelas mensagens que recebo no inbox da página, nos comentários, e até nos likes e compartilhamentos. Por isso, os “quotes” do Garotas não falharam.

Mas o motivo do meu desânimo momentâneo é também o motivo desse post. Semana passada recebi duas revistas em casa, uma local da minha cidade, e uma de uma marca de calçados de plástico que está lançando coleção nova.

Eu-não-me-vejo-e-você

Eu não me vejo, e você?

Folheei as revistas da primeira a última página, na primeira revista, não encontrei ninguém com manequim acima do 40, e não estou falando dos editoriais de moda, me refiro a matéria de street style, que supostamente foi feita nas ruas da cidade mostrando a diversidade de estilos. Mas de diversidade não tinha nada ali, eram pessoas brancas, magras, descoladinhas (odeio essa palavra), e só! Parecia que quem fez a matéria reuniu seu clubinho, pediu pra vestirem suas roupinhas mais hipsters e fotografou como moda de rua, e isso é qualquer coisa, menos moda de rua. Nas ruas você vê diferentes idades, corpos e etnias, vê classes sociais, vê estilos, ou seja, a rua ainda é democrática, mas a matéria foi higienista e isso é triste.

Eu-não-me-vejo-e-você

Na segunda revista, a dos calçados de plástico, o foco são mulheres jovens, entre adolescentes a moças de uns 25 anos, imagino. E assustadoramente, para essa marca só existem moças dessa faixa etária brancas, magras e de preferência loiras naturais ou tingidas. E isso também é muito triste, pois é um produto popular, todo tipo de mulher dessa idade costuma consumir, e essas meninas, essas moças, não se veem ali, não acham que são bonitas ou dignas de estarem ali representadas. Fico triste de a essa altura de 2015, ainda termos que apontar esse tipo de preconceito na mídia e na publicidade.

Eu-não-me-vejo-e-você

Isso se juntou a algumas outras decepções e me deixou pra baixo, desestimulada de blogar, de passar uma mensagem que aparentemente poucas pessoas querem ouvir. E que algumas das que ouvem, batem palminhas, acham bonitinho a gente falar de inclusão, mas na prática, nas suas vidas, no seu trabalho, nas suas marcas e mídias continuam perpetuando os mesmos padrões, preconceitos e estereótipos.

E esse tipo de coisa me atinge duplamente, pois me exclui como pessoa e mulher, e ainda por cima fecha portas para mim como blogueira e formadora de opinião.

Ah, mas Helena, tem muita marca plus size, tem revista especializada nisso, outro dia a Ju foi capa de revista. Sim gente, é verdade que algumas coisas estão acontecendo, algumas de nós estão sendo ouvidas e nos representando muito bem, mas são casos isolados. Esse tipo de mídia e publicidade que nos exclui é majoritária, e eu ainda vejo essas ações pontuais e isoladas como medida paliativa para manter vendas, não um real compromisso com a inclusão e quebra de padrões.

Muita gente pode vir falar para eu procurar e prestigiar quem nos inclui e deixar para lá quem não quer saber da gente. E sim, eu já prestigio, divulgo e consumo quem faz moda para mim, quem me enxerga como consumidora e como mulher inteligente e com estilo. Mas nem eu nem vocês podemos fechar os olhos para essa maioria esmagadora de falta de representatividade da mulher comum, da mulher gorda, da negra, da mais velha, da deficiente.

Enquanto eu puder eu vou meter o pé nessa porta, não querem nos deixar entrar, não querem nos ver, não querem nos contratar, nem nos ouvir. Mas vão sim ter que engolir, pois eu, nós, vamos descer goela abaixo, vamos pular o muro e vamos entrar. Me recuso a viver apenas no gueto, na zona de conforto que são as revistas, marcas e grupos plus size e feministas, elas são importantes sim, mas nossa voz tem que ir além, tem que chegar na menina que consome o sapato de plástico, na mulher que anda nas ruas.

É… parece que o desânimo passou, tô de volta e tombando tá mores?

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Postado por Helena Sá

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06/07/15
Minha relação com a comida

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“Nossa, você tem uma relação ótima com a comida, heim?!” Sim gente, ouço muito isso, como se eu e a comida (que já é um ser com vida acredito eu), tivéssemos uma relacionamento sério.

E sabe por que isso acontece? Esse espanto todo comigo? Pois sim, a minha relação com a comida é um pouco diferente do que eu sempre vejo outras mulheres terem, sejam elas gordas ou magras.

