19/08/15
Eu não me vejo, e você?

Passei uma semana sem postar aqui, em pleno BEDA, e eu peço desculpa a vocês e a mim mesma, pois esses dias me deixei abater um pouco, me senti sem forças, acho que todos nós passamos por isso em algum momento da vida, é normal, a gente só não pode deixar isso fazer parte, ser uma constante e não apenas uma exceção. 😉

Não teve post aqui, mas uma coisa que eu não pude deixar de fazer por compromisso com vocês, foi deixar de postar as mensagens/frases, que posto todos os dias no Instagram e Facebook. Por mais que eu estivesse desmotivada, sei que as mensagens fazem muita diferença positiva no dia de vocês girls. Sei disso pelas mensagens que recebo no inbox da página, nos comentários, e até nos likes e compartilhamentos. Por isso, os “quotes” do Garotas não falharam.

Mas o motivo do meu desânimo momentâneo é também o motivo desse post. Semana passada recebi duas revistas em casa, uma local da minha cidade, e uma de uma marca de calçados de plástico que está lançando coleção nova.

Eu-não-me-vejo-e-você

Eu não me vejo, e você?

Folheei as revistas da primeira a última página, na primeira revista, não encontrei ninguém com manequim acima do 40, e não estou falando dos editoriais de moda, me refiro a matéria de street style, que supostamente foi feita nas ruas da cidade mostrando a diversidade de estilos. Mas de diversidade não tinha nada ali, eram pessoas brancas, magras, descoladinhas (odeio essa palavra), e só! Parecia que quem fez a matéria reuniu seu clubinho, pediu pra vestirem suas roupinhas mais hipsters e fotografou como moda de rua, e isso é qualquer coisa, menos moda de rua. Nas ruas você vê diferentes idades, corpos e etnias, vê classes sociais, vê estilos, ou seja, a rua ainda é democrática, mas a matéria foi higienista e isso é triste.

Eu-não-me-vejo-e-você

Na segunda revista, a dos calçados de plástico, o foco são mulheres jovens, entre adolescentes a moças de uns 25 anos, imagino. E assustadoramente, para essa marca só existem moças dessa faixa etária brancas, magras e de preferência loiras naturais ou tingidas. E isso também é muito triste, pois é um produto popular, todo tipo de mulher dessa idade costuma consumir, e essas meninas, essas moças, não se veem ali, não acham que são bonitas ou dignas de estarem ali representadas. Fico triste de a essa altura de 2015, ainda termos que apontar esse tipo de preconceito na mídia e na publicidade.

Eu-não-me-vejo-e-você

Isso se juntou a algumas outras decepções e me deixou pra baixo, desestimulada de blogar, de passar uma mensagem que aparentemente poucas pessoas querem ouvir. E que algumas das que ouvem, batem palminhas, acham bonitinho a gente falar de inclusão, mas na prática, nas suas vidas, no seu trabalho, nas suas marcas e mídias continuam perpetuando os mesmos padrões, preconceitos e estereótipos.

E esse tipo de coisa me atinge duplamente, pois me exclui como pessoa e mulher, e ainda por cima fecha portas para mim como blogueira e formadora de opinião.

Ah, mas Helena, tem muita marca plus size, tem revista especializada nisso, outro dia a Ju foi capa de revista. Sim gente, é verdade que algumas coisas estão acontecendo, algumas de nós estão sendo ouvidas e nos representando muito bem, mas são casos isolados. Esse tipo de mídia e publicidade que nos exclui é majoritária, e eu ainda vejo essas ações pontuais e isoladas como medida paliativa para manter vendas, não um real compromisso com a inclusão e quebra de padrões.

Muita gente pode vir falar para eu procurar e prestigiar quem nos inclui e deixar para lá quem não quer saber da gente. E sim, eu já prestigio, divulgo e consumo quem faz moda para mim, quem me enxerga como consumidora e como mulher inteligente e com estilo. Mas nem eu nem vocês podemos fechar os olhos para essa maioria esmagadora de falta de representatividade da mulher comum, da mulher gorda, da negra, da mais velha, da deficiente.

Enquanto eu puder eu vou meter o pé nessa porta, não querem nos deixar entrar, não querem nos ver, não querem nos contratar, nem nos ouvir. Mas vão sim ter que engolir, pois eu, nós, vamos descer goela abaixo, vamos pular o muro e vamos entrar. Me recuso a viver apenas no gueto, na zona de conforto que são as revistas, marcas e grupos plus size e feministas, elas são importantes sim, mas nossa voz tem que ir além, tem que chegar na menina que consome o sapato de plástico, na mulher que anda nas ruas.

É… parece que o desânimo passou, tô de volta e tombando tá mores?

via GIPHY
beda

 

Helena SáPostado por Helena Sá

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