01/03/16
[Resenha] One Man Guy

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Só sei que gosto de estar aqui com você e não consigo me imaginar querendo mais ninguém. Isso basta para você?

Título Original: One man Guy

Autor : Michael Barakiva
Editora Leya

Sem dúvida o que mais chama atenção em One Man Guy é a premissa de ser um livro infanto juvenil cuja história é um romance entre dois garotos.  O primeiro romance de Michael Barakiva é uma grande evolução. Ver um romance gay voltando para pré-adolescentes com um design tão fofo e atrativo para o público jovem é maravilhoso.

One Man Guy é narrado do ponto de vista de Alek, um garoto de 14 anos tímido, criado por uma família tradicionalmente armênia cujos os exigentes pais frequentam a igreja de armênios, comem comida armênia e se relacionam apenas com armênios.  A vida já monótona do garoto piora ainda mais quando ele é proibido de viajar com sua família nas férias de verão, porque não conseguiu tirar notas suficientes para ir para uma turma especial no próximo semestre. Alek, então, é obrigado a fazer um curso de verão na escola para recuperar suas notas.

Enquanto sua melhor amiga , Becky, trabalha em uma sorveteria para juntar dinheiro e comprar os patins de seus sonhos, Alek conhece Ethan no curso de verão, um rapaz que é exatamente o contrário dele: despojado e seguro de si.

Foi justamente no primeiro encontro entre Alek e Ethan que comecei a me incomodar um pouco com o livro. Ethan defende Alek de alguns valentões da escola e, logo de cara, já é descrito como Alek – que até então já havia ficado com garotas e gostado –  achou ele atraente. É compreensível que um garoto travado como Alek se encante com alguém confiante como Ethan, porém, para um jovem de 14 anos que nunca nem pensou que poderia ser gay, passar  a ter saudades de outro garoto de uma forma tão desesperada, sem questionamentos, pareceu um pouco raso.

Além da beleza, o que fez Alex se encantar por Ethan foi a liberdade do garoto. Sem cerimônias, Ethan convida Alek para cabular aula e passear por Nova York fazendo coisas ilegais, como não pagar a passagem de trem e metrô, burlar a compra de ingressos no museu… Além de tudo isso, Ethan anda de Skate e é gay assumido.

A maneira com que Alek soube que o, até então amigo, era homossexual foi muito bem pensada. O protagonista fica bravo com um termo pejorativo que Ethan usou para tratar os gays, até que Ethan responde explicando  que pode chamar os gays de “bichas” porque ele era um. Ou seja, mesmo sendo criado por uma família armênia “quadrada” e tradicional, o protagonista se incomoda com qualquer tipo de comentário homofóbico, e até chega a criticar o novo amigo por usá-lo.

Depois de descobrir que Ethan é gay, Alek começa a se pegar pensando demais no garoto. Em uma das conversas com a engraçadinha amiga Becky sugere que talvez Alek esteja gostando de Ethan. A amiga não o julga, muito pelo contrário, a conversa é muito natural.

Enquanto a amizade entre os  dois  garotos vai crescendo, acontece outra coisa que me incomodou: o primeiro beijo dos dois.

Após Alek descrever para  Becky como “sorvete” o beijo que dera em Ethan, o garoto tira da mochila um pôster de um jogador bonito de tênis armênio e prega na parede do seu quarto. Bom, me pareceu simples demais um garoto de 14 anos que nunca ficou com alguém do mesmo sexo, nem sequer pensando que poderia ser homossexual, beijar um rapaz pela primeira vez e no mesmo dia já começa a colar posters de homens na parede. Seria bom se a aceitação fosse tão simples assim.

Devo enfatizar que não é forçado o fato como Alek passa a gostar de Ethan, mas sim a naturalidade irreal na forma com que o garoto descobre seus sentimentos e sexualidade. Creio que a intenção do autor tenha sido tratar o romance jovem gay de forma natural, para os adolescentes se identificarem, sem drama ou tristezas. Afinal, muitos livros de romance juvenis – heterossexuais – não têm nada de muito aprofundado, são apenas romances.

Talvez Michael Barakiva não quis, de fato, desdobrar a descoberta sexual de Alek, mas apenas dizer que é possível tratar com leveza o tema homossexualidade com os jovens.

Me pareceu muito um livro passado por professores para os alunos lerem na sexta série e criar debates saudáveis. A intenção de fazer uma abordagem tênue foi admirável, porém, pelo fato de ser um dos poucos livros atuais Young Adults que fala sobre dois garotos homossexuais tão jovens, o autor Barakiva poderia ter se aprofundado um pouquinho mais na descoberta sexual do protagonista.

Estrelas: ★★

Carina SilvaPostado por Carina Silva

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