A gente vê muita foto de comida nas redes sociais, Instagram e Facebook estão repletos de fotos de gostosuras, e muitas vezes são mulheres que as postam. O problema acontece na legenda e nos comentários da foto, que invariavelmente vem com frases assim: “Hoje pode, segunda eu fecho a boca.”, “De vez em quando não faz mal.”, “JACANDO”, “É só hoje viu gente.”. E nos comentários os amigos e familiares da moça dizem: “Adeus dieta, heim?”, “Vai engordar menina.”, “Você disse a mesma coisa a semana passada.”, “Só come heim!”.

Realmente, esse tipo de reação curiosa não acontece nas minhas fotos de comida, as legendas das minhas fotos não são carregadas de culpa e desculpas por estar comendo, e ai daquele que vier comentar na minha foto falando de dieta ou me acusando de alguma coisa! ahaahha


E isso espanta muita gente, causa até admiração, pois sim, são necessárias muita coragem e auto estima, além de uma pitada de FODA-SE pra opinião dos outros, para poder chegar ao meu nível de desprendimento. E isso se torna mais complicado ainda se como eu você for gorda, aí meus amigos, todo mundo vai sempre reparar em tudo que você come, o tempo todo. E olha, raríssimas as vezes que vejo alguma amiga, colega ou parente gorda postando foto de comida, pois né, já chega ser estudada, avaliada e julgada enquanto come fora da internet.

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Mas não pensem que foi sempre assim comigo, já justifiquei muito o que estava comendo, já deixei para comer em casa ao invés de uma lanchonete com amigos, já disse muito que não tinha comido nada o dia todo para justificar um segundo pedaço de pizza… e nada disso mudou a reação e os julgamentos ao meu redor.

Desde criança familiares queriam regular o que eu como, riam se eu tomasse um sorvete, mesmo se todas as crianças também estivessem tomando. Já tive um namorado, e isso é bem recente, uns 2 anos atrás, que tinha vergonha quando eu comia em público com ele, sempre nervoso, olhando para os lados com medo de algum conhecido aparecer e ver a namorada gorda se entupindo. Pois sim, sempre que você comer, não interessa o que for, seja uma salada ou pipoca, você vai estar se entupindo, você pode estar numa mesa cheia de amigos comendo, que você mulher gorda vai ser a única se empanturrando de comida, mesmo que você coma menos que todo mundo. Ou seja, é um beco sem saída.


Depois de tudo que eu disse, é complicado fazer como eu e postar um pratão de macarrão no Instagram? No começo sim, mas ó, é libertador jogar na cara dos outros toda a comida que eu como e ter que fazer as pessoas engolirem todos os julgamentos, deboches e xingamentos, todo o preconceito. Ainda vai ter quem queria te reprimir? Sim! Outro dia minha mãe disse pra eu não postar o prato tão cheio de comida como eu faço, ela uma pessoa reprimida desde sempre, se importa que os outros pensem que eu comi aquilo tudo, MAS EU REALMENTE COMI! ahahahaha

Na cabeça das pessoas pode ter milhares dessas ideias, mas não há uma que ouse colocar pra fora nas minhas fotos de comida. Enquanto eu me delicio com meu salmão ao molho pesto, eles engolem sem sal todas as opiniões e falsa preocupação com saúde que tem sobre mim, minha comida e meu corpo.

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Mas não pensem que eu posto fotos de comida só para afrontar a sociedade gordofóbica e machista, que tenta controlar o corpo feminino. Não é tanto engajamento assim da minha parte, eu posto as fotos pois adoro cozinhar e mostrar minhas criações, adoro fazer fotos bonitas das receitas que faço e como blogueira o que faço melhor é produzir conteúdo, mesmo que seja um prato de panquecas! 😀


Esse textão todo é pra dizer a vocês, gordas ou magras, que comam o que quiserem, e postem foto da comida se der na telha também, comam na rua e CA-GUEM pra opinião dos outros. Tá comendo doce durante a semana, não precisa justificar, ninguém paga sua comida, e mesmo que pague, não é seu dono. Cada uma de nós sabe de si, o prato e o corpo da mulher não são públicos pra todo mundo achar que pode dar opinião sobre eles. 😉

Agora eu quero saber de vocês, como é sua relação com a comida, com a opinião dos outros e mais importante, a opinião de você mesma! ♥

Quero relatos, quero opiniões, só não quero julgamentos e preconceito, ok?!

Postado por Helena Sá

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