04/05/15
em: textos
Não quero gordo vestindo minha marca

O título do post tá sensacionalista, eu sei. Mas não deixa de ser essa a afirmação que as marcas em geral (exceto marcas plus size) fazem ao limitar o seu maior tamanho ao 40, 42, no máximo 44.

E não é só uma mensagem velada que a gente entende ao ver modelagens cada vez menores, o CEO da Abercombrie (marca norte americana), afirmou categoricamente:

“Ele não quer pessoas grandes comprando na sua loja, ele quer pessoas magras e bonitas”, disse o autor sobre o CEO da label, Mike Jeffries. “Ele não quer que seus principais consumidores vejam pessoas que não são tão atraentes quanto eles usando suas roupas. Para ele, as pessoas que vestem suas peças devem se sentir parte das cool kids.”

E eu não preciso dizer, mas direi, o quão nojenta, preconceituosa e criminosa é não só a frase da figura aí acima, mas essa escolha da maioria esmagadora das marcas. Marcas tem nicho de mercado, sim! Mas não vamos confundir público alvo com preconceito, com imposição de padrões.

seu-corpo-não-está-errado-só-porque-uma-roupa-não-te-serve

Não precisamos ir longe para ver isso, desde a lojinha da esquina da sua casa, até a grande fast fashion e principalmente nas grifes, a moda é excluir mais da metade da população mundial, que veste acima do manequim 44.

E muitas vezes além da desculpa do público alvo, há ainda a de que produzir tamanhos maiores fica caro, que não há procura. E isso tudo pode ser rebatido com a realidade de lojas para mães que se limitam ao 42 e focam na cliente que veste 38. Quantas mães vocês conhecem que vestem 38? São poucas, não é?

E quanto a dificuldade de produzir tamanhos maiores, qual a explicação para lojas de camisetas de malha (essas que estão na moda e são vendidas online), terem o maior tamanho feminino vestindo muito mal alguém do manequim 42? A coisa mais fácil seria produzir esse tipo de roupa em tamanhos maiores, mas aí você correria o risco de ver uma moça gorda, uma senhora, ou uma mãe de 2 filhos vestindo a mesma camiseta que você, e isso definitivamente não é legal, como eu vou ser cool se pessoas comuns vestem a mesma camiseta que eu? Essa é realmente uma preocupação pertinente. #ironia

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*Na imagem acima, tabela de medidas de uma marca descoladinha: a camiseta básica tem seu GG vestindo de forma confortável no máximo quem veste 44. E seria criminoso vender cropped acima do manequim 38, já pensou? Uma gorda barriga de fora por aí?

Ah! Lembrando que é só ir nas lojas online ou nas de rua mesmo e constatar que os tamanhos maiores são os primeiros a acabar.

Então agora, com todos esses “argumentos”devidamente rebatidos: por que você dono ou responsável por uma marca não quer vender mais, lucrar mais, vendendo também para quem veste acima do 44?

Será que as pessoas “estilosas, descoladas e lindas” perderiam todas essas características só porque uma pessoa comum que veste 44, 46 ou 50, está com uma camiseta igual?

Desculpa sociedade, mas eu visto 46 e tenho um estilo único, só meu, e sem modéstia nenhuma, me visto muito bem, arraso, lacro e sou foda! ahahaah É só conferir os looks aqui do blog pra comprovar. E não preciso de roupas caras ou exclusivas, não preciso que limitem a modelagem das peças que eu visto, para me sentir bem vestida, pois no momento que eu combino roupas e acessórios, no momento em que eu visto, aquela peça já não é igual a que outra pessoa comprou, pois eu sou única. 😉

E aí pessoal da moda, das marcas, das grifes. Vocês não querem mesmo gordo vestindo a sua marca? E vocês meu povo que lê o Garotas, o que acham disso?

Ah, e eu não quero ser como os descolados (cool kids), só porque eles parecem se encaixar. Não quero me enquadrar, quero ser ouvida. <3

Helena SáPostado por Helena Sá

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10 comentários em “Não quero gordo vestindo minha marca”

  • veronica disse:

    São eles que estão perdendo!!!! Quem faz uma moda inclusiva ganha muito mais. bjsss

  • Kelly disse:

    Li seu artigo e fiquei pensando. Não sou gorda, não tenho barriga, tenho 1,86m e peso 69kg. Sou um 42 perfeito: busto 94cm, quadril 104cm. E tem marcas que simplesmente não me servem. Não servem. Vou dar nome aos bois: MOfficer. Odeio. Mesmo o maior tamanho não serve em mim. E tem mais lojas que eu nem entro, sei que tudo é pequeno demais, demais. O que é isso? Se vcs acham que precisa “ter algum defeito”, ser plus size, ter barriga ou um pneuzinho, não é por aí. A discriminação é baseada em medidas irreais. Eu já usei man. 40. Meus seios eram menores, depois de amamentar dois, fiquei quase “despeitada”. Não tenho culotes, minha bunda não é grande, vestindo 40 era quase inexistente. Aumentei o manequim e me acho mais bonita 42, tenho curvas e os peitos voltaram, não à normalidade, porque ter filhos tem seu preço. Tiro foto de biquini e ninguém acha um pneu, uma sobra, um excesso, uma barriga. E mesmo assim, estou na classe do manequim 42, do “gordo”. Uma menina de um blog brechó teve a cara de me chamar de gorda, porque uso 42. Fala sério! 38 é para meninas. Acho que eu usava 38 quando tinha 13 anos. Depois disso, nunca mais 38. Nem quando eu era 40 – sem peito, sem bunda, sem nada, além de pele e ossos, e, acreditem, até meu rosto e cabelos eram feios(eu pesava 59kg, 10kg a menos que atualmente). Pra ser 38 precisa ter um metro e meio de altura – ou ser chinesa. Será mesmo que existe tanta gente 38? não creio…

    • Helena Sá Helena Sá disse:

      Exatamente Kelly, que consumidores são esses que essas marcas querem? Eles existem? Como eu respondi a outra leitora, eu disse gordo no títtulo, mas as marcas tão excluindo qualquer pessoa real. É triste, pois muita gente entraem dietas doisas, acaba com transtornos alimentares por isso.

  • Bia disse:

    Pois é, sacanagem isso… Mas vou confessar que também tenho dificuldade de achar calças, pois todas que compro alargam em alguma parte da perna ou ficam caindo O_o é bizarro (eu compro mais em lojas comuns como Riachuelo e Renner). Talvez eles tentem deixar algo mais padronizado ou sei la.. Sei que não tem muito a ver com o que vc disse, mas resolvi deixar meu “problema” aqui tbm.

    bjão!

  • gabi disse:

    Outro exemplo de marca “pequena” é a TOK. Tem roupas lindas, mas ninguém com uma gostosura a mais consegue comprar!!
    E outro problema que eu enfrento é com sapatos. Tenho 1,75m de altura e calço 40. A imensa maioria dos modelos e marcas vai até a numeração 39. E quando o modelo é fabricado no 40, tem UM PAR na grade de venda da loja! Já conversei com muitos vendedores e todos dizem a mesma coisa: MUITAS meninas estão calçando números maiores que 39, a procura é grande e mesmo assim as fábricas não colocam mais pares na grade.
    Tenho 26 anos e calço o mesmo numero desde os 12, mais ou menos. Não vou nem entrar no quesito ‘zoação’ que sofri na escola pq já ta superado. hahaha
    Por muito tempo usei só tenis, pois a maioria dos modelos que eram fabricados eram aqueles tipo “de vó”, saltinho baixo ou sem salto, modelos quadradões e completamente fora de tendencias.
    Não sou menos feminina pq meu pé é grande pros padrões, não sou menos estilosa por isso. Mas por muito tempo me obriguei a comprar o que era oferecido pelas lojas. Não me lembro de uma vez em que eu não tenha chorado de frustração ao sair pra comprar sapatos.Já cheguei ao ponto de colocar TODOS os meus sapatos (exceto tenis) no lixo, de tanta raiva dos modelinhos sem graça.
    Hoje em dia a coisa ta melhor, tá mais fácil e consigo comprar modelos das grandes marcas (mais em conta do que marcas especializadas em tamanhos grandes) atuais e lindos! Mas assim: lançou a coleção é correr pra loja, se não o risco de ficar sem é grande! hahahaha Então calculem meu nível de emoção quando acho um sapato do meu numero em promoção! UHAUHAUHAUHHUAUHA

  • […] para ser perfeita, a Maria Filó para C&A só precisava de tamanhos maiores, as moças gordas também tem estilo e querem peças atemporais e lindas nos seus guarda roupas. […]

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